Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

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Interpretar para escrever

Nem sempre a interpretação de um enunciado de prova dissertativa se faz de maneira satisfatória, de modo a conduzir o candidato a uma escrita condizente com a proposta da banca. Atendendo e interagindo com dezenas de candidatos toda semana, noto ser muito comum a leitura realizada de forma esparsa, isolada, sem estabelecimento de relações de sentido entre as partes do texto. Por isso, queridos leitores, segue aqui uma orientação:

Um texto é um todo organizado de sentido, significando dizer que o sentido de uma parte depende do sentido das demais com que se relaciona. Sendo assim, não se pode fazer interpretação isolada das partes de um texto, afinal, todas elas terão uma relação de sentido lógica. Aplicando-se isso às provas da FCC, notem que, geralmente, o período que abre o texto do qual extrairemos o tema (refiro-me àquelas provas em que a banca não explicita o tema, optando por somente apresentar um texto a partir do qual escreveremos a redação) funcionará como “carro-chefe”, de modo que os demais períodos são lidos (ou devem ser lidos) sem nos esquecermos do sentido daquele primeiro. Lembre-se: um texto é um todo organizado de sentido e entre suas partes deve haver uma relação semântica, uma coesão. Os vários períodos que compõem um texto não são vários textos, mas partes de um único texto dotado de unidade de sentido!

Boas leituras e excelentes produções a todos! Beijo grande.

Voo e perfil de texto: seu destino está em jogo

Um dia desses eu estava em um voo de São Paulo-SP para Belo Horizonte-MG. Durante os procedimentos que antecedem a decolagem, uma comissária, ao dar vários avisos, falou também qual era o destino daquela aeronave. Imediatamente uma passageira se levantou e disse que aquele não era o seu voo; achava que a aeronave a levaria para Recife-PE quando, na verdade, estava indo para BH.

Há candidatos a concursos públicos que escrevem tendo a plena convicção de que seus textos os farão alcançar os resultados almejados, afinal gastaram muito dinheiro em cursinhos e creem ter aprendido o passo a passo para escreverem bem. Aprenderam um certo “jeito” de escrever, uma fórmula que costuma lhes dar certo conforto e menos sofrimento. Mesmo quando digo “fulano, isso não vai dar certo”, há alguns que insistem em não tomar o caminho da reflexão, do raciocínio, do pensamento, do SENTIDO e da escrita periódica (sim, a frequência é muito importante). Resultado: surpresa e notas baixas.

Não adianta escrever… escrever… escrever como uma máquina! Não é suficiente estar dentro da aeronave; você tem de estar no voo certo para chegar ao destino desejado.

Quais são seus objetivos ao escrever?

Ontem, durante uma aula, falei sobre um aspecto muito importante para a boa escrita de cada parágrafo do desenvolvimento de um texto dissertativo: ter muito bem definido o OBJETIVO visado no parágrafo!!! Se isso não estiver bem definido, É MUITO PROVÁVEL A DISTRAÇÃO, O “PASSEIO” POR OUTROS ASSUNTOS QUE NÃO INTERESSAM AOS PROPÓSITOS DO TEMA DA PROVA!
Na referida aula, o tema em discussão era “O uso da poesia no cotidiano”, e o texto motivador tratava da possível aplicação (ou não) da poesia a um ou outro contexto. Sendo assim, entenda, PRIMEIRAMENTE, a proposta! É esse entendimento que NÃO PERMITIRÁ A VOCÊ ESCOLHER O QUE QUER ESCREVER A SEU BEL PRAZER.
Se a questão central é sobre poesia (e NÃO sobre humor, felicidade, diferenças culturais etc.), escreva, inicialmente, sobre POESIA! O que ela é, o que ela representa, sua importância etc.; pode, inclusive, CITAR NOMES DE POETAS (você sabe os nomes de alguns conhecidos poetas brasileiros, certo??? Então mostre esse conhecimento ao seu examinador, ora!). Parece óbvio eu dizer tudo isso, mas os textos que leio todos os dias me mostram que eu preciso falar e escrever o que acabo de dizer.
Repito (e desculpe-me a insistência): a redação, no caso aqui em questão, é sobre POESIA!!! É sobre poesia e sua APLICAÇÃO (EM QUE CONTEXTOS SERIA, OU NÃO, ADEQUADO O SEU USO). Escrito o primeiro parágrafo do desenvolvimento, o seu segundo parágrafo poderia tratar da aplicação da poesia (pode esse gênero ser usado em quaisquer contextos?) Lembre-se disso e não fique à deriva.
Finalizei a aula dizendo ao meu aluno: “Eu insisto porque acredito em você e sei que você pode produzir um texto cada vez melhor! E, please, nada de se aventurar a olhar modelos fechados, pelo amorrrr de Deus; você já provou e percebeu que isso não costuma dar certo”!
Grande abraço. Um ótimo feriado!

