Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

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Não é assim que se aprende a escrever

Sem qualquer constrangimento ou polidez, leitores, digo que uma pessoa que deseja escrever melhor pode comprar gato por lebre; pode achar que está contratando um serviço (até de um professor ‘famoso’) que o habilitará a escrever excelentes dissertações quando, na verdade, está comprando o que não precisava e que em nada (ou quase nada) o ajudará.

Apenas fazer algumas marcações no texto do aluno e comentar algo como “argumentação fraca”, “melhorar o desenvolvimento”, “organizar melhor as ideias” não é suficiente para alguém mudar sua escrita e aprender. Como fortalecer a argumentação? Quais raciocínios e conteúdos deverão ser mobilizados? Como relacionar o tema com outros saberes a fim de criar argumentos consistentes? Aliás, não basta responder “quais” e “como”? O bom professor, além disso, interage com o aluno a ponto de fazê-lo trilhar o caminho, descobrir o processo, criar, desenvolver, pensar e refletir.

Aprende-se a escrever escrevendo, mas com orientação e direcionamento adequados.

Tirando o cérebro da zona de conforto

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Quem estuda para concursos sabe que a preparação para as provas objetivas é bastante exaustiva e massante. Temos de ler, reler, revisar periodicamente, repetir… repetir… decorar… além de fazer centenas de exercícios de cada matéria. Chega uma hora que o candidato vai no automático, afinal ele quer mesmo é marcar o “X” no lugar certo. Não se exige, nesta primeira fase, e dependendo da matéria e da banca examinadora, muito raciocínio, reflexão ou argumentação (falo sobre a complexidade linguística das tarefas). Exige-se (e demais) capacidade de memorização de um conteúdo gigantesco e resiliência por parte do candidato, entre outras habilidades. Por isso, de certa forma (de certa forma!), o cérebro fica numa certa zona de conforto depois de um tempo de estudo, quando o candidato já se exercitou demais para a fase das provas objetivas.

Isso não ocorre quando o assunto passa a ser ELABORAÇÃO DE TEXTOS, ESCRITA DE REDAÇÕES! Meros conhecimentos decorados e reproduzidos já não serão suficientes ao candidato que pretende a aprovação. Pelo contrário! O candidato, numa atividade bem diferente daquela praticada na primeira fase da sua prova, precisará PENSAR, REFLETIR, PERGUNTAR-SE “POR QUÊ”, “COMO”, “PARA QUÊ”; deverá aprender a RELACIONAR conhecimentos e informações estanques, antes adquiridos só para marcar “X”. Aliás, vejo, durante as consultorias que presto, que uma das maiores dificuldades dos candidatos está no estabelecimento dessas relações, algo que aprendemos a fazer em nossos encontros. E assim vamos tirando o cérebro da zona de conforto…  E não acabou: deverá, ainda, selecionar o que é importante, colocar em ordem as informações, reler, reescrever, repensar…

É… escrever dá trabalho mesmo!  Mas é uma atividade INTELIGENTE, que TIRA O CÉREBRO DA ZONA DE CONFORTO, DO AUTOMÁTICO! Quem não quiser trabalhar e exercitar o cérebro, vai ter de buscar outra meta, não a de ser aprovado em um bom concurso público.

Bons estudos a todos! Beijo grande.

Prova do TRE-SP: como está a sua preparação para a escrita de bons textos?

Para quem aguarda ansiosamente o edital do TRE-SP, a escrita das redações deve ser inserida diligentemente na grade de estudos (e bem antes da publicação do referido edital). Escrever é uma atividade intelectual complexa (já disse isso aqui algumas vezes), nada mecânica, e que geralmente não acontece de maneira satisfatória com apenas 2 ou 3 meses de prática. Dependendo das dificuldades de escrita, são necessários, no mínimo, 6 meses de prática constante (escrita e reescrita), além de um bom professor para incisivamente “puxar” o raciocínio do candidato e fazê-lo pensar de maneira criativa (sem modelinhos engessadores) etc.

Nesse contexto, será interessante escrever temas variados. Como as provas do TRE têm muitos temas gerais associados ao cargo pretendido (e ao órgão), seguem aqui alguns para vocês!!!

