Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

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Nova Ortografia: obrigação só em 2016 !

DECRETO Nº 7.875, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012

Altera o Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição,

DECRETA:

Art. 1o O Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 2o ………………………………………………………………

Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2015, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida.” (NR)

Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 27 de dezembro de 2012; 191º da Independência e 124º da República.

DILMA ROUSSEFF
Ruy Nunes Pinto Nogueira

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

“Bonheure”

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

Felicidade = bonheure (em francês).

Quando se decompõe a palavra, tem-se (bon= boa, heure= hora) = bom acaso, bom encontro. Feliz acaso. Felicidade do acaso.

Os seres falantes, parletre (em francês = pela fala), loquente (ente que fala), falesser (falo com ser).

FALAR + SER. O loquente é feliz por natureza.

Compartilhando bons artigos

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

Estou preparando um curso para professores de Minas e não poderia deixar de compartilhar um dos artigos que li: “Quadrinhos para a Cidadania”, de Franciso Caruso, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas; professor do Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e Cristina Silveira, professora da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro e da rede municipal de ensino de Duque de Caxias – RJ.

Conforme consta no resumo apresentado pelos autores, o artigo “apresenta um método novo de trabalhar conceitos de ciências, saúde, história, sociologia, linguagem, entre outros, com jovens de escolas públicas de ensino médio do Rio de Janeiro, por meio de histórias em quadrinhos. O método baseia-se em pedagogia de inspiração bachelardiana, segundo a qual conhecimento científico e produção artística são integrados a partir do estímulo da criatividade. Mostra-se como ele é capaz de contribuir para o resgate da auto-estima do aluno e aumento de sua motivação nos estudos, e como, por intermédio do processo criativo e da valorização do espírito crítico, os jovens constroem sua cidadania, a partir de releituras e traduções de um novo mundo construído de ciências, de sonhos e de imagens, que se concretizam em tirinhas, algumas das quais ilustram o texto”.

quadrinhos-para-a-cidadania-artigo

“A mulher, kafka e a esfirra”

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa
Vejam o conto que recebi do professor Douglas Rodarte, professor de Língua Portuguesa:
A mulher, Kafka e a esfirra
O cheiro do café expresso caminhava lentamente no interior da livraria. Num sonoro e silencioso passar de folhas, entre muitos livros e revistas, logo na entrada, à esquerda guloseimas, cigarros, cachimbos, revistas de foto-novelas e uma serena mulher, baixa, olhos claros de mel, sentada de trás do balcão servindo-se de caixa registradora.


Um homem de bengala, acho que cego, pergunta por um tal “desconhecido” Ricardo Reis, outro pegava um livro que acabava de cair da estante que ficava próxima aos livros de romances e os de poemas. Uns velhinhos buscavam Paulo Coelho ou qualquer outro da linha. Precisavam urgentes.

Naquela hora, junto ao aromático café, um homem, cabisbaixo, silencioso, cabelos pretos, visto de costas, folheava sincronicamente, sob horas, as mesmas obras. Ao lado, um casal – pareciam amigos : cigarreta à mão, está comprando Augusto dos Anjos e observando a Folha de São Paulo; ela lança-lhe várias perguntas sobre família, sobre os semanários, as novas fofocas da cidade. Na verdade, conversaram, por meia hora.

Por um instante, naquele negrume diálogo, seu jornal cai, e dela, o saco de balas. Ainda se recompondo a compostura pergunta:
— Você gosta de Kafka?
Ela não titubeou e solta:
— Não, prefiro esfirra!
O homem da leitura, de costas, escuta, respira, levanta a cabeça e começa a devolver à estante O Processo, A Metamorfose e Carta ao Pai que levavam seu nome na capa. Estende e abana a mão à mulher do caixa e caminha lentamente para fora e senta-se no Café ao lado.

Extraído de Aqui, agora, quase, quando – contos. (no prelo)  DOUGLAS RODARTE – douglasrodarte@gmail.com

 

 

Falar bem: o que é isso?

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

Falar bem é uma preocupação de profissionais de diversas áreas. Assim, nada melhor que ver linguistas, educadores e fonoaudiólogos (somente os terapeutas com formação em linguística) falando sobre o tema. Por que tais profissionais? Se não se conhece a dinâmica do funcionamento da linguagem, sua complexidade, cairemos no erro de pensar que falar bem é somente uma questão estética ou falar “sem erros de português”. Não é por acaso que no mercado há tantos livrinhos do tipo “fale bem hoje”, “aprenda a falar em público”. Não raras vezes, esses não passam de meras receitas; não apresentam os recursos que habilitam os que desejam aperfeiçoar o falar em público, não ensinam os meios para alguém aprender a defender seus argumentos ou apresentar suas ideias com clareza.

