Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Arquivo da categoria Diagnósticos & Escrita

Gramática boa com texto ruim. Isso é possível?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Bom dia, queridos leitores!

Há poucos minutos me deparei com o seguinte relato, exposto em um grupo do Facebook, de um candidato ao último concurso do Ministério Público-SP: “(…) Gostaria de saber como eu devo escrever, porque eu devo escrever muito mal. Pela segunda vez reprovado na segunda fase por 3 pontos (…)”.

Relatos como esse são muitíssimo comuns… mais comum ainda é o candidato ler seu texto pontuado pela banca e não conseguir identificar as razões pelas quais fora penalizado, afinal a gramática costuma estar boa, e o conhecimento jurídico, na “ponta da caneta”.

Só uma leitura perspicaz – e com base também em conhecimentos linguísticos – poderá fazer um diagnóstico preciso do texto deste candidato. Devem ser analisados aspectos como relações semânticas (de sentido) no período, entre períodos e entre parágrafos, bem como uso adequado dos elementos coesivos (“por essa razão”, “ademais”, “portanto”, “além disso”, “conquanto” etc.), encadeamento lógico, seleção e organização das informações, progressão textual etc., pois esses precisam ser demonstrados pelo candidato.

O raciocínio por parte do examinador é o seguinte: o texto do candidato – em termos gramaticais e linguísticos – deve ser compatível com o cargo de promotor de justiça, por exemplo. Se a banca não se convencer disso, não adiantará todo o conhecimento jurídico exposto.

O caso do candidato me lembrou um outro de uma candidata ao concurso para a magistratura do trabalho…ela havia feito 9 segundas fases antes de começarmos a trabalhar juntas, e, agora, só aguarda a nomeação! Está aqui no blog uma descrição do que acontecia em suas provas:

http://aescritanasentrelinhas.com.br/2017/11/06/sabe-tudo-so-que-nao/

Voltando ao trabalho step by step

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Olá, queridos!

Desde a semana passada voltei a atender on-line, pelo Skype!!!

Em função dos cuidados com o baby, estou prestando as consultorias em horários restritos.

Beijos mil!

E já se passaram 3 meses e 9 dias…

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Hoje, queridos, vou falar um pouquinho de mim neste período inicial de maternidade. As palavras-chaves são PERSEVERANÇA, OBSTINAÇÃO!

Quando eu estava no primeiro mês de amamentação exclusiva, pensei: “meu Deus, será que vamos conseguir chegar ao sexto mês” (pelo menos)? São muitas lutas, desafios e frustrações… cada mulher e bebê tem os seus… Sendo assim, neste assunto “amamentação” fui aprendendo a viver cada dia… cada dia… sem criar tantas expectativas sobre o amanhã, mas fazendo de tudo – juntamente com meu companheiro nesta empreitada – para que o bebê pudesse ter o seu “tetê de cada dia”. “O tetê de cada dia, dá-lhe hoje, Pai!” E já se passaram 3 meses e 9 dias de amamentação exclusiva…

Persevere naquilo que você se colocou a fazer e precisa fazer! Pode ser só por um período.

Quando eu oriento meus clientes a relerem…

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

É impressionante como, em geral, as pessoas não gostam de reler o que escreveram; se escrever já é difícil para muitas, reler o que escreveram para uma seguida reescrita é quase uma dor, um sofrimento. Lembro-me de uma ex-aluna que, durante uma aula em que eu a orientava sobre a importância da releitura, me disse explicando por que não gostava de reler: “Carla, a gente escreve tanta porcaria que a gente não quer reler… a gente quer se livrar”.

Bem, continuo este post depois… Vou reler um texto… Fique com este trechinho do blog para reflexão!

Beijos mil!

Você escreve querendo se livrar logo do texto?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

“Carla, a gente escreve tanta porcaria que a gente não quer reler; a gente quer se livrar”.

Não é incomum os alunos fazerem certas confissões a respeito da relação deles com o próprio texto produzido. O trecho transcrito acima, por exemplo, foi dito por uma aluna quando eu a ensinava sobre a importância de se reler constantemente o texto à medida que este é produzido. Ora, querido leitor, não é possível realizarmos bem qualquer atividade sem REAL ENVOLVIMENTO com ela.