Vivência de mundo: um requisito para a escrita

por Carla Queiroz Pereira em Dificuldades com a escrita
Não se escreve uma redação consistente (com nota 95 ou 100) a partir do NADA, DO VAZIO. Os textos resultam também dos conhecimentos de mundo que temos, de experiências, vivências. Tais vivências podem vir dos livros e artigos que lemos, de filmes assistidos, de viagens feitas, de espetáculos que nos emocionaram, do aprendizado de uma nova língua ou de um instrumento musical, de visitas a exposições e museus etc. Os textos também são fruto da reflexão que constantemente fazemos a respeito de todas essas experiências, bem como da própria ação de escrever sobre.
No último tema cobrado no TRT-MT (cargo de AJAJ), muitos candidatos literalmente se enrolaram no texto sobre MUSEUS! Há, pelo menos, duas causas para isso: a pobre vivência de mundo e o pouco hábito de refletir sobre tudo o que os cerca. Bem, pessoal, em provas do TRT, como sabemos, não basta termos uma boa nota nas objetivas; precisamos também obter uma boa pontuação nas redações (aliás, isso pode nos colocar no topo da lista, mesmo quando nossa nota nas objetivas não tenha sido tão boa).
Por isso, candidato(a), passeie mais, leia mais, viaje mais, pense mais, viva mais!
Um grande abraço a todos!

Pensou que precisaria só de vontade e motivação para alcançar seus objetivos?

Lembre-se de uma coisa: na vida da gente, DISCIPLINA, muitas vezes, passa a ser a palavra de ordem e o que realmente nos faz alcançar os objetivos; não são a vontade, o prazer e a motivação! É a disciplina!

Digo isso porque algumas pessoas que me procuram para trabalharmos a qualidade das produções textuais, mais precisamente candidatos a concursos públicos, embora tenham todo o potencial para escreverem textos excelentes, estão cansados, sem energia, resistentes à escrita e sem envolvimento com os textos que produzem.

Bem, pessoal, por mais que eu me empenhe com todo o conhecimento e dedicação, preciso da perseverança de vocês, do envolvimento, engajamento de cada um de vocês (aliás, não é maravilhoso isso? Interação… interação…). Por isso, vale repetir: a DISCIPLINA é o que nos leva a alcançar os objetivos! Não dependa de sua motivação ou vontade; simplesmente seja disciplinado. Vou aproveitar e contar-lhes uma experiência atual:

Como muitos sabem, comecei a fazer musculação… que vontade de falar uma palavra feia agora (rsrs)… melhor não! Já podem concluir que musculação não é a minha paixão. E não é mesmo! Admito isso, é melhor! Na verdade, eu gosto mesmo é de dançar (delícia). Não é fácil esse negócio de repetir… repetir… fazer um esforço físico fenomenal e sair de um treino ou outro achando que não vou conseguir… Mas abandonei de vez por todas as desculpas que inventamos para não malhar e estou “levantando peso”, afinal musculação traz um resultado e ganhos fenomenais (inclusive para quem quer praticar outra atividade física). E é por isso que estou perseverando. Saio da academia sentindo que meu corpo responde e aceita desafios cada vez maiores!

Que tal? Vamos suar? Minha massa muscular já está aumentando rsrs. E os seus textos? Pense que a melhora é passo a passo, aula após aula, escrita após escrita… FORÇA!!!

Texto padrão cerimônia de abertura da Copa!

Final do jogo Brasil X Croácia… recebo mensagem no ‘whatsApp’ de uma cliente que eu atenderia no dia seguinte ao jogo: “Carlotaaa, vou fazer a redação agora; será que sai coisa boa”? Respondi em tom de brincadeira: “Bem, se for igual a abertura da Copa, tu tá lascada, garota”.

