Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Arquivo da categoria Redação, produção de textos

Amplie seu universo de conhecimentos!

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

Algumas sugestões e orientações para, por meio das leituras, desenvolvermos textos mais ricos de conteúdo, menos expositivos e mais reflexivos, mantendo a diversidade de informações:

1. Segue um textinho interessante para você; é baseado nas ideias de Noam Chomsky, um linguista bastante conhecido e que escreve sobre a sociedade atual, refletindo e criticando.

http://macondoresiste.wordpress.com/2012/03/06/noam-chomsky-dez-formas-distintas-de-manipulacao-midiatica/

2. Procure outros textos de Chomsky, ok!?

3. Busque também textos deste sociólogo: Zygmunt Bauman. O autor escreve sobre a fluidez dos vínculos na sociedade contemporânea e outras questões relevantes sobre relacionamentos.

4. Não deixe de assistir a vídeos e ler textos desta filósofa, professora da USP: Marilena Chauí.

5. Você também encontrará temas e debates muito interessantes no programa ”Café Filosófico” (da TV Cultura); certamente estão disponíveis na internet também.

6. Este site eu já indiquei aqui no blog, creio eu: www.comciencia.com.br. Nele você encontrará temas de interesse geral e com aprofundamento; são consistentes, escritos por pesquisadores.

7. Este é um outro site bem bacana; também costumo indicar aos clientes que atendo: http://reporterbrasil.org.br/

8. O programa Roda Viva, da TV Cultura, também é riquíssimo!

9. http://blogdaboitempo.com.br/, sugerido por uma candidata ao TRT.

Bem, as fontes são inesgotáveis! Faça uma leitura da vida… e dos textos! Se você tiver uma mente inquieta (no bom sentido da palavra), certamente as questões sociais, políticas, culturais etc. serão intrigantes também ao seu pensamento! Tudo é um exercício! Pratique pensar cada vez mais!

“Necessidades”: basta uma palavra para pensar!

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

Li agora há pouco sobre o conceito de sustentabilidade e fiquei pensando sobre ele…

Conceito: “O desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras, preservando o meio ambiente”.

Só o conceito já é uma mola propulsora para a reflexão/problematização. Por quê? Fiquei pensando isto:
Se desenvolvimento sustentável engloba o suprimento de necessidades da geração atual, a primeira questão que se coloca é relativa às necessidades. Ora, numa sociedade voltada para o consumo exacerbado, o necessário não é somente o indispensável para a sobrevivência, mas é também o que o mercado capitalista impõe como produto necessário. Portanto, viver numa sociedade conformada e formatada para o consumo é incompatível com a ideia de sustentabilidade. Seria indispensável, assim, uma mudança que mexesse com o próprio sistema econômico que rege o mundo.

Escrevi este post a fim de mostrar, mais uma vez, que é possível problematizarmos, refletirmos. Dá mais trabalho, sem dúvida, mas é prazeroso, além de trazer resultados efetivos!

Aprendendo a problematizar, refletir criticamente…

Eu havia mencionado a necessidade de problematizarmos a questão posta no tema, correto? Bem, tal problematização tem estreita relação com a perspectiva adotada no tema, reflexão crítica etc., itens apontados no aspecto “conteúdo” (edital), ao qual são atribuídos 40 pts pela banca FCC em suas provas dissertativas.

Mesmo quando o tema aparenta apresentar algo mais descritivo/informativo (“Causas e efeitos do trabalho informal”, por exemplo), o que se espera do candidato não é a mera apresentação das possíveis causas e efeitos; é necessário discutir o que é trazido como causa e efeito, aplicar a algum contexto, refletir, problematizar.

Para exemplificar, veja um trechinho de um texto cujo tema era “Formação de Centros Urbanos Sustentáveis no século XXI” (TRT-GO – Técnico):

(Esta parte do texto foi escrita após parágrafo que apresentava possíveis medidas sustentáveis, ok!?)

Embora sejam tantas as medidas sustentáveis, sua aplicação não se mostra tão simples. Não é razoável, por exemplo, a criação de ciclovias nas grandes capitais, se não há, concomitantemente, segurança suficiente ao ciclista, já que as ciclovias geralmente estão bem próximas das faixas destinadas aos veículos. Da mesma forma, é inútil pensar em criação de jardins verticais, aproveitando os prédios edificados, se centenas de metros quadrados de pequenos parques cedem espaço para a especulação imobiliária, sem a intervenção direta do Estado“.

Espero ter elucidado um pouco mais sobre o que se espera de um texto dissertativo!

Para quem quiser pensar…

Amo interagir com clientes comprometidos, conscientes e educados! É especialmente para estes que escrevo! Segue aqui mais uma orientação, tendo em vista o que tenho observado em algumas redações de outros candidatos.

