Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

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Para profissionais que desejam aperfeiçoar sua escrita

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Para profissionais que desejam aperfeiçoar sua escrita, este pode ser um lugar para descobrirem que o escrever melhor não depende das regras gramaticais e/ou ortográficas que conseguem decorar. Escrever um bom texto é muito mais que isso!

Sendo assim, aqui conhecerão alguns aspectos envolvidos na produção dos textos, as dificuldades enfrentadas por quem escreve (ou tenta escrever), as histórias de diferentes profissionais que se queixavam de sua escrita, a maneira como são conduzidas as consultorias prestadas, bem como as sensações de quem passou a escrever mais e melhor. Aaaaaaaaaaaa, poderão também refletir sobre a repercussão de bons (e maus) textos no mundo dos negócios. 

O valor da escrita versus dificuldades de quem escreve – Parte II

Às vezes pensamos que ter dificuldades para escrever é algo que ocorre com poucas pessoas. Isso não é verdade. Minha vivência com profissionais de diversas áreas mostra que não! E as dificuldades dos escreventes não são somente aquelas citadas na parte I deste post. Veja mais algumas:

 dificuldades

  • Escrevem como se estivem conversando. É claro, há casos em que escrever dessa forma é completamente permitido. Tudo depende de o que escrevemos, para quem e com que finalidade. Se você escreve um e-mail para seu amigo e colega de trabalho contando como foi o final de semana, você escreverá de uma forma; se escreve um relatório para seu gerente relatando a visita a um cliente, a forma é outra. É uma questão de adequação.
  • Constroem um texto que mais parece uma junção de partes de outros textos. É o famoso ctrl C, ctrl V. Já que não conseguem escrever, copiam um pedacinho aqui… outro ali e pronto;
  • Usam pontuações inadequadas. Isso também é sério. Uma pontuação inadequada pode, entre outras coisas, dar um sentido diferente da intenção original.

 Essas são algumas dificuldades que repercutem diretamente no alcance dos objetivos dos profissionais, bem como na imagem que desejam construir no leitor de seus textos.

O valor da escrita versus dificuldades de quem escreve – Parte I

escrita

 

Sem dúvida alguma sabemos o valor da linguagem escrita nas relações pessoais e profissionais. Em todas as áreas do conhecimento, o uso dos textos para se estabelecer negociações, convencer o interlocutor a respeito de algo ou simplesmente para comunicar um fato, é uma prática constante. Apesar disso, não são raros os casos em que o escrevente encontra dificuldades para produzir bons textos. Por exemplo:

  • Sabem e falam o que querem escrever, mas não conseguem escrever o que sabem dizer; 
  • Utilizam períodos loooooooongos, comprometendo, assim, o sentido daquilo que escrevem. É o famoso “uma coisa puxa a outra… que puxa a outra… a outra”;
  • Não dão coesão ao texto. A impressão, quando lemos, é que uma parte não se relaciona com a outra;
  • Não expõem com clareza o conteúdo, de maneira a considerar seu leitor;
  • Escolhem palavras inadequadas à situação de uso…

 Essas são só algumas dificuldades. Existem muitas outras!

Os aspectos envolvidos na escrita de um bom texto

Apenas a correção gramatical e/ou ortográfica não leva o escrevente a produzir um bom texto. A escrita de bons textos envolve também a seleção das informações e sua organização, a escolha das palavras (adequação à situação), argumentação, coesão e coerência – que envolvem, entre outros conhecimentos, o uso de certos elementos lingüísticos que estão diretamente ligados à clareza e à percepção da diferença entre oralidade e escrita, ou seja, fazer-se entender através de um texto escrito, interagir com um interlocutor, quando esse não estiver face-a-face. Além desses, conforme já vimos no item “para você, o que é escrever bem?”, é necessário considerar para quem e como se escreve. Depois iremos detalhar esses itens um pouco mais e com exemplos reais.

É possível perder oportunidades por causa da escrita?

Há bons profissionais – com bons produtos e serviços – que perdem negócios em função de suas dificuldades para escrever, e escrever determinado tipo de texto, como é o caso do microempresário VJ:

Deixei de participar de uma licitação da Petrobrás porque não consigo escrever bem, muito menos escrever um projeto do jeito que eles queriam”.

Há também aqueles profissionais que somente percebem a inadequação de seus textos após uma intervenção lingüística, como é o caso da engenheira TF que disse:

Eu achava que escrevia bem”.

Escrita & Negócios

por Carla Queiroz Pereira em Vida Profissional & Linguagem

Escrita e Imagem da Empresa 

Um texto bem escrito transmite seriedade e confere credibilidade à empresa. Quando um cliente lê um bom texto da empresa para a qual pretende solicitar um serviço ou produto, dá credibilidade ao que a empresa diz sobre ela e seus serviços; tem a sensação de que será bem atendido e ficará satisfeito. Enfim, tem uma boa imagem da empresa.

Mas o contrário também é verdadeiro. As empresas comprometem sua imagem e perdem negócios ao elaborarem um e-mail, projeto, relatórios e materiais para treinamentos (apostilas, por exemplo) com textos escritos de forma inadequada. Não raras vezes até levam prejuízos. E sobre qual inadequação estamos falando?

  

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 Aquela em que um bom leitor/escritor sente um desconforto ao ler o texto… Ele não consegue entender bem o que o autor do texto quis dizer, observa que a organização das informações ou a estrutura da frase está ruim, que o vocabulário do autor é limitado ou inadequado ao tipo de texto, entre outros. Tudo isso, sem contar, ainda, os famosos erros ortográficos e/ou gramaticais. Portanto, o modo de dizer/escrever algo confere maior ou menor confiabilidade àquilo que se diz.

Diante de um texto escrito de maneira descuidada, o cliente passa a desacreditar no que está lendo e logo pensa: “bom, se não são cuidadosos na escrita do material que produzem, como posso crer que o serão na prestação dos serviços?”

“Hoje me surpreendo com o que coloco no papel”

Hoje eu leio um texto de um colega e percebo que ele está ruim. Realmente, saber escrever é muito gostoso. O escrever dá uma sensação de liberdade e é divertido. É impressionante. Hoje me surpreendo com o que coloco no papel” (TF, engenheira).

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Falar para escrever
6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br