Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Arquivo da categoria Diagnósticos & Escrita

Férias de uma semana

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Neste exato momento, às 19h36, estou de partida para a Argentina. Mas não demoro. Dia 03.08 já estarei de volta para também poder responder a todos os e-mails recebidos. Rumo ao TRT-RS,  queridos!

Besos e buenas noches .

Diagnósticos em aprendizagem: afinal, quem está doente?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Como muitos sabem, já atuei como fonoaudióloga e tive a alegria de estudar Neurolinguística com uma das professoras mais respeitadas do Brasil no que diz respeito às relações entre cérebro e linguagem, Maria Irma Hadler Coudry (Maza), livre-docente do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Na época em que estive nessa instituição, pudemos, eu e outras colegas pesquisadoras, acompanhar, no Centro de Convivência de Linguagens (“CCazinho”), sob a orientação da professora Maza, muitas crianças e adolescentes que receberam algum diagnóstico associado à aprendizagem escolar – dislexia, TDAH, Desordem do Processamento Auditivo, distúrbio da Consciência Fonológica, entre outros. Trabalhando com tais crianças e adolescentes, constatávamos que, na maior parte dos casos, não tinham qualquer dificuldade insuperável ou de origem na própria criança.

Por que volto a falar sobre isso aqui? Porque conheci mais uma mãe em sofrimento por estes dias… muito angustiada…

E pude escrever para ela o que escrevo a vocês também, leitores deste blog:

“Sobre os diagnósticos relacionados à aprendizagem, vemos que, não raras vezes, estes “caem como uma luva” para problemas da escola (não de todas, claro, mas da maioria, sem dúvida), que ainda tem uma visão estreita de cérebro, linguagem e aprendizagem. As atividades, muitas vezes, são descontextualizadas; as avaliações são predominantemente conteudistas, sem privilegiar o raciocínio, a reflexão, a criatividade etc. O resultado disso? Muitas vezes, alunos que, por estarem fora desse reducionismo (e não se enquadrarem nesse modelo tradicional de ensino) são rotulados de “problemáticos”, “portadores de alguma dificuldade” etc. E os médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos, desconhecendo esses processos (neuro)linguístico-cognitivos e, pior, testando por meio de exames TOTALMENTE descontextualizados e sem qualquer sentido para a criança ou adolescente, patologizam o invisível, criam uma doença, doença esta, obviamente, que tem origem na criança, dirão muitos “educadores”, terapeutas e doutores”.

A questão é: afinal, quem está doente?

Sobre este assunto, sugiro a leitura das seguintes publicações:

1. Livro “A institucionalização invisível: crianças que não aprendem na escola”, de Maria aparecida Affonso Moysés;

2. Livro “Novas capturas, antigos diagnósticos na era dos transtornos”, organizado por Cecília Azevedo Lima Collares, Maria Aparecida Affonso Moysés e Mônica Ribeiro. Segue o link para você ver os títulos e alguns comentários sobre as obras: http://www.mercado-de-letras.com.br/autor.php?codid=31

3. Livro “Caminhos da Neurolinguística Discursiva: teorização e práticas com a linguagem”: – http://www.mercado-de-letras.com.br/livro-mway.php?codid=272 (escrevi dois capítulos; em um deles faço uma análise crítica da chamada Desordem do Processamento Auditivo; no outro, a fonoaudióloga Francine Marson Costa e eu escrevemos uma crítica sobre um teste de Consciência Fonológica).

 

Por que não divulgar?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Alguns professores evitam divulgar livros de sua autoria. Por que tamanha modéstia? Se julgamos que a leitura pode ser proveitosa para alguns interessados, acho que temos a responsabilidade de informar nossos leitores quanto àquilo que produzimos.

Há 4 anos, mais ou menos, tive a oportunidade de escrever 3 capítulos (2 em co-autoria) do livro “Caminhos da Neurolinguística Discursiva: teorização e práticas com a linguagem” (Editora Mercado de Letras), organizado pela Professora Maria Irma Hadler Coudry, minha ex-orientadora (mestrado), e pelas pesquisadoras Fernanda Freire, Mara Lúcia Andrade e Michelli Silva, todas do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

Embora tenha escrito os capítulos há algum tempo, somente agora o livro pôde ser publicado. No entanto, os textos continuam atuais, dadas as práticas fonoaudiológicas voltadas para a avaliação e diagnóstico da linguagem. Trata-se de uma leitura indispensável, creio eu, para professores, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos e médicos (neurologistas, pediatras e otorrinolaringologistas).

