Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

E – S – C – O – N – J – U – R – A – T – Ó – R – I – O ou E – X – C -O – N – J – U -R -A -T -Ó -R -I – O?

Essa palavra do título se escreve com S ou com X? Aliás, você já conhecia essa palavra?

Sem dúvida alguma, não deixa de ser importante e uma forma de incentivo a participação de crianças e adolescentes em concursos de soletração de palavras, tal como ocorre no “Caldeirão do Huck”. Particularmente, gostaria de parabenizar os vencedores da eliminatória de ontem, sábado, e aqueles que, em função do tipo de tarefa proposta, foram eliminados. Parabéns a esses também, claro, afinal, só “erraram” onde a língua permite. Como assim?

Os erros de grafia têm uma natureza: a relação entre letras e sons. Ortograficamente escrevemos, por exemplo, “exceção”, mas podemos escrever de outras maneiras usando o sistema de escrita alfabético (baseado nas relações entre letras e sons do nosso sistema ortográfico).

Sons diferentes podem ser representados por letras iguais (ex: cenoura, casa etc.), e um mesmo som pode ser representado por diferentes letras (ex: você, nosso, poço, paz, sapo etc.). Essa regra não seria diferente para a palavra “eSconjuratório”, mencionada no referido programa, soletrada como E-X-C-O-N-J-U-R-A-T-Ó-R-I-O por um dos participantes, Daniel Coutinho (MG).

Interessante ressaltar que “dificuldades em acertar a ortografia não são nenhum privilégio dos alunos, nem uma questão de alfabetização” (…). Certamente, quem lê muito e escreve bastante, com o tempo, passa a ter cada vez menos dificuldades em escrever ortograficamente” (Cagliari & Cagliari, 1999). No caso de palavras como “esconjuratório”, de pouco uso, a dificuldade poderá ainda existir, inclusive entre aqueles que têm bons hábitos de leitura/escrita.

Por tais razões, muito me chamou a atenção o tom de voz de repreensão do professor que lá estava presente, ao corrigir o participante: “Esconjuratório é com ‘S’ e não ‘X’”. O aluno, quando “erra” a grafia de uma palavra, não pode sofrer qualquer espécie de punição por isso; não se pode dar à ortografia tamanha ênfase, afinal, acertar a grafia não quer dizer competência para escrever bons textos. Já a prática constante de escrever (e ler), isso sim, garante a escrita de bons textos e, consequentemente, maior domínio da ortografia.

Aprendendo e memorizando a nova grafia

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

Calcula-se que, no Brasil, 2 mil palavras sofrerão alterações, ou seja, 0,5% do total (Revista Nova Escola, Jan/Fev 2009). Como já sabemos, tais alterações envolvem o trema (que deixa de existir), a acentuação e o hífen. Conforme afirma Irandé Antunes, da Universidade Federal de Pernambuco, a adaptação não será tão difícil para quem escreve com frequência*.

Hoje, lendo uma revista de circulação nacional, vi as palavras “antissocial”* e antirracismo”*. A primeira reação foi a de quase todos nós, ou seja, achar muito esquisita essa grafia. Em seguida, minha atitude foi procurar a regra que ocasionou essa mudança. Eis aqui: não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras.

Sabe, pessoal, ter a regra em mente é importante, mas não é suficiente para que seja aplicada durante a produção de um texto. Precisamos ter contato com os textos, lendo as novas grafias nos jornais, nas revistas etc., escrevendo, lendo novamente… Quanto mais contato, mais rapidamente escreveremos de acordo com a nova grafia.

* palavras que sofreram alterações após a reforma ortográfica

Ortografia nas estradas da vida

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

Um site na Internet mostra textos escritos em portas de bares e restaurantes, em paredes, muros etc. Muitos representam verdadeiras “pérolas” do ponto de vista do funcionamento da linguagem e de nosso sistema de escrita, conforme vemos a seguir. Placas como essas podem ser usadas em sala de aula, a fim de tornar o ensino de língua portuguesa agradável e curioso. Mas lembre-se: o ensino de Língua Portuguesa não se restringe ao ensino de gramática e ortografia!

Guia prático sobre a Reforma Ortográfica

Apesar de ainda não precisarmos escrever seguindo as novas regras ortográficas, é bom já irmos nos acostumando com elas, afinal, em 2010 já deverão ser aplicadas. Os concurseiros que se cuidem, pois acredito que as bancas examinadoras farão uma “festa” com isso. Também por tal razão é que sugiro a leitura deste guia prático, da Editora Melhoramentos. BOA LEITURA!
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Reforma ortográfica: você gostou da idéia?

Todos já sabemos: as regras ortográficas vão mudar de novo nos próximos anos. Para o nosso país passarão a valer em 2010!

Quando se fala em mudança nas regras de uma língua, muita gente não aceita. Durante as consultorias que presto ouço muitas pessoas dizerem: “puxa vida, Carla, já é difícil do jeito que está e agora tenho que me preocupar com essas mudanças”. Calma… calma, fulano, afinal, escrever ortograficamente é mais fácil que produzir um texto em que os enunciados estejam bem organizados, as relações de sentido sejam mantidas e a argumentação, de fato, exista. Isso é o que geralmente respondo tendo em vista os textos que produzem. É incrível observar como os clientes se queixam daquilo que mais sabem fazer: escrever ortograficamente. É verdade. Nos textos dos advogados, engenheiros, publicitários etc., quase não observo erros de grafia, pelo menos quando o uso de certas palavras é relativamente comum.

Aprender o novo modo de escrever será uma questão de tempo e de uso das palavras…somente das palavras, e não das frases, dos parágrafos, dos textos. Eu mesma precisarei me acostumar a escrever “linguística” e não “lingüística”, pois o trema já não mais existirá nas palavras em português (mas exitirá nos nomes próprios estrangeiros). Agora mesmo, escrevendo linguística neste post, fiquei pensando: iiiii, será que tiraram só o trema ou o acento no “i”, também? (Pois a palavra ”idéia”, por exemplo, será escrita como “ideia”). A tarefa foi simples: fiz uma consulta utilizando material confiável e escrevi linguística. Aprendi, ainda, que o acento agudo cai nas paroxítonas que têm “ei” ou “oi” na sílaba tônica (há outros casos de queda do acento agudo).  E é assim que aprenderemos as novas grafias: fazendo consultas… lendo… escrevendo… escrevendo… relendo… corrigindo… escrevendo novamente… lendo… reescrevendo…  

Bom, até 2009 vou continuar escrevendo lingüística, ok!? E enquanto não me acostumar com a idéia, vai até parecer que a lingüística não é tão lingüística quando escrevo linguística. Mas isso é um papo pra depois… tem a ver com a relação entre grafia aprendida, nova grafia e o sentido.

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6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br