Tema 01: INSTRUMENTOS DE PARTICIPAÇÃO PARA ALÉM DO VOTO

Tema 02: JUSTIÇA ELEITORAL COMO FORMA DE FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA

Tema 03: O VOTO E OUTRAS FORMAS DE PARTICPAÇÃO POPULAR PARA PROMOÇÃO DA JUSTIÇA

Tema 04: A CORRUPÇÃO ENFRAQUECE A DEMOCRACIA BRASILEIRA?

Do TRT para as Procuradorias: esclarecendo meu momento

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos leitores!

Após eu ter concluído o curso de Direito, muitos clientes me perguntam se prestarei algum concurso da área jurídica e se continuarei trabalhando com as consultorias em linguagem. Então resolvi registrar a resposta aqui no blog!

Há alguns meses, além de trabalhar, voltei a estudar a fim de me preparar, sim, para alguns concursos. Comecei estudando para os TRT’s, mas RESOLVI MUDAR A ROTA COMPLETAMENTE. Na verdade, sempre que sentava para estudar para os TRT’s sentia um desconforto e uma intranquilidade cujos motivos não sei explicar bem (acredito que cada um de nós tem perfil e talento para fazer algumas coisas e não outras); independentemente disso, também sempre tive em mente que o importante era estudar… estudar… uma hora, o alvo a ser perseguido ficaria mais claro. E ficou! Prestei um concurso para Procurador Judicial de São Caetano do Sul-SP, cidade em que resido, e fiquei classificada em 25º. Se serei chamada ou não, impossível saber agora; mas essa experiência foi mais do que suficiente para eu ter certeza de que continuarei estudando e prestando SOMENTE PARA AS PROCURADORIAS (algumas estaduais e municipais). Há um caminho a ser trilhado ainda, mas com paz e tranquilidade.

Vale ressaltar que continuo e continuarei, se Deus quiser, trabalhando com a escrita e a interpretação; aliás, após a nomeação, tenho planos de colocar em prática várias ideias para ajudar meus clientes mais e mais (aulas em vídeo, questões de interpretação comentadas etc.)!!!

Beijo grande. Bora estudar um pouco mais agora!!!

 

 

Voo e perfil de texto: seu destino está em jogo

Um dia desses eu estava em um voo de São Paulo-SP para Belo Horizonte-MG. Durante os procedimentos que antecedem a decolagem, uma comissária, ao dar vários avisos, falou também qual era o destino daquela aeronave. Imediatamente uma passageira se levantou e disse que aquele não era o seu voo; achava que a aeronave a levaria para Recife-PE quando, na verdade, estava indo para BH.

Há candidatos a concursos públicos que escrevem tendo a plena convicção de que seus textos os farão alcançar os resultados almejados, afinal gastaram muito dinheiro em cursinhos e creem ter aprendido o passo a passo para escreverem bem. Aprenderam um certo “jeito” de escrever, uma fórmula que costuma lhes dar certo conforto e menos sofrimento. Mesmo quando digo “fulano, isso não vai dar certo”, há alguns que insistem em não tomar o caminho da reflexão, do raciocínio, do pensamento, do SENTIDO e da escrita periódica (sim, a frequência é muito importante). Resultado: surpresa e notas baixas.

Não adianta escrever… escrever… escrever como uma máquina! Não é suficiente estar dentro da aeronave; você tem de estar no voo certo para chegar ao destino desejado.

Escrita de estudos de caso

Hoje, pessoal, escreverei sobre um assunto que gera muita dúvida entre os ‘concurseiros’ e que sempre é objeto de perguntas.

Nas provas, precisamos notar que a banca examinadora costuma usar terminologias diferentes para solicitar textos também distintos: “redação”, quando se trata de tema geral e sem relação direta com as atribuições do cargo ou do órgão pretendido; “prova discursiva”, quando se trata de tema técnico-específico a ser discorrido pelo candidato; “estudo de caso”, quando se trata de prova também técnica-específica, mas com a peculiaridade de nela haver, como o próprio nome indica, um caso hipotético cujos institutos jurídicos devem ser identificados, fundamentados e analisados/solucionados.

