Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

A palavra não é “coisa”

Acabo de assistir a um vídeo no YouTube sobre “dicas para a redação”, ministrado por uma conhecida professora entre os ‘concurseiros’. Eu teria muitos aspectos a comentar aqui no blog, mas, pelo horário (21h44), vou escolher somente um. E escolhi escrever de uma forma um pouco poética hoje.

 

Há certo desconforto… tento descobrir onde está…

Até mestres falam de ti como se diz “passe o sal”

Longa distância separa o criador de sua criação

Cadê o envolvimento com as palavras? Só vejo a indiferença… Escrever, para muitos, virou mera questão de estratégia… de resultado…

Manipula-se a palavra como uma criança que dobra um lençol, como se pega uma chave que caiu no chão, como se atende o interfone.

Mas a palavra não é coisa!

Se o texto escrito pudesse falar com alguns de seus criadores, talvez dissesse em bom tom e sorrindo: “Olá! Qual é mesmo o seu nome”?

Não é assim que se aprende a escrever

Sem qualquer constrangimento ou polidez, leitores, digo que uma pessoa que deseja escrever melhor pode comprar gato por lebre; pode achar que está contratando um serviço (até de um professor ‘famoso’) que o habilitará a escrever excelentes dissertações quando, na verdade, está comprando o que não precisava e que em nada (ou quase nada) o ajudará.

Apenas fazer algumas marcações no texto do aluno e comentar algo como “argumentação fraca”, “melhorar o desenvolvimento”, “organizar melhor as ideias” não é suficiente para alguém mudar sua escrita e aprender. Como fortalecer a argumentação? Quais raciocínios e conteúdos deverão ser mobilizados? Como relacionar o tema com outros saberes a fim de criar argumentos consistentes? Aliás, não basta responder “quais” e “como”? O bom professor, além disso, interage com o aluno a ponto de fazê-lo trilhar o caminho, descobrir o processo, criar, desenvolver, pensar e refletir.

Aprende-se a escrever escrevendo, mas com orientação e direcionamento adequados.

Dissertação sobre ARTE no TRE????

por Carla Queiroz Pereira em Temas de redação

Olá, queridos!

É certo que a tendência dos concursos para o TRE é cobrar temas dissertativos que têm relação com o cargo e o órgão. Mas nem sempre isso ocorre. No último concurso para o TRE-RR, ocorrido em 2015, a banca FCC, nos cargos de AJAA e AJAJ, cobrou o seguinte tema:

A CRIAÇÃO ARTÍSTICA ENTRE REPRESENTAÇÃO E INTERVENÇÃO CULTURAL

Segue o link da prova com o enunciado completo:

https://arquivo.pciconcursos.com.br/provas/22007385/d3fd0006fe50/analista_jud_judiciaria.pdf

Por isso, minha sugestão é que escrevamos, sim, temas gerais relacionados a aspectos eleitorais e constitucionais (aproveite para ver alguns que sugeri aqui no blog), mas também outros que não têm qualquer relação com o cargo ou o órgão.

Vamos evitar surpresas e manter a segurança para escrever!!!

Tirando o cérebro da zona de conforto

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Quem estuda para concursos sabe que a preparação para as provas objetivas é bastante exaustiva e massante. Temos de ler, reler, revisar periodicamente, repetir… repetir… decorar… além de fazer centenas de exercícios de cada matéria. Chega uma hora que o candidato vai no automático, afinal ele quer mesmo é marcar o “X” no lugar certo. Não se exige, nesta primeira fase, e dependendo da matéria e da banca examinadora, muito raciocínio, reflexão ou argumentação (falo sobre a complexidade linguística das tarefas). Exige-se (e demais) capacidade de memorização de um conteúdo gigantesco e resiliência por parte do candidato, entre outras habilidades. Por isso, de certa forma (de certa forma!), o cérebro fica numa certa zona de conforto depois de um tempo de estudo, quando o candidato já se exercitou demais para a fase das provas objetivas.

