Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Corretor ortográfico: usar ou não usar?

por Carla Queiroz Pereira em Dificuldades com a escrita

Para algumas pessoas, ou muitas, o corretor ortográfico do word é uma salvação. Viu um grifo vermelho abaixo de uma palavra escrita, ôps, é hora de verificar a ortografia. Aí, depois de ler as opções dadas pelo corretor, o próximo passo é clicar em “alterar” e pronto. Fácil, não é!? Uns utilizam tanto essa ferramenta que acabam dando demasiada atenção às palavras isoladas, mas ignorando outros aspectos tão importantes do texto. E isso é só o começo.

Os plenamente confiantes no corretor ortográfico também costumam não ver as palavras que deveriam sofrer alterações. O word não grifará, por exemplo, a palavra “conserto” que, na verdade, deveria ter sido escrita como “concerto”; também não grifará “fezes”, que deveria ter sido escrita como “vezes”. Bem, pessoal… nestes casos não há corretor que possa salvar. Também por essa razão, ler todo o texto cuidadosamente é imprescindível. Guiando-nos pelo sentido do texto é que iremos corrigir o não corrigido pelo word (como é o caso de colocar “v” no lugar de “f”, em “fezes”). No caso de palavras como “conserto” e “concerto”, na dúvida, please, consultemos um dicionário. É pelo sentido de cada uma que iremos decidir pela grafia. Hum… estão vendo como uso do dicionário não é coisa do passado! Aliás, buscando uma determinada palavra, acabamos, muitas vezes, aprendendo o sentido e a grafia de outras.

Bom, pessoal, não sou contra o uso do corretor. Claro que não.
O problema é quando depositamos plena confiança nele.

Sentido e revisão do texto: teste suas habilidades

Já pensou se você, ao enviar um importante e-mail para seu chefe, escreve, em alguma parte do texto, ”fezes” em vez de “vezes”? Pois é… esse caso aconteceu mesmo! A pessoa que escreveu foi a mesma que relatou o fato. A despeito do fator que motivou o “erro” (sobre isso podemos falar depois), a questão é: será que o texto foi lido e relido após ser escrito ? Essa foi a pergunta feita por mim. A resposta? ”NÃO, Carla. Eu queria logo me livrar daquele texto… Aí, depois que já havia enviado vi a besteira que fiz. Estou morrendo de vergonha“.  

Reler o texto antes de enviá-lo a alguém ou publicá-lo em algum lugar requer o exercício da paciência, disciplina e dedicação de um tempinho a mais, algo difícil nos dias de hoje. Por isso, não raras vezes observamos alguns probleminhas de sentido, por exemplo, nos textos que lemos. Veja o que foi publicado no Jornal Folha de São Paulo, servindo como questão de prova da Unicamp/2003:

O Partido X dedica-se a essa atividade mais do que nunca. Ocorre que ainda está longe do desejado, seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade do partido. Entre outras razões, é por esse motivo que o dólar sobe.

A pergunta foi a seguinte: o final da seqüência “seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade…” apresenta um problema de coerência, que pode ser eliminado de duas maneiras. Quais são essas duas maneiras?

E você, já sabe a resposta? Envie seu comentário a respeito!  

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17 abril 2017
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Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br