No caso da escrita, É o ENVOLVIMENTO com o texto produzido que lhe fará receber bem as orientações do professor, compreender cada erro como um desafio a ser superado (e não como uma montanha intransponível); é o ENVOLVIMENTO que lhe impulsionará a reler constantemente o que escreveu e alimentará a sua vontade de pensar sobre o tema dissertado; só com ENVOLVIMENTO se poderá buscar a perfeição! Após tantos anos trabalhando com os textos e seus autores, posso afirmar com certa tranquilidade: o ENVOLVIMENTO trará sabor à sua escrita, tirará todo e qualquer distanciamento entre você (autor) e seu texto; seu texto será quase uma extensão de você mesmo, sério.

Bem, se você é mais um desses que quer escrever para se livrar, está na hora de rever isso, afinal, sempre temos um objetivo a ser alcançado com a nossa dissertação.

ENVOLVA-SE!

Férias de uma semana

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Neste exato momento, às 19h36, estou de partida para a Argentina. Mas não demoro. Dia 03.08 já estarei de volta para também poder responder a todos os e-mails recebidos. Rumo ao TRT-RS,  queridos!

Besos e buenas noches .

Diagnósticos em aprendizagem: afinal, quem está doente?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Como muitos sabem, já atuei como fonoaudióloga e tive a alegria de estudar Neurolinguística com uma das professoras mais respeitadas do Brasil no que diz respeito às relações entre cérebro e linguagem, Maria Irma Hadler Coudry (Maza), livre-docente do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Na época em que estive nessa instituição, pudemos, eu e outras colegas pesquisadoras, acompanhar, no Centro de Convivência de Linguagens (“CCazinho”), sob a orientação da professora Maza, muitas crianças e adolescentes que receberam algum diagnóstico associado à aprendizagem escolar – dislexia, TDAH, Desordem do Processamento Auditivo, distúrbio da Consciência Fonológica, entre outros. Trabalhando com tais crianças e adolescentes, constatávamos que, na maior parte dos casos, não tinham qualquer dificuldade insuperável ou de origem na própria criança.

Por que volto a falar sobre isso aqui? Porque conheci mais uma mãe em sofrimento por estes dias… muito angustiada…

E pude escrever para ela o que escrevo a vocês também, leitores deste blog:

“Sobre os diagnósticos relacionados à aprendizagem, vemos que, não raras vezes, estes “caem como uma luva” para problemas da escola (não de todas, claro, mas da maioria, sem dúvida), que ainda tem uma visão estreita de cérebro, linguagem e aprendizagem. As atividades, muitas vezes, são descontextualizadas; as avaliações são predominantemente conteudistas, sem privilegiar o raciocínio, a reflexão, a criatividade etc. O resultado disso? Muitas vezes, alunos que, por estarem fora desse reducionismo (e não se enquadrarem nesse modelo tradicional de ensino) são rotulados de “problemáticos”, “portadores de alguma dificuldade” etc. E os médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos, desconhecendo esses processos (neuro)linguístico-cognitivos e, pior, testando por meio de exames TOTALMENTE descontextualizados e sem qualquer sentido para a criança ou adolescente, patologizam o invisível, criam uma doença, doença esta, obviamente, que tem origem na criança, dirão muitos “educadores”, terapeutas e doutores”.

A questão é: afinal, quem está doente?

Sobre este assunto, sugiro a leitura das seguintes publicações:

1. Livro “A institucionalização invisível: crianças que não aprendem na escola”, de Maria aparecida Affonso Moysés;

2. Livro “Novas capturas, antigos diagnósticos na era dos transtornos”, organizado por Cecília Azevedo Lima Collares, Maria Aparecida Affonso Moysés e Mônica Ribeiro. Segue o link para você ver os títulos e alguns comentários sobre as obras: http://www.mercado-de-letras.com.br/autor.php?codid=31

3. Livro “Caminhos da Neurolinguística Discursiva: teorização e práticas com a linguagem”: – http://www.mercado-de-letras.com.br/livro-mway.php?codid=272 (escrevi dois capítulos; em um deles faço uma análise crítica da chamada Desordem do Processamento Auditivo; no outro, a fonoaudióloga Francine Marson Costa e eu escrevemos uma crítica sobre um teste de Consciência Fonológica).

