Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Texto reescrito!

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

Conforme combinamos, segue reescrita do texto inserido no post anterior. Notem as diferenças entre eles.

No próximo dia 22 de março, data em que se comemora o dia mundial da água, vamos promover um movimento contra o uso indevido desse bem natural. Conheço um ativista cujas palavras convencem a todos. Ele nasceu em uma região em que havia escassez de água. Por isso, hoje ele luta pelo adequado uso da água, que é um bem precioso. Vamos convidar esse ambientalista a quem muito devemos.

Proposta de trabalho para a prova dissertativa da RF

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

FUNCIONAMENTO DOS ATENDIMENTOS

O grande diferencial dos atendimentos que presto é a possibilidade de o aluno reescrever mais de uma vez e independente do número de inadequações que existam em seu texto. Julgo ser importante o aluno conhecer os pontos em que precisa melhorar, independente de suposta nota que possa receber, afinal, não sabemos o rendimento dos demais candidatos concorrentes. E não somente isso: se o aluno não recebe um feedback, “esbarrará” sempre nas mesmas dificuldades.

Funcionará, portanto, da seguinte forma: o candidato escreve sua primeira versão e entrega a mim. Irei corrigir considerando os aspectos textuais previstos no edital. Baseado em tais correções, o aluno passa a reescrever o seu texto (1ª reescrita). Após a 1ª reescrita, entrega o texto mais uma vez a mim, a fim de que eu faça as correções novamente. O texto, então, é devolvido ao aluno para uma 2ª reescrita.

 SOBRE ASPECTOS TEÓRICOS E CORREÇÕES NOS TEXTOS

  • Aspectos teóricos serão trabalhados através de cada versão lida por mim. Por exemplo, se o candidato demonstra dificuldades na argumentação, receberá um texto teórico sobre o assunto, contendo exemplos de textos bons e ruins, bem como exercícios específicos para poder exercitar. Também aprenderá sobre argumentação ao ler as correções, sugestões e comentários meus ao texto escrito. O mesmo valerá para outros aspectos textuais, tais como coesão e coerência, organização da ideias etc.
  • Minha atenção durante as correções estará voltada aos aspectos textuais. Não será julgada a veracidade ou exatidão das informações inseridas pelo candidato.

ENVIO DOS TEXTOS More

Redação da Abin elimina candidatos com notas altas nas provas objetivas

Passou nas objetivas, mas foi eliminado na redação

Acabei de ver as pontuações das provas objetivas e da dissertação do pessoal que fez a prova da Abin. Olha… teve gente com pontuação de 107,00 nas provas objetivas (a prova tinha 150 itens), ou seja, uma boa pontuação considerando as pontuações dos demais aprovados, bem como o fato de ser uma prova CESPE. Mas esse mesmo candidato que fez 107,00 pontos nas objetivas, fez 4,10 na prova dissertativa. Conclusão: está fora do concurso, afinal, a nota mínima exigida era 6,00. Esse é só um exemplo, pessoal. No site do CESPE podemos ver vários candidatos em situação semelhante.

Observo que muitos candidatos a concursos públicos sabem que a escrita de um bom texto não se restringe a determinados aspectos, como acentuação, pontuação, escolhas lexicais, gramática, ortografia, concordância e regência. Por isso, já aprenderam sobre a estrutura de um texto dissertativo, as informações que devem conter cada parte e, ainda, os conceitos de coesão, coerência, argumentação etc., tão falados em cursos preparatórios.

É preciso saber aplicar

É necessário que tais conceitos sejam vistos e discutidos, na prática. Não adianta só saber, por exemplo, que o elemento coesivo “se” expressa uma relação de condicionalidade. É preciso, no interior do texto, ver quais as relações de sentido foram estabelecidas pelo seu uso. Também não adianta saber o que é ambigüidade; tem que saber identificá-la em um texto real e saber desfazê-la. É por isso, também, que a escrita de um bom texto está intimamente associada à leitura. Na verdade, o processo de produção de textos envolve muitos aspectos que não trataremos agora; e o aperfeiçoamento dessa produção exige, inclusive, um leitor-interlocutor dos textos produzidos. Em muitos casos, esse leitor – profissional atuante na área – intervém no momento em que o texto está sendo produzido pelo seu autor.

Poderíamos citar muitos outros exemplos daquilo que não adianta só saber em termos de conceito, mas esse post ficaria enorme.

Concurso da Abin: sobre a prova dissertativa

Já está chegando o dia da prova da Abin – Agência Brasileira de Inteligência – para os mais de 88.000 inscritos. No próximo domingo, dia 12/10, os candidatos precisarão testar suas habilidades, entre elas, a de produzir uma dissertação. Por isso, vale aqui uma “dica”.

Para que a escrita da prova dissertativa seja possível, um dos requisitos básicos é TER SOBRE O QUE ESCREVER. Em outras palavras, não é possível escrever sobre algo de que nada ouvimos, vimos ou lemos. Como escreveremos sobre terrorismo, por exemplo, se não nos informamos sobre o assunto? (Vale lembrar que saber somente sobre os atentados de 11 de setembro, nos EUA, ainda é muito pouco para podermos escrever sobre o tema). Você pode indagar: “Tudo bem Carla, mas numa prova dissertativa, os temas propostos são os mais variados possíveis, e não tenho como saber tudo de tudo”. Concordo, claro. Mas, ainda assim, arrisco dizer que o CESPE NÃO SOLICITARÁ A ESCRITA DE QUALQUER TEMA, aleatoriamente, se considerarmos as tendências dessa banca.

No último concurso da Abin, realizado em 2004 também pelo CESPE, o tema de redação foi “A informação como fator estratégico de segurança“. Vemos, portanto, que a proposta tem relação direta com duas, das quatro competências da Abin, a saber: 1) “planejar e executar ações, inclusive sigilosas, relativas à obtenção e análise de dados para a produção de conhecimentos destinados a assessorar o Presidente da República”; 2) “avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional” (Lei 9.883/1999, art 4º, I, III).

Sendo assim, sugiro que após conhecer mais sobre a Abin através de sua legislação específica, você tente elencar alguns temas possíveis de serem cobrados, ler sobre eles e escrever… escrever… escrever… Para enriquecer ainda mais o seu conteúdo, sugiro também a leitura de algumas edições da Revista Brasileira de Inteligência, disponíveis no site http://www.abin.gov.br/

BOA PROVA A TODOS!!!

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Ah, Curitiba…
17 abril 2017
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Isadora Sampaio: Boa tarde professora Carla! Indicaram-me a senhora para fazer recurso de concurso....
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br