 

 Vejamos um pedacinho da matéria “Desafio: falar em público”, publicada este mês na excelente revista Nova Escola, editora Abril:

“A língua oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates, seminários e depoimentos) [...]. Assim como não há um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de produção também para os gêneros do oral – em que se determinam quem é o público, o que será dito e como. (…) É necessário, portanto, ensinar a preparação de situações de comunicação oral com base num planejamento que requer quatro condições didáticas: orientação da pesquisa, discussão de modelos, análise de simulações ou ensaios e indicação de formas de registro (…)”.

“Letras e memória: uma breve história da escrita”

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

O texto a seguir, escrito por Luciano Valente, foi publicado na “ComCiência” (www.comciencia.br), excelente Revista Eletrônica de Jornalismo Científico. Aliás, na edição deste mês, há textos muito interessantes a respeito da escrita! Este é um deles. 

Curiosidade é certamente um dos primeiros sentimentos que vêm à tona ao se abrir um exemplar de Letras e memória: uma breve história da escrita. É difícil começar a ler o livro por uma ordem, digamos, normal – capa, contracapa, orelha, introdução e texto. Antes disso, o impulso nos obriga a folheá-lo de cabo a rabo. Os ricos exemplos de mais de cem alfabetos/formas de escrita, passando por inscrições em cavernas de mais de vinte mil anos, hieróglifos egípcios, ideogramas chineses e até o grafite das ruas do século XXI, formam verdadeiros poemas visuais, como o próprio autor define. Com eles, Adovaldo Fernandes Sampaio nos conduz, de forma leve, por um passeio pela história da linguagem escrita nos quatro cantos do mundo. More

Vídeos no blog: mais dinamismo e interatividade!

Olá, pessoal! Preciso da opinião de vocês.

Penso que a introdução de vídeos no blog pode ser muito interessante. Posso postar vídeos com comentários de questões de interpretação, vídeos com depoimentos de pais a respeito do aprendizado da escrita/leitura de seus filhos, com descrição e análise de algum fenômeno linguístico, sobre alguma experiência vivida nas consultorias que presto etc. Puxa, podemos até ter entrevistas com linguistas, fonoaudiólogos com formação em linguística e profissionais da área.

Acho que isso pode estreitar muito o nosso contato… vai ser como ver vocês… como tê-los bem perto. Que prazer!

Gostaria de saber a opinião de vocês a respeito. Gostaram da ideia? Querem sugerir algo?

Benefícios e utilidades da gripe suína!!!

A gripe suína tem sido muito útil a mim.

Hoje recebi o seguinte e-mail:

GRIPE SUÍNA:PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?
Resp.: Até 10 horas.

2. (…)
.
.
.
15. Qual é a população que está atacando este vírus?
Resp.: De 20 a 50 anos de idade.
.
.
.
Considerando o que sabemos sobre a gripe, qual o problema da 15ª pergunta? O que o autor do texto realmente quis escrever? Como pode ser reescrita a pergunta de maneira a desfazer o problema?

“Mamãe, eu queriO…”

por Carla Queiroz Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

As falas das crianças nos surpreendem, nos passam rasteiras, nos questionam. Elas estão cheias de honestidade, de percepções surpreendentes, de intuições filosóficas, de questões teológicas, de verdades existenciais, de críticas à vida adulta, de sentimentos, de poesia (Rubem Alves).

Veja esta preciosidade:

O filho, de 4 anos, diz para sua mãe:
- Mamãe, eu queriO…
A mãe interrompe e diz:
- Filho, não é queriO, é queriA.
- Mamãe, eu sou menino! Menino não fala “obrigadO?”, e menina não fala “obrigadA?”. Então, eu queriO, responde o filho com expressão facial de quem dizia para sua mãe que ela não sabe das coisas.

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Mais uma:

A tia queria explicar para a sobrinha, de 3 anos, que Deus quer morar dentro das pessoas. A sobrinha, rapidamente, solta uma gargalhada irônica e desconfiada, dizendo:
- Então quer dizer que nós somos uma casa!?.

Falas inesquecíveis como essas precisam ser registradas, não é mesmo? Obrigada, Ana Carolina e Regina Maria, por compartilharem as falas de seu filho e sua sobrinha, respectivamente.

Outras falas também estão registradas no livro “Me dá o teu contente que eu te dou o meu”, organizado por Cristina Mattoso, Editora Verus. A leitura é deliciosa!

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Falar para escrever
6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br