P.S.: para fins de esclarecimentos, vale lembrar que a Neurolinguística pesquisada no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp não tem nada a ver com a PNL, graças a Deus!!!

Boa leitura !!!

Dificuldade de compreensão??????

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Receite a lei anti-fumo”. Hã? “Receite” a lei? Como assim, receite a lei? Essas foram as curtas perguntas que vieram à minha mente quando ouvi o maquinista de um dos vagões do metrô de SP. E ele completou o enunciado, dizendo: “Não fume nas estações do metrô”. Após o complemento percebi que eu havia me enganado quanto ao que ouvi. Interessante: somente consegui refazer minha hipótese sobre o que havia ouvido – “respeite a lei anti-fumo”, e não “receite a lei anti-fumo” -, após o maquinista ter completado o que começou a dizer. Pelo sentido do enunciado completado, pelo contexto da situação em que eu estava inserida (o fato de estar dentro de uma estação do metrô, o fato de saber sobre a proibição do fumo em ambientes fechados, o fato de conhecer os males que o cigarro causa etc.), pude concluir que havia me enganado a respeito da palavra “receite”. Percebi que o maquinista não havia falado “receite”, mas “respeite“.

Situações como essa, de não compreensão seguida de reformulação, são comuns em nosso dia-a-dia. Gostaria de ressaltar que isso não tem nada de patológico, mas nos mostra que o ouvir e o compreender são duas atividades inter-relacionadas e não isoladas.

Na Fonoaudiologia, é comum observarmos o uso de testes com frases ou palavras sem sentido. Quando investigamos os procedimentos de testagem do chamado Processamento Auditivo (PA), por exemplo, observamos que os pacientes são inseridos em uma cabina acústica, com tarefas que não fazem sentido e recebidas através de um fone; não existe, assim, uma situação significativa para ouvir o que se ouve, bem como para o exercício da linguagem, ou seja, não existe um contexto, não existe um interlocutor e o que se ouve não faz sentido.

Vale ressaltar que há afirmação na literatura sobre Processamento Auditivo de que os testes não avaliam a linguagem, porém, em relatórios clínicos de avaliação do PA, afirma-se, por exemplo, que o resultado do teste (alterado) pode ser um fator gerador de dificuldades de compreensão, de escrita, entre outras (vejam, portanto, que a relação foi estabelecida).

 Por desconsiderar a estreita relação entre audição & sentido/compreensão (afirmação que faço tendo em vista os “N” aspectos envolvidos no compreender), qual será a real validade dos testes de Processamento Auditivo para fins de avaliação e diagnóstico?

Pense nisso, leitor! Vamos compreender, primeiro, como a linguagem funciona antes de dizermos que alguém tem dificuldades para algo!

Para os pais

Este pode ser um material muito útil a professores, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e médicos. Para uma versão impressa, clique no link abaixo:
ler-e-escrever1

Gripe Suína e terapia de linguagem

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

Olhar para uma charge como essa e rir parece ser algo tão simples, óbvio nos últimos dias, não é mesmo? Só parece, pois, conforme já dissemos outras vezes aqui, para interpretar uma charge precisamos mobilizar diversos conhecimentos que não estão explícitos no texto (na charge).

Muitas vezes, algo que fazemos com tanta rapidez, como atribuir sentido a essa charge e rir dela, pode se tornar difícil para pessoas que sofreram um AVC – Acidente Vascular Cerebral – (derrame), que tenha comprometido o nível semântico da linguagem, por exemplo (alterações chamadas de afasias).

Por isso, charges podem ser materiais preciosos na avaliação de linguagem de pessoas que sofreram um AVC. Não somente para avaliação, mas também para terapia com afásicos*.

*Em linhas gerais, afásicos são aqueles com alterações de linguagem em decorrência de uma lesão cerebral.

