Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Arquivo da categoria Sensações de quem lê ou escreve: prazer ou angústia?

Música clássica e letras

Há barulho lá fora… as cidades se tornaram ruídos perturbadores…

Há livros aqui dentro… letras… Letras nas paredes, nas mesas, na minha mente… Folheio os livros e vejo meus grifos… datas… Releio meu blog…

Acho que todos poderiam escrever, pois, como disse Fernando Pessoa, “escrevo para salvar a alma”.

Mas é certo que nem todas as letras (escritas ou lidas) nos salvam… Agora mesmo estou lendo um livro sobre Direito do Trabalho; talvez, se não fosse tão doutrinário, eu também não seria impulsionada a estar aqui novamente… Ok… aprendendo a resiliência…

E as más letras também me levam às músicas… For Elise (Beethoven)… Bolero (Ravel)… Gymnopedies (Satie)… Pavanne Op.50 (Faure)…

Cessaram-se os ruídos externos…

Ele sofria de incontinência verbal…

Não posso me conter! E escrever é um jeito de eu atender a um clamor interno…

Sentir-me sempre VIVA é o que me energiza! E, graças a Deus, sempre busco viver de fato! Obviamente, às vezes falta aquilo que nos dá energia… Mas estou aqui para dizer que nada me energiza tanto como o fato de CONHECER PESSOAS E ME DEIXAR SER CONHECIDA. Voando de Porto Alegre para São Paulo, conheci o Willian, um daqueles jovens raros nos dias atuais; sim, raros, pois ele também gosta de pessoas. Com apenas 18 anos de idade, o estudante do curso de Hotelaria da Universidade Federal de Pelotas-RS falou de sua cidade, seu estado, seus sonhos, seu curso, seus colegas, sua necessidade de interagir e de sair do pequeno mundo do whatsapp e facebook, suas reflexões sobre o comportamento das pessoas; conversamos sobre lugares, gastronomia, futuro, vida profissional, Deus, psiquê humana…

O que mais me impressionou foi sentir que Willian realmente estava ali… envolvido; ele queria saber, conhecer… conhecer… Estávamos felizes por, de forma singela, poder falar e ouvir, penetrar no mundo desconhecido um do outro… Que bacana! E ele revelou sua necessidade de conhecer pessoas e conversar com elas: “Carla, eu, antes de pegar este voo, fiquei pensando que poderia me sentar ao lado de alguém que gostasse de conversar… meus colegas de faculdade dizem que sofro de incontinência verbal”.

Maravilhosa incontinência verbal, Willian! Não tem coisa pior, na minha experiência, estar em um país em que a língua me é desconhecida (viajar para a Argentina recentemente foi bom, mas não aguentava mais o silêncio… Eu queria as pessoas, mas não falo espanhol…).

O mundo tem carência de gente que sofre de incontinência verbal! Possamos nunca ser curados dessa incontinência kkkk.

Grande abraço, jovem Willian! Conhecê-lo me rejuvenesceu… me fez desejar ardentemente continuar vivendo com espírito vivo! Deus abençoe sua vida!!!

Que na volta de Curitiba para São Paulo, próxima viagem já agendada, outros que sofrem de incontinência verbal eu possa conhecer!!!

Uma necessidade que pulsa…

“Necessidade imperiosa” – o pessoal da área jurídica gosta dessa terminologia. Pensando bem, os graduados em Direito podiam gostar de escrever como gostam das terminologias menos comuns; apreciam o “português culto”, embora nem sempre saibam utilizar tais terminologias com adequação, por exemplo. Você, leitor, até me perguntará, talvez: “mas quem é da área jurídica não gosta de escrever”? Suspeito que não… não muito. Claro, depende (há, obviamente, aqueles pensadores do Direito). Mas como o curso de Direito não raras vezes tende para um tecnicismo exacerbado, o ato de escrever acaba se tornando assim também, sem graça, mecânico, automático; sem arte e sem brilho, a escrita perde o seu verdadeiro lugar!

Mas a escrita é essa ‘coisa’ que insiste… pulsa… repulsa… E aqui estou eu satisfazendo uma necessidade imperiosa…

Concursos públicos injustos

Quando uma banca examinadora de concursos públicos corrige mal os textos dissertativos dos candidatos, o resultado é este: quebra do princípio da igualdade, indispensável nos certames; injustiça!

Com toda sinceridade, considerando alguns textos dissertativos corrigidos pela banca FGV, lidos por mim, referentes ao concurso do TJ-BA,  posso afirmar que o examinador leu mal, analisou mal as dissertações, pois atribuiu diversas notas 10 que deveriam ter sido, no máximo, 7,5 ou 8,0. Ao fazer isso, o examinador acabou prejudicando o candidato que, de fato, estava bem preparado.

IRRESPONSABILIDADE TOTAL!