Mas, afinal, o que é um texto padrão abertura da Copa?

No mínimo, um texto que mostra muuuuuuuuuiiiiiito aquém do que poderia. A diferença entre a abertura da Copa no Brasil e o texto que li é que este foi escrito por uma cliente que já havia demonstrado capacidade de escrever excelentes dissertações; a cerimônia da Copa, diferentemente, foi organizada por uma belga que estava no país do carnaval, no país de grandes coreógrafos e músicos. Que lástima!

Pois bem, a cliente, quando enviou a mensagem, estava correta em sua previsão. Vejamos pelo menos duas razões pelas quais a dissertação com tema “A criatividade humana na contemporaneidade”  foi padrão cerimônia de abertura da Copa:

1. As informações selecionadas não eram condizentes com a complexidade do tema; foram escolhidas explicações rasas e mencionados exemplos simplórios para falar sobre criatividade;

2. Não foram estabelecidas relações entre o tema e outros conhecimentos de mundo.

Portanto, queridos, ao escreverem sobre quaisquer temas, lembrem-se disto: um tema sempre guarda RELAÇÃO com outros saberes, outros temas, outros campos… NÃO DEIXE DE PENSAR NISSO AO ESCREVER!

 

Pelo menos a cliente pôde reescrever o texto dela durante o atendimento e mostrar o que realmente já sabe fazer! Quanto ao Brasil… só se ele realmente estiver, um dia, na direção da abertura da Copa… talvez daqui uns 30 anos, não sei.

“Não sei por onde começar”

Domingo, 15 de dezembro, 13h30. Após o almoço, estou em casa pensando que irei descansar, dormir, literalmente, afinal a semana foi beeeeeem puxada (muuuuito trabalho, provas da faculdade e apresentação em espetáculo de dança). Enquanto me preparo para o meu momento ‘relax’, caro leitor, recebo a seguinte mensagem no meu celular: “Acabei de entregar minha prova aqui em Campinas (TRT-Campinas) e o tema foi “O exercício do humor nas relações sociais”; não sabia nem como começar… muito triste“.

Continuo morrendo de sono, mas será impossível dormir sem escrever este post antes!

Diante da afirmação do candidato, veio à  minha mente a seguinte pergunta: que tipo de texto nós sabemos como começar? Ou seja, há algum tema que me permita ‘bater o olho nele’ e já ter todas as informações selecionadas, todas as ideias encadeadas, todos os argumentos elaborados? Há? Talvez sim, alguns temas jurídicos, aqueles cujos conteúdos são memorizados previamente (exemplo: ‘Disserte sobre os efeitos devolutivo e suspensivo dos recursos’); basta estudar, ou melhor, decorar o Código de Processo Civil, alguma doutrina e jurisprudência.

Esse processo não ocorre e NÃO FUNCIONA para os temas argumentativos/gerais. Nesses temas, candidato, há um processo criativo, que exige pensamento e reflexão. Não conheço nenhum processo criativo em que o criador já sabia, de antemão (no momento inicial da criação), como começaria, como desenvolveria e como finalizaria a sua obra.

Quando você, candidato, se depara com um tema como o da prova do TRT-Campinas (não jurídico, não específico), você precisa parar e refletir; você precisa, primeiramente, ABANDONAR A IDEIA de que tudo virá à sua mente como um produto acabado! Se não abandonar essa expectativa, não há como começar a criar.

Considerando a proposta da banca (“O exercício do humor nas relações sociais”), que tal começarmos pensando? Nesse sentido, alguns questionamentos nos poderão ser úteis. Certamente já assistimos a alguns programas humorísticos, peças teatrais, comédias etc.; também já fizemos trocadilhos e piadinhas com os colegas de trabalho, familiares, amigos… Façamos, então, um movimento mental até esses programas, peças, filmes ou fatos do cotidiano (escolhamos os mais inteligentes…interessantes). Que tipo de mensagem veiculam (questões políticas, valores, preconceitos)? Fazemos humor com qual finalidade (quais podem ser nossas intenções)? Qual a importância do humor? Como podemos refletir sobre o texto humorístico? Qual a diferença entre os textos humorísticos e outros textos? Por que eles existem? Por meio de quais recursos o humor é produzido?

