Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Resultados da busca

Compartilhando bons artigos

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

Estou preparando um curso para professores de Minas e não poderia deixar de compartilhar um dos artigos que li: “Quadrinhos para a Cidadania”, de Franciso Caruso, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas; professor do Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e Cristina Silveira, professora da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro e da rede municipal de ensino de Duque de Caxias – RJ.

Conforme consta no resumo apresentado pelos autores, o artigo “apresenta um método novo de trabalhar conceitos de ciências, saúde, história, sociologia, linguagem, entre outros, com jovens de escolas públicas de ensino médio do Rio de Janeiro, por meio de histórias em quadrinhos. O método baseia-se em pedagogia de inspiração bachelardiana, segundo a qual conhecimento científico e produção artística são integrados a partir do estímulo da criatividade. Mostra-se como ele é capaz de contribuir para o resgate da auto-estima do aluno e aumento de sua motivação nos estudos, e como, por intermédio do processo criativo e da valorização do espírito crítico, os jovens constroem sua cidadania, a partir de releituras e traduções de um novo mundo construído de ciências, de sonhos e de imagens, que se concretizam em tirinhas, algumas das quais ilustram o texto”.

quadrinhos-para-a-cidadania-artigo

Interpretação de tirinhas – Calvin !

por Carla Queiroz Pereira em Interpretação nas provas e fora delas

 

Fiz um convite à Elisângela Bassi, amiga, ex-colega do mestrado/Unicamp e profissional da área de Linguística e Fonoaudiologia. Queria muito que ela escrevesse no ”A Escrita nas Entrelinhas”. Ela aceitou! Que bom!!! Segue sua preciosa contribuição a todos aqueles que buscam aperfeiçoar a leitura e interpretação dos textos.   

 

Agradeço a Carla – querida e competente profissional – pelo convite para postar um texto interpretativo em seu blog.

Em razão dos últimos concursos, vestibulares e provas do Enem, escolhi interpretar uma tirinha em quadrinhos. A leitura interpretativa deste tipo de texto, assim como de charges, requer uma construção de sentidos que, para que ocorra, é necessário mobilizar alguns processos de significação, como a percepção da atualidade, a representação do mundo, a observação dos detalhes visuais e/ou linguísticos, a transformação de linguagem conotativa (sentido mais usual) em denotativa (sentido amplificado pelo contexto, pelos aspetos sócio-culturais etc). Em suma, usa-se o conhecimento da realidade e de processos linguísticos para ‘inverter’ ou ‘subverter’ produzindo, assim, sentidos alternativos a partir de situações extremas. 

Clique sobre a tirinha para melhor visualizá-la.

  

O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho de sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares. Ele optou por valorizar o desenho, mostrando todas as habilidades conquistadas para conseguir produzi-lo. O pai, no último quadrinho, reconhece o empenho do filho, utilizando-se de um conector de concessão (‘Ainda assim’), valorizando a importância de tudo aquilo. Contudo, afirma que não pagaria o valor pedido (como se dissesse: “sim, filho, foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”).

A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso “maduro” em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e motor nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois, ficar claro para nós, leitores, que toda a força argumentativa foi em prol da cobrança pelo desenho que ele mesmo fez. Em outras palavras, o personagem empenha-se na construção de um raciocínio em prol de uma finalidade absurda – o que nos faz sorrir no último quadrinho, já que é somente nele que conseguimos ‘completar’ o sentido. Claro, se você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que ele tem apenas 6 anos, o que torna tudo ainda mais hilário, mas a falta deste conhecimento não prejudica em nada a interpretação textual.  

http://www.artesanatotextual.blogspot.com/

elisbassi@gmail.com

Publicamos aqui a sua sugestão!!!

Acabei de receber essa charge e não poderia, é claro, deixar de inseri-la aqui!

Puxa… quanta informação… quantos conhecimentos mobilizamos na interpretação dessa charge! Fantástico observarmos como nas charges, de uma maneira geral, vemos pouco texto escrito (digo isso porque em Lingüística há o texto oral também) e todo o processo de interpretação sendo mobilizado a partir de nosso conhecimento prévio!

Mas será que daqui a alguns meses ou anos, essa mesma charge fará sentido para a maioria de nós? Se quiser responder e explicar o porquê, seu comentário será bem-vindo e respondido.
Aproveitando… gostaria de sugerir o seguinte: se você tem algum material que julga ser interessante do ponto de vista da linguagem, por favor, não deixe de enviá-lo.

Pode ser uma charge, piada, folder de propaganda, tirinhas, questões de provas etc.

Obrigada, Josias, pela charge enviada!

obs: gostaria muito de poder informar a fonte dessa charge, o que é meu dever, inclusive. Mas, infelizmente, a pessoa que a enviou não soube me dizer de que site foi retirada, pois também não foi informado disso ao recebê-la de um colega de trabalho. Coisas da internet…

Charges & Interpretação

Lendo o título deste post você pode questionar : “Mas o que as charges têm a ver com interpretação de textos? Tudo a ver. Se você achava que não, aqui vai a primeira questão:

1. O que você entende da charge abaixo? 

Maioridade Penal 
Fonte: Jornal Folha de São Paulo – 12/02/2007

E uma segunda questão:

2. Como foi possível compreendê-la?

Os textos têm a propriedade intrínseca de se constituir a partir de outros textos. Por isso, todos eles são atravessados, ocupados, habitados pelo discurso do outro. Essa charge, por exemplo, só pode ser compreendida se você conhece o discurso de que a redução da maioridade penal garantiria maior paz e segurança aos brasileiros (conhecimento de mundo). Contrário a esse tipo de concepção, o autor da charge mostra que a redução pura e simples da maioridade penal para adolescentes infratores não é suficiente para diminuir a quantidade de crimes cometidos e, conseqüentemente, o número de infratores nos presídios.  

Fique de olho: charges, piadas, propagandas e tirinhas são cada vez mais freqüentes em provas de concursos. As bancas examinadoras querem saber justamente isso: se você consegue identificar e analisar os fatores que mobilizaram um determinado sentido.

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Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br