Isso não ocorre quando o assunto passa a ser ELABORAÇÃO DE TEXTOS, ESCRITA DE REDAÇÕES! Meros conhecimentos decorados e reproduzidos já não serão suficientes ao candidato que pretende a aprovação. Pelo contrário! O candidato, numa atividade bem diferente daquela praticada na primeira fase da sua prova, precisará PENSAR, REFLETIR, PERGUNTAR-SE “POR QUÊ”, “COMO”, “PARA QUÊ”; deverá aprender a RELACIONAR conhecimentos e informações estanques, antes adquiridos só para marcar “X”. Aliás, vejo, durante as consultorias que presto, que uma das maiores dificuldades dos candidatos está no estabelecimento dessas relações, algo que aprendemos a fazer em nossos encontros. E assim vamos tirando o cérebro da zona de conforto…  E não acabou: deverá, ainda, selecionar o que é importante, colocar em ordem as informações, reler, reescrever, repensar…

É… escrever dá trabalho mesmo!  Mas é uma atividade INTELIGENTE, que TIRA O CÉREBRO DA ZONA DE CONFORTO, DO AUTOMÁTICO! Quem não quiser trabalhar e exercitar o cérebro, vai ter de buscar outra meta, não a de ser aprovado em um bom concurso público.

Bons estudos a todos! Beijo grande.

Prova do TRE-SP: como está a sua preparação para a escrita de bons textos?

Para quem aguarda ansiosamente o edital do TRE-SP, a escrita das redações deve ser inserida diligentemente na grade de estudos (e bem antes da publicação do referido edital). Escrever é uma atividade intelectual complexa (já disse isso aqui algumas vezes), nada mecânica, e que geralmente não acontece de maneira satisfatória com apenas 2 ou 3 meses de prática. Dependendo das dificuldades de escrita, são necessários, no mínimo, 6 meses de prática constante (escrita e reescrita), além de um bom professor para incisivamente “puxar” o raciocínio do candidato e fazê-lo pensar de maneira criativa (sem modelinhos engessadores) etc.

Nesse contexto, será interessante escrever temas variados. Como as provas do TRE têm muitos temas gerais associados ao cargo pretendido (e ao órgão), seguem aqui alguns para vocês!!!

Tema 01: INSTRUMENTOS DE PARTICIPAÇÃO PARA ALÉM DO VOTO

Tema 02: JUSTIÇA ELEITORAL COMO FORMA DE FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA

Tema 03: O VOTO E OUTRAS FORMAS DE PARTICPAÇÃO POPULAR PARA PROMOÇÃO DA JUSTIÇA

Tema 04: A CORRUPÇÃO ENFRAQUECE A DEMOCRACIA BRASILEIRA?

Interpretar para escrever

Nem sempre a interpretação de um enunciado de prova dissertativa se faz de maneira satisfatória, de modo a conduzir o candidato a uma escrita condizente com a proposta da banca. Atendendo e interagindo com dezenas de candidatos toda semana, noto ser muito comum a leitura realizada de forma esparsa, isolada, sem estabelecimento de relações de sentido entre as partes do texto. Por isso, queridos leitores, segue aqui uma orientação:

Um texto é um todo organizado de sentido, significando dizer que o sentido de uma parte depende do sentido das demais com que se relaciona. Sendo assim, não se pode fazer interpretação isolada das partes de um texto, afinal, todas elas terão uma relação de sentido lógica. Aplicando-se isso às provas da FCC, notem que, geralmente, o período que abre o texto do qual extrairemos o tema (refiro-me àquelas provas em que a banca não explicita o tema, optando por somente apresentar um texto a partir do qual escreveremos a redação) funcionará como “carro-chefe”, de modo que os demais períodos são lidos (ou devem ser lidos) sem nos esquecermos do sentido daquele primeiro. Lembre-se: um texto é um todo organizado de sentido e entre suas partes deve haver uma relação semântica, uma coesão. Os vários períodos que compõem um texto não são vários textos, mas partes de um único texto dotado de unidade de sentido!

Boas leituras e excelentes produções a todos! Beijo grande.

Aproveitando os conhecimentos da área trabalhista para escrever dissertações

por Carla Queiroz Pereira em Temas de redação

Trabalhar, para muitos, tem o significado de prazer e certa diversão; para outros, ao contrário, o trabalho representa uma atividade penosa, um castigo; há, ainda, um grupo que entende ser o trabalho ora sinal de satisfação, ora indicativo de tédio e repetição.

Considerando o texto acima meramente como motivador, disserte sobre o seguinte tema:

O TRABALHADOR E A EMOÇÃO EM SEU AMBIENTE DE TRABALHO NA ATUALIDADE

Que não faltem palavras!