Bem, se tentarmos responder aos questionamentos acima, refletindo sobre o mundo ao nosso redor, já temos um caminho, conseguimos começar a pensar no tema. Um pensamento gerará outro… que gerará outro… que gerará outros… Claro, precisaremos selecionar alguns, jogar outros fora, organizar os selecionados, encadeá-los… tudo isso durante a escrita.

Portanto, queridos, ao invés de já concluirmos que não sabemos por onde começar, que tal nos colocarmos a pensar sobre?

Espero ter podido ajudar um pouco mais. Se me permitam, com licença, vou dormir!

Beijão a todos!

Para quem quiser pensar…

Amo interagir com clientes comprometidos, conscientes e educados! É especialmente para estes que escrevo! Segue aqui mais uma orientação, tendo em vista o que tenho observado em algumas redações de outros candidatos.

É muito comum, em determinados temas, a prevalência de uma redação que se assemelha mais a uma descrição, não a uma dissertação. O candidato, nestes casos, passa, por exemplo, a apresentar as soluções para determinados problemas e os seus efeitos/ganhos, como vi em uma redação exigida no cargo para técnico do TRT-GO (Tema: Formação de Centros Urbanos Sustentáveis no Século XXI). Ao escrever sobre tal tema, uma candidata fez a exposição de como seria um centro urbano sustentável e, em seguida, apresentou os ganhos disso. Mas será que isso basta em uma dissertação? Não, não basta! É muito pouco, além de esse tipo de texto ter mais uma aparência descritiva do que dissertativa!!!

CUIDADO! O que se espera do candidato é muito mais do que isso! Espera-se que ele problematize a questão (veja que a banca solicitou o seguinte: “DISCUTA a formação [...]“), que ele reflita sobre a questão posta pela banca, que ele demonstre a complexidade do problema (ele poderia aplicar, por exemplo, o parágrafo da descrição de um ambiente sustentável à realidade brasileira, considerando os centros urbanos já populosos, a exemplo das grandes capitais). Se o candidato fizer isso, já saiu da mera descrição; passou a dissertar e aumentou suas chances de obter uma boa nota de conteúdo (sabe-se que, geralmente, a banca faz esta distribuição de pontos: 40 para o conteúdo, 30 para a estrutura e 30 para a expressão). É bom, então, considerarmos o que é discutir, refletir, pensar, problematizar…

Sendo assim, cabe mencionar novamente aquilo que você ouve frequentemente em nossas aulas: é necessário disposição para pensar, para relacionar fatos, para ler e reler, considerar o que leu, reescrever e, não raramente, para sofrer.

Segue também o tema para quem quiser pensar:

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Agendamentos – preparação para as provas dissertativas (TST, AFT, TRT’s, RF, ICMS-SP)!

No mês de julho, tirarei férias a partir da segunda quinzena (entre os dias 21 de julho e 5 de agosto). Em compensação, trabalharei em dobro na primeira (de manhã, à tarde e em parte da noite)! Portanto, os candidatos que estão se preparando para concursos públicos poderão agendar, desde já, seus atendimentos para o mês de julho (só até o dia 20). Obrigada pela colaboração.

Grande abraço a todos!!!

Escrita & Psiquê

Eu tinha até taquicardia quando eu precisava escrever alguma coisa… isso me dava uma certa aflição. Só passou depois que começamos a trabalhar. O mal estar já não existe mais (…). A consultoria me fortalece. Melhorei também na questão da ansiedade. Você faz o papel de consultora e também de terapeuta (…). Seu trabalho melhora até a minha auto-estima“.

Depoimento de MC, contadora e auditora fiscal do Estado de MG, após finalizarmos um atendimento.

 

Passados três dias de nosso encontro, compartilhei com MC as palavras de PICASSO. Vejam:

“Queremos sempre encontrar um sentido em tudo e todos. É isto uma doença do nosso tempo, tão pouco prático, e que, no entanto, crê sê-lo mais do que qualquer outra época”.

“Quando se sabe exatamente o que se quer fazer, para quê fazê-lo ainda? Se o sabemos, já não tem interesse. É melhor então fazer outra coisa”.

 Ao que MC me respondeu, por escrito:

“Estou cada vez mais convencida do efeito terapêutico das nossas consultorias. Obrigada por compartilhar estas reflexões”.

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Falar para escrever
6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br