Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

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“Dislexia: um bem necessário”

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita, Dislexia

Um bem necessário sim, como diria a minha querida teacher “Maza”, orientadora do mestrado. Certa vez, uma conhecida revista de circulação nacional publicou uma matéria sobre o tema “dislexia”, definida como um “distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração” conforme Associação Brasileira de Dislexia. Segundo a fonoaudióloga (também psicopedagoga) consultada pela revista, uma pessoa disléxica pode escrever frases do tipo “O cachoco fugio. A poua voi porcurar, mas não encontorl”, ao invés de “O cachorro fugiu. A dona foi procurar, mas não encontrou”.

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Mas o que se pode dizer sobre tal escrita? Como refletir sobre ela? Tais erros já foram analisados, no âmbito da Lingüística, como típicos do processo de aquisição da escrita e, portanto, não são interpretados como um distúrbio, problema ou doença. Por essa razão, a chamada dislexia é um “bem necessário”.

Leia mais: revista-maringa-ensina-secretaria-municipal-de-educacao-de-maringa.htm

Escrever: por que muitos não aprenderam? – Parte I

Para responder a essa pergunta temos de tentar voltar ao passado e lembrar de como a escrita nos era proposta… haaaa, acabo de lembrar uma situação: os professores davam uma figura qualquer, solicitavam colá-la no caderno e escrever sobre ela. Também davam um tema sobre o qual deveríamos escrever algo. E que mal há nisso, você pode questionar? O problema é que nesse tipo de proposta elimina-se um requisito básico para a escrita de um texto, isto é, ter uma razão para escrever, uma motivação real (que faça sentido para quem escreve). E não pára por aí.

É necessário que haja informações, fatos, comentários etc. a partir dos quais o texto possa ser escrito. Propostas desse tipo são práticas passadas? O que mudou? Talvez as figuras mudaram. Ainda hoje em nossas escolas há muita atividade de cópia, ditado e análise sintática, mas pouca prática de reflexão sobre a construção dos textos e seus sentidos; pouca prática de escrita significativa de textos, uma realidade que se arrasta ao longo da vida escolar e provoca conseqüências desastrosas.

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6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
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Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br