Se você é fonoaudiólogo e trabalha com afásicos, fica aqui a minha sugestão de material a ser utilizado. Além disso, fica também o convite para que você nos conte como foi trabalhar com charges nas sessões terapêuticas.

Como a fonoaudiologia tem atuado em relação à linguagem?

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita, Dislexia

Muitos que visitam o “A Escrita nas Entrelinhas” ainda não sabem que, antes de eu estudar Linguística (fazer o mestrado), minha formação de graduação foi em Fonoaudiologia. Um dia irei contar como se deu minha busca pela Linguística, mas posso adiantar que ela partiu de uma inquietação. Muito me incomodava a maneira como a Fonoaudiologia avaliava (e ainda avalia) e diagnosticava (e ainda diagnostica) os pacientes com alterações de linguagem decorrentes de acidentes vasculares cerebrais (AVC’s), por exemplo, e aqueles com queixas de dificuldades de leitura e escrita, não oriundas de doenças orgânicas. Diante desse incômodo, passei a ler textos escritos por linguistas, graças a Deus.

A Fonoaudiologia tem atuado, ainda, de maneira muito superficial em relação às questões de linguagem: não consegue interpretar os fatos de linguagem; interpreta o “erro”, não raras vezes, como sinal de patologia, atribuindo um diagnóstico – de dislexia, de distúrbios de aprendizagem, de desordem do processamento auditivo etc. – sem saber o que, de fato, está diagnosticando. Como é possível que muitos (não todos) fonoaudiólogos falem em “dificuldades de leitura”, se desconhecem os complexos processos linguísticos envolvidos no ato de ler? Acostumados a ler somente textos produzidos pela área da saúde, aceitam tudo o que é dito, sem buscar na educação e na Linguística explicações plausíveis, resultantes de longos anos de estudos e pesquisas. (Não busquem, talvez, pelo esforço intelectual que as leituras dos textos dessas áreas demandam).

Como podem afirmar “problemas de compreensão” se, para muitos, qualquer não compreensão é sinal de dificuldade do sujeito supostamente avaliado? Se desconhecem, por exemplo, os N fatores que devem ser mobilizados para que a interpretação seja possível? (sobre tais fatores, sugiro ver alguns exemplos no blog). Isso tudo sem contar, ainda, a concepção de cérebro que está implicada nesse tipo de afirmação. Nem vou falar sobre isso agora.

Por que não aprendemos a investigar os fundamentos dos “erros” em vez de considerá-los como indício de problema neurológico? (Leia o post “virtudes no erro”). Por que não aprendemos a trabalhar, quando necessário, sobre os textos daqueles que nos procuram?

Oficina sobre escrita – parte do material utilizado

Os slides aqui apresentados foram disponibilizados durante uma oficina que ministrei no mês de fevereiro deste ano.
Nela os participantes foram instigados a pensar na escrita a partir do sentido do que escrevem, considerando que um texto não é um amontoado de frases dispostas umas após outras. Em uma troca constante entre participantes e professor, a oficina não teve como propósito dizer “isso é certo” ou “isso é errado”, mas sim, identificar as dificuldades daqueles e intervir sobre elas. Nessa intervenção, importou que os participantes refizessem suas hipóteses de escrita, elegendo a melhor forma para dizer/escrever algo. Puderam, assim, perceber que a escrita de bons textos não se restringe aos aspectos gramaticais e/ou ortográficos. obs: os slides representam apenas uma parte do material entregue.

A Escrita: do ensino fundamental à vida profissional

Certamente, as dificuldades que diversos profissionais têm para escrever não tiveram início somente agora, no exercício da profissão. Muitas vezes, pequenas dificuldades observadas nas séries iniciais, próprias de quem está aprendendo a escrever, são arrastadas no tempo… O aluno “passa de ano”, mas o seu texto não passa. E assim vai por todo o ensino médio, superior…

Clique nessa figura para ver o histórico que geralmente encontramos:

Cursos na Editora Segmento

por Carla Queiroz Pereira em Diagnósticos & Escrita

A Editora Segmento oferecerá três cursos no mês de janeiro. Veja os temas:
- Oficina para revisor;
- Análise e planejamento de textos;
- Revisão gramatical avançada.

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17 abril 2017
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
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Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br