Quem não sofre para escrever?

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos
“Por que escrevo?”. Esse é o título de um livro muitíssimo interessante para também percebermos a diversidade de motivos que levam as pessoas a escrever, bem como o sentimento delas em relação ao processo de produção de um texto. Comumente achamos que somente nós, não escritores (pelo menos no sentido de não sermos um Monteiro Lobato, por exemplo), precisamos labutar na hora de escrever; pensamos que sofremos o que escritores consagrados não sofrem. Não é bem assim. CLARICE LISPECTOR, por exemplo, nos ensina isso quando responde à pergunta “Por que escrevo?”:
 
Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estreia* penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que chamo de viver e escrever”.