É muito comum, em determinados temas, a prevalência de uma redação que se assemelha mais a uma descrição, não a uma dissertação. O candidato, nestes casos, passa, por exemplo, a apresentar as soluções para determinados problemas e os seus efeitos/ganhos, como vi em uma redação exigida no cargo para técnico do TRT-GO (Tema: Formação de Centros Urbanos Sustentáveis no Século XXI). Ao escrever sobre tal tema, uma candidata fez a exposição de como seria um centro urbano sustentável e, em seguida, apresentou os ganhos disso. Mas será que isso basta em uma dissertação? Não, não basta! É muito pouco, além de esse tipo de texto ter mais uma aparência descritiva do que dissertativa!!!

CUIDADO! O que se espera do candidato é muito mais do que isso! Espera-se que ele problematize a questão (veja que a banca solicitou o seguinte: “DISCUTA a formação [...]“), que ele reflita sobre a questão posta pela banca, que ele demonstre a complexidade do problema (ele poderia aplicar, por exemplo, o parágrafo da descrição de um ambiente sustentável à realidade brasileira, considerando os centros urbanos já populosos, a exemplo das grandes capitais). Se o candidato fizer isso, já saiu da mera descrição; passou a dissertar e aumentou suas chances de obter uma boa nota de conteúdo (sabe-se que, geralmente, a banca faz esta distribuição de pontos: 40 para o conteúdo, 30 para a estrutura e 30 para a expressão). É bom, então, considerarmos o que é discutir, refletir, pensar, problematizar…

Sendo assim, cabe mencionar novamente aquilo que você ouve frequentemente em nossas aulas: é necessário disposição para pensar, para relacionar fatos, para ler e reler, considerar o que leu, reescrever e, não raramente, para sofrer.

Segue também o tema para quem quiser pensar:

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Provas com temas específicos: alguns cuidados

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

Em provas com temas específicos/jurídicos, os candidatos a concursos públicos precisam tomar alguns cuidados:

1.  Se o edital previu tema jurídico, a banca irá exigir a exposição, obviamente, de conhecimento técnico-jurídico, ainda que o tema tenha repercussão geral. Se o tema é técnico-jurídico, é importante a apresentação de dispositivos legais, doutrina e jurisprudência (súmulas dos tribunais etc.); a fundamentação teórica é crucial para uma boa nota de conteúdo! Na última prova do TST, por exemplo, o tema abordava a questão da greve do servidor público. A banca pedia: “Disserte a respeito do assunto abordado nas notícias acima transcritas, com base na disciplina da matéria na Constituição da República e sua regulamentação”.  A banca não delimitou o tema, não explicitou os aspectos que deveriam ser abordados; ela simplesmente esperava que o candidato trouxesse , em termos jurídicos, o que era mais relevante sobre o tema. E cobrou por isso! Atribuiu 70 pontos para o quesito “conteúdo”, deixando somente 15 para estrutura e 15 para expressão, ALGO QUE CAUSOU SURPRESA NOS CANDIDATOS QUANDO RECEBERAM SUAS PROVAS CORRIGIDAS, EMBORA ESSA DISTRIBUIÇÃO DE PONTOS ESTIVESSE PREVISTA NO EDITAL!!!

2. Pela leitura do item anterior, caro candidato, nota-se que a leitura do edital, ainda que você já tenha feito dezenas de concursos da mesma banca examinadora, É IMPRESCINDÍVEL. Geralmente há diferenças entre um e outro certame.

3.  Em temas técnicos, candidato, você pode abrir a dissertação de forma a aproveitar o primeiro parágrafo já para começar a responder o que a banca pediu. Não significa que responderá, abruptamente, ao que foi perguntado, mas já aproveitará o primeiro parágrafo para isso também.

4. O espaço de 30 linhas costuma ser reduzido para a exposição de tantos conhecimentos jurídicos. Portanto, “calcule” bem o número de linhas para cada item a ser explicado; selecione bem as informações a serem expostas.

Bem, outras orientações virão!

 

Sobre a resposta aos e-mails recebidos nas últimas semanas

Olá, pessoal!

Recebi muuuuuuiiiiiiiitos e-mails nestas duas últimas semanas; agradeço pelo contato e confiança.

Tendo em vista esse volume, peço um pouquinho de paciência quanto às respostas.  Já respondi uma parte e continuo, agora na noite de sábado, respondendo…

Grande abraço a todos!

Carla.

Você já é um concurseiro pipoca?

Há muita gente por aí prometendo o que é praticamente impossível, pelo menos em termos linguísticos ou cerebrais: a escrita de uma boa dissertação em 3 0u 4 aulas, com alguns poucos textos corrigidos (eu até poderia escrever ‘textos corrigidos’ entre aspas). Tem gente que até consegue prometer, a partir de um suposto texto modelo/padrão, a escrita de uma dissertação digna de uma nota 9,0, 9,5 ou 10,0. Com exceção daqueles casos em que o candidato já escrevia bem, aliás, muito bem, essa parece ser, sinceramente, uma promessa furada. O pior é que tem gente pagando caro por isso.

