Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Arquivo da categoria Sensações de quem lê ou escreve: prazer ou angústia?

Ah, Curitiba…

Não percorri todas as suas secretas e charmosas ruas

Mas saboreei a voz do seu silêncio – SP, quite, please

Quero rir de novo enquanto brincamos no Bosque Alemão, corremos no parque Barigui ou refletimos no alto do Tanguá

Cave Colinas de Pedra, quisera meu cerebelo ter sido um pouco tomado por ti (só um pouco)

Meus olhos estavam abertos para o Museu do Olho (MON), mas a pálpebra do olho do museu não me deixou vê-lo

Ah, Curitiba, quero você de novo! Agora, para ver a sua íris e deixar que seu olho penetre o meu…

E azul era a cor do teu céu nestes dias… Claro, afinal adoro ser surpreendida. Obrigada.

Ler um bom livro…

Ler um bom livro é assim: sentimos que marcamos um encontro com alguém especial. Bate aquela ansiedade… queremos que o dia passe logo até chegar a hora de vê-lo, tocá-lo novamente, saboreá-lo. E, quando, por alguma razão, precisamos deixá-lo e ir embora, fica aquele aperto, o desejo do próximo encontro.

Qual (não) é o meu lugar?

Sempre soube que certos espaços não são para mim…

Meu lugar é o MOVIMENTO…

Num quebra-cabeça, certas peças NUNCA serão encaixadas em determinados espaços, seja em função de suas formas, seja em razão de seus desenhos; uma peça mal encaixada sempre revelará outra peça que está faltando e que deveria ter sido inserida em outro lugar.

Só me vejo em movimento… transitando… pensando… E é este movimento que me faz voltar… voltar…

Voltamos para continuar indo… indo… indo… até que sejamos, lá na frente, impulsionados, talvez, a voltar novamente. O bom é que esta volta nunca é um retorno ao ponto zero! Alívio das tensões.

Se o meu lugar é o movimento, os espaços por onde transito são meras e, muitas vezes, importantes passagens, movimentos. O não lugar é a rigidez, a linearidade, a inércia.

Concurseiros que ficaram doentes…

Nunca me esqueço deste caso: LS era um jovem como qualquer outro; passeava, pegava uma praia, tinha tempo para namorar e ficar com amigos e parentes… Até que um dia ele resolveu estudar para concurso; decidiu que prestaria os TRT’s, cargo de Analista Judiciário, área Judiciária (AJAJ). Achou que deveria, para ser aprovado, somente estudar os 7 dias da semana. Já não mais dava a devida atenção para a namorada; não ia correr na praia com o pai, corrida que, segundo o candidato, proporcionava momentos maravilhosos de interação pai-filho; além disso, não mais separava tempo para jogar conversa fora com os amigos, visitar tios ou primos etc. Em menos de 1 ano o assunto se tornou somente um: concurso público! Nada mais importava tanto como estudar direito do trabalho, constitucional, administrativo e todos os outros direitos que conhecemos. E se passaram 2 anos da vida…

LS, auto-confiante e já bem preparado, prestou suas primeiras provas. Apesar de ter ido excelentemente bem nas objetivas, ficando nas primeiras colocações, ainda não havia dado a devida atenção para a redação – pensou, erroneamente, que, como ia bem em português (pelo menos nas provas objetivas), chegaria na prova e conseguiria escrever uma boa dissertação -, passando, assim, a desenvolver sintomas de alguém que já não estava tão bem psicologicamente. LS, com as frustrações normais que um concurseiro geralmente tem, passou a ficar extremamente ansioso, com medo (medo de escrever, medo de fazer o próximo concurso e ter mais frustração, medo de enfrentar os problemas) e, em seguida, deprimido. Já não mais era possível a LS sentar e estudar tranquilamente. Conclusão: teve de deixar tudo, parar com tudo e ir se tratar com um bom psiquiatra e um bom psicólogo. E LS foi se cuidar… dar, agora, ao seu corpo e à mente, a atenção que sempre precisaram.

Após este período de tratamento, LS envia um e-mail me dizendo que queria voltar a estudar e se preparar com afinco e seriedade para a redação. Mas LS estava diferente; afirmou, veementemente, que a vida tinha voltado ao equilíbrio e que não mais deixaria de fazer coisas importantes em prol unicamente dos estudos. Reconheceu que a vida precisava de atenção e cuidados!

Começamos a trabalhar sobre as dissertações, semana após semana, até a próxima prova: TRT-MG (Técnico). Mesmo com certo receio, LS, já saudável novamente, enfrentou o seu gigante e conseguiu dar o melhor de si. De volta à alegria de viver a vida, LS escreveu uma boa dissertação (aliás, escreveu um dos temas mais difíceis que já vi) e ficou em 19º lugar. Conclusão: já tomou posse nesse tribunal!

Queridos, cuidem da saúde, mental e física; observem e respeitem os sinais que o corpo carinhosamente lhes dá.

Se não cuidarmos da saúde, vamos ter de separar tempo depois para cuidar da doença, sem a garantia de que tudo voltará ao normal. LS teve um final feliz, mas que poderia ter sido, sem dúvida, menos traumático, com mais alegria e equilíbrio.