Em uma prova discursiva, diferentemente de um estudo de caso, a banca simplesmente pedirá, por exemplo, que o candidato disserte sobre o “Princípio da Preclusão no Processo do Trabalho”. Bastará ao candidato reproduzir com organização/coesão e correção gramatical os aspectos jurídicos mais relevantes (que constam nos livros) e que foram previamente memorizados. Já em um estudo de caso, o candidato deverá, de acordo com uma história narrada pela banca, identificar o instituto jurídico e aplicar seus conhecimentos jurídicos à solução do caso; precisará, portanto, fundamentar cada afirmação ou solução; necessitará correlacionar caso hipotético e conhecimento legal ou jurisprudencial.

Posto isso, que tal começarmos a praticar escrever os estudos de caso? Somente praticando saberemos se realmente já conseguimos atender ao que se espera desse tipo de texto!

 

“Travei”… “Deu branco” !!! – Parte I

Quem já não sentiu, diante de um tema (de prova, geralmente) a ser escrito, que o pouco tempo para desenvolvê-lo, bem como a ansiedade e o nervosismo impediram o pensamento de fluir na “hora H”? Vamos conversar um pouquinho sobre isso… Separei o assunto em alguns tópicos: 1. Fator tempo; 2. Fator psíquico; 3. Fator técnico (habilidade para pensar o tema e escrever). Hoje vou escrever sobre o FATOR TEMPO!

Pessoal, não existem milagres (pelo menos quando o assunto é escrita!); escrever um bom texto dissertativo de 25 a 30 linhas requer tempo, ou seja, no mínimo 50 a 60 minutos, geralmente. Não por acaso é assim. Você gastará tempo para ler, reler e interpretar a proposta da banca; gastará, em seguida, mais bons minutos para selecionar as informações (diversificadas) que serão inseridas no texto (e isso não é fácil); investirá tempo na elaboração da ideia selecionada (isso também é demorado, pois o modo como se escreve dará maior ou menor argumentatividade ao texto, e maior ou menor organização); você ainda verá o relógio passar enquanto reescrever algumas partes, retirar outras, mudar algumas de lugar, corrigir a gramática etc.; por fim, ainda investirá bons minutos na leitura e releitura do texto, sem contar, também, a possibilidade de escrever um rascunho e ter de passá-lo a limpo.

Portanto, não adianta, antes da prova, ter aprendido a pensar variados temas e relacioná-los com os vários outros conhecimentos que já possui se, na “hora H” você negligencia o fator tempo! “Nadou, nadou e morreu na praia”…

Pode ser, obviamente, que o fator sorte esteja a seu favor e que você consiga driblar o tempo, criar excelentes argumentos, apresentar ótimas reflexões, estabelecer brilhantes relações semânticas no texto…

Mas confesso que isso seja bem difícil de acontecer.

Comunicado

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos clientes e amigos!

Como muitos sabem, hoje me submeterei a uma cirurgia. Em função disso, não responderei e-mails pelo menos nos próximos 2 ou 3 dias.

Obrigada pela compreensão e carinho.

Beijos mil.

Agendamentos em janeiro e fevereiro

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos clientes!

Entre os dias 19 de dezembro e 05 de janeiro estarei de férias; peço, portanto, que os agendamentos para os meses de janeiro e fevereiro sejam efetuados até o próximo dia 18, sexta, o que requer envio de e-mail até essa data. E-mails enviados após o dia 19 serão, sim, respondidos, mas não necessariamente no período de férias. Obrigada pela compreensão.

Grande abraço a todos!

 

Copiar e colar quando está em jogo a liberdade de uma pessoa?

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Estamos vivenciando a era do descaso que também se reflete na leitura e escrita, mesmo quando está em jogo a liberdade de um ser humano!

Para quem está acostumado com o Ctrl +C, Ctrl + V, segue um importante julgado do STF: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI229173,41046-STF+repreende+copia+e+cola+e+suspende+prisao+preventiva

Boa leitura!

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Falar para escrever
6 outubro 2017
Daniela: Sua explicação foi simples e objetiva. Me ajudou muito. Obrigada...
josiane: Bom dia! Gostaria de conhecer melhor qual é a sua forma de trabalho. Quero me prepara...
Carla Queiroz Pereira: Que bom, Carolina! Aproveite o blog! Beijo grande....
Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
michele: Olá Carla, Li seu artigo sobre as discursivas e concordo com o que você disse, princ...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br