Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Castelo do Edmar: charges e a interpretação no tempo

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Fonte: Jornal Olho Vivo
Retirada de: www.chargeonline.com.br

Há um fator imprescindível para a interpretação de uma charge: nosso conhecimento de mundo, isto é, o conhecimento que temos de fatos ocorridos, lugares, pessoas etc. Tal conhecimento constantemente sofre mudanças, afinal, o tempo todo recebemos novas notícias (umas mais marcantes do que outras), memorizamos aquilo que nos parece ser mais importante (é bom lembrar que a memória é atravessada também por fatores sociais e históricos) etc. Por causa dessas mudanças, uma charge que hoje faz sentido para nós, poderá não fazer no futuro.

Imagine que daqui a alguns anos vejamos essa charge do “castelo do Edmar”. Quem pode garantir que a entenderemos? Será que a lembrança de quem foi Edmar será tão automática, bastando-nos somente um rápido olhar para produzirmos um riso? E o desenho de um castelo bem no lugar onde fica o Congresso Nacional? Fará sentido? Pode ser que não. A possível não interpretação (e isso não quer dizer que você tenha um problema ou uma dificuldade para compreender) é uma prova de que interpretar não é decodificar; interpretar é mobilizar saberes diversos e atribuir um sentido que não é dado a priori, mas construído.

Crise… trabalho… demissões

Fonte: Super Notícia (MG)

Votação & Charges

Fonte: Jornal NH (RS) – 06/10/08

Olá, pessoal!

Tudo o que aparece em uma charge tem uma razão de ser!!!

Nesses últimos dias vi muitas que faziam referência às últimas eleições.

Mas queria alguma que fosse diferente… 

Bom, econtrei essa. Achei super legal! E você?

Acabei de mostrá-la a uma colega. Ela comentou: “é uma pessoa que está em uma situação sem estrutura… à deriva… numa ilhota“. Perguntei: “E quem é Wilson?” “Wilson? Sei lá“, respondeu ela.

Publicamos aqui a sua sugestão!!!

Acabei de receber essa charge e não poderia, é claro, deixar de inseri-la aqui!

Puxa… quanta informação… quantos conhecimentos mobilizamos na interpretação dessa charge! Fantástico observarmos como nas charges, de uma maneira geral, vemos pouco texto escrito (digo isso porque em Lingüística há o texto oral também) e todo o processo de interpretação sendo mobilizado a partir de nosso conhecimento prévio!

Mas será que daqui a alguns meses ou anos, essa mesma charge fará sentido para a maioria de nós? Se quiser responder e explicar o porquê, seu comentário será bem-vindo e respondido.
Aproveitando… gostaria de sugerir o seguinte: se você tem algum material que julga ser interessante do ponto de vista da linguagem, por favor, não deixe de enviá-lo.

Pode ser uma charge, piada, folder de propaganda, tirinhas, questões de provas etc.

Obrigada, Josias, pela charge enviada!

obs: gostaria muito de poder informar a fonte dessa charge, o que é meu dever, inclusive. Mas, infelizmente, a pessoa que a enviou não soube me dizer de que site foi retirada, pois também não foi informado disso ao recebê-la de um colega de trabalho. Coisas da internet…

Interpretação de charges nas provas

brasil-x-argentina.jpg 

 

Fique de olhos abertos! As charges têm sido exploradas nas provas de concursos públicos. Muitos alunos, porém, pensam que tais textos são “bobinhos” ou de fácil análise, o que resulta em erros… muitos erros. Ministrando uma aula beneficente no dia 17 deste mês, por exemplo, recebi N interpretações para uma charge já inserida neste blog (“A charge do Penhor”, postada no mês de maio). Crie o hábito  de ler charges. Procure dizer para você mesmo, quais os conhecimentos foram mobilizados para que fosse possível a interpretação.  As bancas querem saber não somente se você chegou à interpretação X, mas, também, se você sabe explicitar as razões que o levaram àquela interpretação etc.

Vai uma dica de um site: www.chargeonline.com.br

Quem pode explicar?

charge-arroz.jpg

Fonte: Diário de Pernambuco – 25/04/2008

Ao ver essa charge, uma profissional da área de Comunicação Social me disse: “Carla, essa mulher não sabe o significado da palavra ‘penhor’, pois ela queria penhorar o arroz”.

 Tente responder: 

1. A profissional da área de Comunicação estava correta? Por quê?

2. Quais os conhecimentos devem ser mobilizados na leitura da charge, a fim de podermos compreendê-la?

Prometo um retorno a quem enviar a resposta.

Charges & Interpretação

Lendo o título deste post você pode questionar : “Mas o que as charges têm a ver com interpretação de textos? Tudo a ver. Se você achava que não, aqui vai a primeira questão:

1. O que você entende da charge abaixo? 

Maioridade Penal 
Fonte: Jornal Folha de São Paulo – 12/02/2007

E uma segunda questão:

2. Como foi possível compreendê-la?

Os textos têm a propriedade intrínseca de se constituir a partir de outros textos. Por isso, todos eles são atravessados, ocupados, habitados pelo discurso do outro. Essa charge, por exemplo, só pode ser compreendida se você conhece o discurso de que a redução da maioridade penal garantiria maior paz e segurança aos brasileiros (conhecimento de mundo). Contrário a esse tipo de concepção, o autor da charge mostra que a redução pura e simples da maioridade penal para adolescentes infratores não é suficiente para diminuir a quantidade de crimes cometidos e, conseqüentemente, o número de infratores nos presídios.  

Fique de olho: charges, piadas, propagandas e tirinhas são cada vez mais freqüentes em provas de concursos. As bancas examinadoras querem saber justamente isso: se você consegue identificar e analisar os fatores que mobilizaram um determinado sentido.

Contexto & Interpretação

Um importante aspecto envolvido na interpretação de textos e bastante cobrado em provas de concurso e vestibulares é o contexto

Tente dizer, por exemplo, o que você entende da frase “Não ponha a mão na massa, ponha a mão no telefone” (fora de seu contexto).

Bom, não sei o que você respondeu, mas fora de seu contexto, já recebi resposta do tipo: “Aaaa, sei lá, deve ser pára de trabalhar… dê atenção pra mim”.

Agora veja a figura abaixo, de onde foi retirado o enunciado:

Não ponha a mão na massa

Na leitura do folder entendemos algo do tipo: “Não trabalhe, não faça a massa (da pizza, do canneloni, ravioli, etc.); nós trabalhamos por você. Faça o pedido da massa que você deseja comer”. Como foi possível tal interpretação? “Não ponha a mão na massa” é uma expressão cujo sentido é culturalmente aprendido, um sentido de “não trabalhar”, “não pegar no pesado”. No contexto da propaganda de um restaurante especializado em cozinha italiana, a frase “não ponha a mão na massa” ganha mais um sentido, o de não preparar a massa da pizza ou do canneloni, por exemplo. Nesse mesmo contexto foi possível entender a frase “ponha a mão no telefone” como um apelo ao consumidor, para que esse faça seu pedido (compra) pelo telefone.

É interessante observar que se a frase “ponha a mão no telefone” fosse lida sem a frase que a precede, e fora desse contexto, tal interpretação não seria possível.   

Posts Recentes
Comentários Recentes
Quem escreve este blog
Ah, Curitiba…
17 abril 2017
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Isadora Sampaio: Boa tarde professora Carla! Indicaram-me a senhora para fazer recurso de concurso....
Maria Elizabeth dos Santos Conte: Obrigada professora pela dicas excelentes....
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br