Não quero escrever mais nada agora…

Voltar…

Bom é isto: decidir de repente… ter planos incertos… voar e ler ao mesmo tempo… Qual livro estou lendo? Migo, de Darcy Ribeiro. Interessei-me por conhecer as obras deste intelectual (escritor, educador e político) ao assistir a uma matéria sobre o Golpe de 64, no canal Arte 1. Acredito que tal interesse se deve ao meu momento pós término do curso de Direito; tempo de voltar… de ler textos mais vivos e não um bando de códigos onde fecharam o Direito (“cemitérios de Direito”). Se fecharam, quero abrir!  É neste momento que me dou conta de que prosseguir é também voltar… se não faço essa volta, estou amarrada, presa. E aqui me encontro… escrevendo… voltando… lendo… respirando. Próxima oxigenada cerebral: História do Direito brasileiro, de César Trípoli (obviamente, não é um código, caro leitor). Não sei por que, mas voar dá uma vontade incrível de escrever; talvez seja por estarmos só nós três, isto é, eu, você e o computador.

Que ensinamento é este, meu Deus?

Muitos cursinhos por aí insistem em “ensinar” que se deve escrever frases curtas para se evitar os erros. Oh, my God! Não por acaso encontro tantos textos com uma coesão ruim e com erros de sintaxe de construção; são textos pobres em termos sintáticos e semânticos, muitas vezes.  Isso era o que ocorria com um cliente que passei a atender recentemente. Graças a Deus, e aproveitando a plasticidade do cérebro humano, bem como o funcionamento da linguagem, a realidade deste cliente mudou. Aliás, hoje, durante o nosso contato, ele me disse: “Carla, aquela orientação que você me deu [de que os períodos não necessariamente devem ser curtos] me desacorrentou”!

Uau… ele disse “me desacorrentou”. De fato, a depender do que se ensina sobre escrita, esta pode ser uma verdadeira prisão. Mas a palavra-chave em nossos contatos é LIBERDADE! Portanto, leitor, seja livre; você pode escrever períodos longos, curtos, curtíssimos, a depender de cada caso.

Escritor liberto!

Amei o que ouvi de uma cliente: “fiquei muito feliz com o atendimento, pois você tirou o gesso que existia em mim; você me fez ter de volta a autonomia e segurança para escrever”.

Nova versão das palavras para mim!

Palavras…

Costumo dizer que sou achada pelas palavras, encontrada nelas…

Mas às vezes nós encontramos certas palavras que estavam escondidas, que achávamos que haviam sido deletadas de nossos arquivos. E elas nos traem, dão uma rasteira em nós, mexem com nossos sentidos, memórias… e nos perdemos nelas como nos perdemos na primeira vez que as lemos e as escrevemos… Nova versão das palavras para mim! Palavras nas quais constantemente me acho, me perco, me acho, me perco novamente…

Pensou que precisaria só de vontade e motivação para alcançar seus objetivos?

Lembre-se de uma coisa: na vida da gente, DISCIPLINA, muitas vezes, passa a ser a palavra de ordem e o que realmente nos faz alcançar os objetivos; não são a vontade, o prazer e a motivação! É a disciplina!

Digo isso porque algumas pessoas que me procuram para trabalharmos a qualidade das produções textuais, mais precisamente candidatos a concursos públicos, embora tenham todo o potencial para escreverem textos excelentes, estão cansados, sem energia, resistentes à escrita e sem envolvimento com os textos que produzem.

Bem, pessoal, por mais que eu me empenhe com todo o conhecimento e dedicação, preciso da perseverança de vocês, do envolvimento, engajamento de cada um de vocês (aliás, não é maravilhoso isso? Interação… interação…). Por isso, vale repetir: a DISCIPLINA é o que nos leva a alcançar os objetivos! Não dependa de sua motivação ou vontade; simplesmente seja disciplinado. Vou aproveitar e contar-lhes uma experiência atual:

Como muitos sabem, comecei a fazer musculação… que vontade de falar uma palavra feia agora (rsrs)… melhor não! Já podem concluir que musculação não é a minha paixão. E não é mesmo! Admito isso, é melhor! Na verdade, eu gosto mesmo é de dançar (delícia). Não é fácil esse negócio de repetir… repetir… fazer um esforço físico fenomenal e sair de um treino ou outro achando que não vou conseguir… Mas abandonei de vez por todas as desculpas que inventamos para não malhar e estou “levantando peso”, afinal musculação traz um resultado e ganhos fenomenais (inclusive para quem quer praticar outra atividade física). E é por isso que estou perseverando. Saio da academia sentindo que meu corpo responde e aceita desafios cada vez maiores!

Que tal? Vamos suar? Minha massa muscular já está aumentando rsrs. E os seus textos? Pense que a melhora é passo a passo, aula após aula, escrita após escrita… FORÇA!!!

“Estou escrevendo no escuro”

Tenho a impressão, às vezes, de que não é a morte que insiste em matar, mas é o homem que insiste em morrer.

A vida insiste em viver…

Ajude-me, Deus, a insistir, viver!

 

Como dito no filme “O paciente inglês”, “a lâmpada se apagou e estou escrevendo no escuro”…

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Falar para escrever
6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br