Momentos perdidos não voltam nunca mais…

Enfrentando o medo de escrever

Já atendi muitas pessoas que tinham pânico, pavor na hora de escrever; algumas já iniciavam o encontro pelo skype em lágrimas, verdade. Mas com muito diálogo, muita interação que trabalhasse a autoconfiança e maior segurança dessas pessoas foi possível mudar esse quadro. E, claro, tal mudança também ocorreu pelo enfrentamento da questão, ou seja, com muito trabalho de escrita e reescrita!

Portanto, caro leitor, não temas! Escreva! Veja o que preparei para você hoje:

Muitos brasileiros não são proprietários de um pequeno pedaço de terra, mas grandes empresários retiram do solo o que ele tem de melhor e produzem riquezas. Nesse sentido, o Estado do MS é conhecido também por sua extensa área voltada para a produção agrícola brasileira. Considerando esse texto meramente como motivador, disserte sobre o seguinte tema:
REFORMA AGRÁRIA E O PROBLEMA DA DISTRIBUIÇÃO DE TERRAS NO BRASIL

 

Entre uma lei e outra…

Quem estuda para concurso público, seja qual for, sabe quão árdua é esta tarefa; por essa razão é que necessitamos de pausas… de ‘coisas’ legais, interessantes e inteligentes para fazermos e, assim, sobrevivermos. Que tal uma leitura que você realmente queira fazer para relaxar e voltar a pensar livremente? No último sábado, passeando na Livraria da Vila, no bairro Moema, em São Paulo, relaxei! Fui para as prateleiras de livros como quem saboreia um bom café (aliás, o café desta livraria também é ótimo) e aguarda com grande expectativa o momento de ser achada por um bom livro! E lá estava ele, “As Palavras”, de Clarice Lispector:

“A palavra é na verdade um ideograma. É maravilhosamente difícil escrever em língua que ainda borbulha; que precisa mais do presente do que mesmo de uma tradição; em língua que, para ser trabalhada, exige que o escritor se trabalhe a si próprio”.

Bom dia a todos os meus leitores!

A palavra não é “coisa”

Acabo de assistir a um vídeo no YouTube sobre “dicas para a redação”, ministrado por uma conhecida professora entre os ‘concurseiros’. Eu teria muitos aspectos a comentar aqui no blog, mas, pelo horário (21h44), vou escolher somente um. E escolhi escrever de uma forma um pouco poética hoje.

 

Há certo desconforto… tento descobrir onde está…

Até mestres falam de ti como se diz “passe o sal”

Longa distância separa o criador de sua criação

Cadê o envolvimento com as palavras? Só vejo a indiferença… Escrever, para muitos, virou mera questão de estratégia… de resultado…

Manipula-se a palavra como uma criança que dobra um lençol, como se pega uma chave que caiu no chão, como se atende o interfone.

Mas a palavra não é coisa!

Se o texto escrito pudesse falar com alguns de seus criadores, talvez dissesse em bom tom e sorrindo: “Olá! Qual é mesmo o seu nome”?

Que não faltem palavras!

Não por acaso me acho nas palavras e sou achada por elas, nelas. Também me perco muitas vezes, claro. Quando achamos que estamos no domínio das palavras ou em qualquer situação de conforto, elas nos dão uma rasteira enorme. Palavras mal comportadas, palavras bem vestidas, palavras ingratas, palavras polissêmicas, palavras amordaçadas, palavras febris, palavras abreviadas, palavras apreciadas, palavras erradas, palavras cortadas, palavras bem humoradas, palavras desconhecidas: é o sabor das palavras. Falte qualquer coisa, mas não PALAVRAS! A mim, que de tanto falar “palavras”, já quase estranha o som “palavras”. Qual é a voz da sua palavra?

Viajar é fundamental

Em tempos de muito estudo e trabalho, se não viajo de uma maneira, viajo de outro! Sim, viajar é preciso… Viajar nas palavras, lidas ou ouvidas… viajar nos filmes… Embarquei, ontem, no filme “The secret life of bees” (A vida secreta das abelhas).

Não dá para não arejar o cérebro! Você precisa viajar, de um jeito ou de outro! Have a nice trip!

Música clássica e letras

Há barulho lá fora… as cidades se tornaram ruídos perturbadores…

Há livros aqui dentro… letras… Letras nas paredes, nas mesas, na minha mente… Folheio os livros e vejo meus grifos… datas… Releio meu blog…

Acho que todos poderiam escrever, pois, como disse Fernando Pessoa, “escrevo para salvar a alma”.

Mas é certo que nem todas as letras (escritas ou lidas) nos salvam… Agora mesmo estou lendo um livro sobre Direito do Trabalho; talvez, se não fosse tão doutrinário, eu também não seria impulsionada a estar aqui novamente… Ok… aprendendo a resiliência…

E as más letras também me levam às músicas… For Elise (Beethoven)… Bolero (Ravel)… Gymnopedies (Satie)… Pavanne Op.50 (Faure)…

Cessaram-se os ruídos externos…

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17 abril 2017
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
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Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Isadora Sampaio: Boa tarde professora Carla! Indicaram-me a senhora para fazer recurso de concurso....
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br