 

Por que não divulgar?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Alguns professores evitam divulgar livros de sua autoria. Por que tamanha modéstia? Se julgamos que a leitura pode ser proveitosa para alguns interessados, acho que temos a responsabilidade de informar nossos leitores quanto àquilo que produzimos.

Há 4 anos, mais ou menos, tive a oportunidade de escrever 3 capítulos (2 em co-autoria) do livro “Caminhos da Neurolinguística Discursiva: teorização e práticas com a linguagem” (Editora Mercado de Letras), organizado pela Professora Maria Irma Hadler Coudry, minha ex-orientadora (mestrado), e pelas pesquisadoras Fernanda Freire, Mara Lúcia Andrade e Michelli Silva, todas do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

Embora tenha escrito os capítulos há algum tempo, somente agora o livro pôde ser publicado. No entanto, os textos continuam atuais, dadas as práticas fonoaudiológicas voltadas para a avaliação e diagnóstico da linguagem. Trata-se de uma leitura indispensável, creio eu, para professores, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos e médicos (neurologistas, pediatras e otorrinolaringologistas).

P.S.: para fins de esclarecimentos, vale lembrar que a Neurolinguística pesquisada no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp não tem nada a ver com a PNL, graças a Deus!!!

Boa leitura !!!

Dificuldade de compreensão??????

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Receite a lei anti-fumo”. Hã? “Receite” a lei? Como assim, receite a lei? Essas foram as curtas perguntas que vieram à minha mente quando ouvi o maquinista de um dos vagões do metrô de SP. E ele completou o enunciado, dizendo: “Não fume nas estações do metrô”. Após o complemento percebi que eu havia me enganado quanto ao que ouvi. Interessante: somente consegui refazer minha hipótese sobre o que havia ouvido – “respeite a lei anti-fumo”, e não “receite a lei anti-fumo” -, após o maquinista ter completado o que começou a dizer. Pelo sentido do enunciado completado, pelo contexto da situação em que eu estava inserida (o fato de estar dentro de uma estação do metrô, o fato de saber sobre a proibição do fumo em ambientes fechados, o fato de conhecer os males que o cigarro causa etc.), pude concluir que havia me enganado a respeito da palavra “receite”. Percebi que o maquinista não havia falado “receite”, mas “respeite“.

Situações como essa, de não compreensão seguida de reformulação, são comuns em nosso dia-a-dia. Gostaria de ressaltar que isso não tem nada de patológico, mas nos mostra que o ouvir e o compreender são duas atividades inter-relacionadas e não isoladas.

Na Fonoaudiologia, é comum observarmos o uso de testes com frases ou palavras sem sentido. Quando investigamos os procedimentos de testagem do chamado Processamento Auditivo (PA), por exemplo, observamos que os pacientes são inseridos em uma cabina acústica, com tarefas que não fazem sentido e recebidas através de um fone; não existe, assim, uma situação significativa para ouvir o que se ouve, bem como para o exercício da linguagem, ou seja, não existe um contexto, não existe um interlocutor e o que se ouve não faz sentido.

Vale ressaltar que há afirmação na literatura sobre Processamento Auditivo de que os testes não avaliam a linguagem, porém, em relatórios clínicos de avaliação do PA, afirma-se, por exemplo, que o resultado do teste (alterado) pode ser um fator gerador de dificuldades de compreensão, de escrita, entre outras (vejam, portanto, que a relação foi estabelecida).

 Por desconsiderar a estreita relação entre audição & sentido/compreensão (afirmação que faço tendo em vista os “N” aspectos envolvidos no compreender), qual será a real validade dos testes de Processamento Auditivo para fins de avaliação e diagnóstico?

Pense nisso, leitor! Vamos compreender, primeiro, como a linguagem funciona antes de dizermos que alguém tem dificuldades para algo!

Para os pais

Este pode ser um material muito útil a professores, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e médicos. Para uma versão impressa, clique no link abaixo:
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Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br