Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

O sentido vem… e vai…

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Charge publicada no site www.acharge.com.br , elaborada por Amarildo para o “A Gazeta”.

Charge feita originalmente para o “Estado de Minas”, publicada também no site www.acharge.com.br

O interessante é que essas charges não farão o menor sentido daqui a algum tempo !!!

Memória e interpretação de charges

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Uma estudante, visitante do blog, pede que eu a auxilie na interpretação de uma charge que sua professora havia passado para a turma da escola analisar e interpretar. Embora a professora tenha proposto tal atividade recentemente, a charge em questão foi criada e publicada em 2008, ou seja, há 3 anos. Qual a implicação disso para o fim desejado pela atividade?  

O professor, ao trabalhar com as charges na sala de aula, precisa verificar quando a charge foi publicada, pois a mobilização do conhecimento exterior à charge e sua interpretação também dependerão da nossa memória a respeito das notícias veiculadas na imprensa numa determinada época. Não podemos apresentar aos alunos uma charge cuja interpretação depende de um conhecimento sobre uma notícia que pode não mais estar em nossas memórias. A charge que segue (Fonte: Gazeta Mercantil-SP), por exemplo, foi publicada dia 24 de março de 2011, dia em que, por 6 votos a 5, a decisão do Supremo Tribunal Federal anula os efeitos da Lei Ficha Limpa para as eleições de 2010. Será que daqui a alguns anos poderá ser interpretada?

Apresentar em 2011 uma charge criada e publicada em 2008, sem tecer explicações prévias que permitiram a interpretação, é supor que o sentido desse tipo de texto se encerra nele mesmo, o que não é verdade.  Uma apresentação assim realizada pode evidenciar, por um lado, a necessidade de professores conhecerem a complexidade envolvida na interpretação dos textos; por outro, pode gerar alunos frustrados por pensarem que não são capazes ou que têm dificuldades de interpretar.

Há alguns outros pontos importantes a serem considerados pelos professores quando da utilização de charges em sala de aula:

- O professor deve levar os alunos a refletirem sobre a construção do sentido dos textos. Como mobilizamos os sentidos nos textos? A partir de quais fatores? Será que os sentidos estão somente nos textos ou trazemos um conhecimento exterior aos textos para que estes sejam interpretados?

- A charge é um tipo de texto cuja interpretação depende, geralmente, de um conhecimento exterior ao texto (à charge), tal como vemos nos exemplos apresentados neste blog;

- O professor pode aproveitar as charges para expor diversos conhecimentos relacionados à economia, política, biologia etc.;

- Os alunos devem ser instigados a pensar… pensar… raciocinar… refazer suas hipóteses etc.

Há outros pontos já abordados no blog! Aproveitem! 

Interpretação de tirinhas – Calvin !

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

 

Fiz um convite à Elisângela Bassi, amiga, ex-colega do mestrado/Unicamp e profissional da área de Linguística e Fonoaudiologia. Queria muito que ela escrevesse no ”A Escrita nas Entrelinhas”. Ela aceitou! Que bom!!! Segue sua preciosa contribuição a todos aqueles que buscam aperfeiçoar a leitura e interpretação dos textos.   

 

Agradeço a Carla – querida e competente profissional – pelo convite para postar um texto interpretativo em seu blog.

Em razão dos últimos concursos, vestibulares e provas do Enem, escolhi interpretar uma tirinha em quadrinhos. A leitura interpretativa deste tipo de texto, assim como de charges, requer uma construção de sentidos que, para que ocorra, é necessário mobilizar alguns processos de significação, como a percepção da atualidade, a representação do mundo, a observação dos detalhes visuais e/ou linguísticos, a transformação de linguagem conotativa (sentido mais usual) em denotativa (sentido amplificado pelo contexto, pelos aspetos sócio-culturais etc). Em suma, usa-se o conhecimento da realidade e de processos linguísticos para ‘inverter’ ou ‘subverter’ produzindo, assim, sentidos alternativos a partir de situações extremas. 

Clique sobre a tirinha para melhor visualizá-la.

  

O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho de sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares. Ele optou por valorizar o desenho, mostrando todas as habilidades conquistadas para conseguir produzi-lo. O pai, no último quadrinho, reconhece o empenho do filho, utilizando-se de um conector de concessão (‘Ainda assim’), valorizando a importância de tudo aquilo. Contudo, afirma que não pagaria o valor pedido (como se dissesse: “sim, filho, foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”).