Não por acaso me acho nas palavras e sou achada por elas, nelas. Também me perco muitas vezes, claro. Quando achamos que estamos no domínio das palavras ou em qualquer situação de conforto, elas nos dão uma rasteira enorme. Palavras mal comportadas, palavras bem vestidas, palavras ingratas, palavras polissêmicas, palavras amordaçadas, palavras febris, palavras abreviadas, palavras apreciadas, palavras erradas, palavras cortadas, palavras bem humoradas, palavras desconhecidas: é o sabor das palavras. Falte qualquer coisa, mas não PALAVRAS! A mim, que de tanto falar “palavras”, já quase estranha o som “palavras”. Qual é a voz da sua palavra?

É possível, sim, aumentar a nota após RECURSOS !

Saiu agora há pouco o resultado final do TRT-8ª – após a análise dos recursos pela banca CESPE – e acabo de receber a seguinte mensagem em meu whatssapp: “Carla, querida. Te liguei para agradecer pelo seu recurso. Vc é 10! Aumentou 5 pontos a minha nota na discursiva. E parece que vou subir bastante minha colocação”. Muitíssimo obrigada, querida!”  De fato, este é um animador depoimento para incluirmos uma nova categoria no blog – “recursos: tentar ou não?”

Vivo falando que a luta em um concurso público só termina com a posse, mas muitos candidatos não ouvem isso! Infelizmente, uma boa parte dos “concurseiros” tem receios ou objeções quando o assunto são recursos nas provas discursivas (geralmente técnicas, versando sobre um aspecto da matéria); consideram que a banca pode reduzir a nota (o que, na prática, sinceramente, NUNCA vi ocorrer em todos estes anos trabalhando na área) ou que o ato de recorrer em conteúdo de nada adiantará, já que se trata de avaliação do conhecimento técnico-jurídico. E por que devemos tentar os recursos? Por três razões básicas, pelo menos: a) a banca errou de fato (isso acontece e muito!); b) comparando a lei com o espelho de respostas e o texto produzido pelo candidato, notamos que nem sempre a banca é razoável na correção; c) o concurso não terminou e nossa colocação pode mudar (e muito) após o período dos recursos.

Obviamente, não escrevo um recurso quando o julgo não ser cabível, já que é impossível argumentar bem sem parâmetros para isso. Mas, quando cabe (e essa análise eu faço questão de discutir com o candidato que me procura), defendo veementemente  o ingresso! A vida e o futuro estão em jogo!

Graças a Deus, o depoimento da minha aluna Joana, de Brasília, vem para provar que o recurso foi lido e bem aceito!

Parabéns, Joana!

Do TRT para as Procuradorias: esclarecendo meu momento

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos leitores!

Após eu ter concluído o curso de Direito, muitos clientes me perguntam se prestarei algum concurso da área jurídica e se continuarei trabalhando com as consultorias em linguagem. Então resolvi registrar a resposta aqui no blog!

Há alguns meses, além de trabalhar, voltei a estudar a fim de me preparar, sim, para alguns concursos. Comecei estudando para os TRT’s, mas RESOLVI MUDAR A ROTA COMPLETAMENTE. Na verdade, sempre que sentava para estudar para os TRT’s sentia um desconforto e uma intranquilidade cujos motivos não sei explicar bem (acredito que cada um de nós tem perfil e talento para fazer algumas coisas e não outras); independentemente disso, também sempre tive em mente que o importante era estudar… estudar… uma hora, o alvo a ser perseguido ficaria mais claro. E ficou! Prestei um concurso para Procurador Judicial de São Caetano do Sul-SP, cidade em que resido, e fiquei classificada em 25º. Se serei chamada ou não, impossível saber agora; mas essa experiência foi mais do que suficiente para eu ter certeza de que continuarei estudando e prestando SOMENTE PARA AS PROCURADORIAS (algumas estaduais e municipais). Há um caminho a ser trilhado ainda, mas com paz e tranquilidade.

Vale ressaltar que continuo e continuarei, se Deus quiser, trabalhando com a escrita e a interpretação; aliás, após a nomeação, tenho planos de colocar em prática várias ideias para ajudar meus clientes mais e mais (aulas em vídeo, questões de interpretação comentadas etc.)!!!

Beijo grande. Bora estudar um pouco mais agora!!!

 

 

Posts Recentes
Comentários Recentes
Quem escreve este blog
Falar para escrever
6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br