Entendo, claro, o desespero do candidato e a sua busca por soluções rápidas… até entendo. Mas também percebo que a solução, de fato, para um problema, seja ele qual for, não é fruto de fórmulas mágicas e pequeno labor. Não! As soluções vêm de muito trabalho, reflexão, raciocínio, oração (sim, oração) e, não raras vezes, uma boa dose de sofrimento. Isso é, sem dúvida, aplicável à escrita de bons textos.  Escrever é um trabalho intelectual; requer análise, associações, relações, pensamento; exige leitura, conhecimento, reescrita, releitura, interlocução. Bem, se alguém disser que tudo isso se adquire facilmente…

A história daqueles que obtiveram boas notas nas provas dissertativas certamente é esta: muito labor e sofrimento! Sofrimento necessário, que redundou em aprovação; sofrimento como o da pipoca, que deixou de ser piruá por ter passado pelo fogo (acabo de me lembrar de um texto de Rubem Alves). E você, ‘concurseiro’, quer ser uma pipoca ou um piruá? O autor nos encoraja a ser pipoca!

Milho de Pipoca – Rubem Alves

 “Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.

São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de
repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser o fogo de More

Aos que prestarão TRT-PR no próximo domingo!

por Carla Queiroz Pereira em Redação, produção de textos

Olá, queridos clientes e não clientes!

Considerando que o concurso para o TRT-PR está próximo, gostaria de reforçar parte do que tenho enfatizado durante os atendimentos (aulas on-line/skype). Please, não esqueçam!

1. Muito cuidado ao interpretar o enunciado! Não vá atribuindo sentido pela leitura isolada de uma ou outra parte do texto; atribua o sentido de uma parte, mas na sua relação com as demais (sobre isso, veja os posts anteriores). Lembre-se disso: o sentido de uma parte do texto depende das demais com que se relaciona!!! Logo, se uma parte do enunciado estiver meio ‘obscura’ ou de difícil entendimento, prossiga na leitura;

2. Ao assumir um ponto de vista sobre o tema proposto, pergunte-se: como vou convencer o meu leitor/examinador a respeito do ponto de vista assumido? Quais argumentos vou usar para provar/demonstrar?

3. Antes de começar a escrever, pessoal, reflita um pouquinho sobre o tema e o ponto de vista assumido; traga seus conhecimentos prévios, suas experiências de vida  e tudo o que possa servir para destrinchar o assunto a ser discorrido;

4. Gaste mais tempo e mais linhas no desenvolvimento; separe poucas linhas para a introdução e conclusão;

5. Durante a escrita do desenvolvimento, por favor, volte ao tema e reveja o que a banca quer saber de você; reveja também a opinião assumida na introdução.

Outras “dicas” estão em outro post:

http://aescritanasentrelinhas.com.br/2011/01/04/dicas-para-sua-prova-dissertativa/#more-1073

UMA EXCELENTE PROVA A TODOS! DE CORAÇÃO!!!

 

 

Nova Ortografia: obrigação só em 2016 !

DECRETO Nº 7.875, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012

Altera o Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição,

DECRETA:

Art. 1o O Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 2o ………………………………………………………………

Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2015, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida.” (NR)

Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 27 de dezembro de 2012; 191º da Independência e 124º da República.

DILMA ROUSSEFF
Ruy Nunes Pinto Nogueira

Cumprindo promessas

Continuando o post anterior…
Nunca sugiro desprezar o texto motivador como se ele não servisse para a escrita da dissertação. Aliás, não raras vezes, é por meio dele que compreendemos o caminho a ser percorrido durante a escrita e atribuímos sentido a determinadas palavras ou expressões presentes no tema. No caso do enunciado da prova do TRT da 4ª Região/2011, por exemplo, exposto no post anterior, o texto motivador ali estava por qual razão? Ora, se lermos o tema – “os órgãos de imprensa apenas espelham a realidade” -, perceberemos que o texto motivador estava ali também (depois explico o motivo do “também”) para que pudéssemos relacioná-los. Como? Bem, se o candidato assumisse que os órgãos de imprensa não somente espelham a realidade, mas também a deturpam, constroem etc., a relação seria a seguinte: os órgãos de imprensa se utilizam da liberdade garantida constitucionalmente para não apenas espelhar a realidade, mas também alterá-la, construí-la etc.

Embora o texto motivador tenha a sua utilidade, VALE UM ALERTA! Dizer que o texto motivador não deve ser desprezado não significa afirmar que ele sempre nos será plenamente útil ou que toda a ideia contida no tema está também nele. Prova disso é o fato de a banca ter, no texto motivador da prova do post anterior, induzido o candidato a pensar que o tema era “liberdade de imprensa” (já vimos que não era!). Aliás, nesse concurso, muitos candidatos fugiram do tema, pois leram mal o enunciado, guiando-se somente pelo texto motivador. Eis, portanto, a segunda utilidade do texto motivador: induzir o candidato ao erro.

Cumprida a promessa de continuar o post anterior!!! Ufa!

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6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br