A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso “maduro” em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e motor nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois, ficar claro para nós, leitores, que toda a força argumentativa foi em prol da cobrança pelo desenho que ele mesmo fez. Em outras palavras, o personagem empenha-se na construção de um raciocínio em prol de uma finalidade absurda – o que nos faz sorrir no último quadrinho, já que é somente nele que conseguimos ‘completar’ o sentido. Claro, se você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que ele tem apenas 6 anos, o que torna tudo ainda mais hilário, mas a falta deste conhecimento não prejudica em nada a interpretação textual.  

http://www.artesanatotextual.blogspot.com/

elisbassi@gmail.com

Apagão

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Fonte: Jornal “O Popular” (GO)

Linguagem verbal e não verbal

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Só um humano mesmo para dar conta do sentido!

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Charge publicada no Jornal O Povo (Ceará)

Comentário de uma charge

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Olá, pessoal!

Há algum tempo postei esta charge. Eis aqui meus comentários enviados àqueles que se propuseram a explicar a interpretação dada por uma profissional de Comunicação Social, isto é, de que a mulher ilustrada na charge não sabia o significado da palavra penhor e, por isso, levou o arroz para ser penhorado:

Assim como as piadas, as charges são textos humorísticos que requerem a mobilização de conhecimentos prévios para que seja possível a interpretação. Que conhecimentos prévios são esses? Conhecimentos de fatos que circulam na sociedade, de questões culturais e ideológicas etc. Um exemplo: na piada “feliz foi Adão que não teve sogra”, NÃO HÁ COMO INTERPRETÁ-LA E RIR DELA sem o conhecimento de quem foi Adão, na história (o primeiro homem), de quem foi Eva (a primeira mulher), de que sogra é a mãe da mulher ou do homem com quem se é casado e, ainda, de que ter sogra, em nossa cultura, é algo ruim. UFA!!!
Esse simples exemplo (que não é um texto simples) nos mostra que a linguagem não é um código. Na piada, os sentidos foram veiculados, mesmo sem estarem codificados, entende? Conceber a língua como um código é assumir que o conteúdo semântico está integralmente explicitado por estruturas sintáticas (Coudry & Possenti, 1993), o que não é verdade. Mas isso é um papo para depois, ok!? Continuemos na charge…
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Gripe Suína e terapia de linguagem

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Olhar para uma charge como essa e rir parece ser algo tão simples, óbvio nos últimos dias, não é mesmo? Só parece, pois, conforme já dissemos outras vezes aqui, para interpretar uma charge precisamos mobilizar diversos conhecimentos que não estão explícitos no texto (na charge).

Muitas vezes, algo que fazemos com tanta rapidez, como atribuir sentido a essa charge e rir dela, pode se tornar difícil para pessoas que sofreram um AVC – Acidente Vascular Cerebral – (derrame), que tenha comprometido o nível semântico da linguagem, por exemplo (alterações chamadas de afasias).

Por isso, charges podem ser materiais preciosos na avaliação de linguagem de pessoas que sofreram um AVC. Não somente para avaliação, mas também para terapia com afásicos*.

*Em linhas gerais, afásicos são aqueles com alterações de linguagem em decorrência de uma lesão cerebral.

Se você é fonoaudiólogo e trabalha com afásicos, fica aqui a minha sugestão de material a ser utilizado. Além disso, fica também o convite para que você nos conte como foi trabalhar com charges nas sessões terapêuticas.

A língua não é um espelho da realidade!

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Há um monte de gente buscando uma relação direta entre as palavras e os objetos no mundo; pensam que a palavra deve (ou deveria) representar o mundo, como um espelho. Por não poder ser esse espelho da realidade, muitos dizem ser a língua imperfeita. Sem comentários…
Pois digo: por tal “imperfeição” (como dizem alguns) é que podemos interpretar, por exemplo, expressões idiomáticas como “chá de cadeira”, piadas, charges etc.

Que razão teria a existência da charge aqui apresentada se não pudéssemos conhecer o sentido de certa expressão e sua relação com o que foi recentemente noticiado na imprensa?

A propósito, você consegue explicar o sentido da charge?

Para aprender a interpretar charges

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

Interpretar é também mobilizar saberes/conhecimentos que não estão explicitados no texto; é relacionar o que está escrito no texto (e não escrito) com o conhecimento que você, leitor, tem de mundo.

Um desafio para você exercitar a interpretação:

Veja essa charge e responda: Há alguns conhecimentos que mobilizamos para que a interpretação dessa charge seja possível. Quais são eles?

Charge de M. Jacobsen

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Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br