Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

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Prova do TRE-SP: como está a sua preparação para a escrita de bons textos?

Para quem aguarda ansiosamente o edital do TRE-SP, a escrita das redações deve ser inserida diligentemente na grade de estudos (e bem antes da publicação do referido edital). Escrever é uma atividade intelectual complexa (já disse isso aqui algumas vezes), nada mecânica, e que geralmente não acontece de maneira satisfatória com apenas 2 ou 3 meses de prática. Dependendo das dificuldades de escrita, são necessários, no mínimo, 6 meses de prática constante (escrita e reescrita), além de um bom professor para incisivamente “puxar” o raciocínio do candidato e fazê-lo pensar de maneira criativa (sem modelinhos engessadores) etc.

Nesse contexto, será interessante escrever temas variados. Como as provas do TRE têm muitos temas gerais associados ao cargo pretendido (e ao órgão), seguem aqui alguns para vocês!!!

Tema 01: INSTRUMENTOS DE PARTICIPAÇÃO PARA ALÉM DO VOTO

Tema 02: JUSTIÇA ELEITORAL COMO FORMA DE FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA

Tema 03: O VOTO E OUTRAS FORMAS DE PARTICPAÇÃO POPULAR PARA PROMOÇÃO DA JUSTIÇA

Tema 04: A CORRUPÇÃO ENFRAQUECE A DEMOCRACIA BRASILEIRA?

Do TRT para as Procuradorias: esclarecendo meu momento

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos leitores!

Após eu ter concluído o curso de Direito, muitos clientes me perguntam se prestarei algum concurso da área jurídica e se continuarei trabalhando com as consultorias em linguagem. Então resolvi registrar a resposta aqui no blog!

Há alguns meses, além de trabalhar, voltei a estudar a fim de me preparar, sim, para alguns concursos. Comecei estudando para os TRT’s, mas RESOLVI MUDAR A ROTA COMPLETAMENTE. Na verdade, sempre que sentava para estudar para os TRT’s sentia um desconforto e uma intranquilidade cujos motivos não sei explicar bem (acredito que cada um de nós tem perfil e talento para fazer algumas coisas e não outras); independentemente disso, também sempre tive em mente que o importante era estudar… estudar… uma hora, o alvo a ser perseguido ficaria mais claro. E ficou! Prestei um concurso para Procurador Judicial de São Caetano do Sul-SP, cidade em que resido, e fiquei classificada em 25º. Se serei chamada ou não, impossível saber agora; mas essa experiência foi mais do que suficiente para eu ter certeza de que continuarei estudando e prestando SOMENTE PARA AS PROCURADORIAS (algumas estaduais e municipais). Há um caminho a ser trilhado ainda, mas com paz e tranquilidade.

Vale ressaltar que continuo e continuarei, se Deus quiser, trabalhando com a escrita e a interpretação; aliás, após a nomeação, tenho planos de colocar em prática várias ideias para ajudar meus clientes mais e mais (aulas em vídeo, questões de interpretação comentadas etc.)!!!

Beijo grande. Bora estudar um pouco mais agora!!!

 

 

Voo e perfil de texto: seu destino está em jogo

Um dia desses eu estava em um voo de São Paulo-SP para Belo Horizonte-MG. Durante os procedimentos que antecedem a decolagem, uma comissária, ao dar vários avisos, falou também qual era o destino daquela aeronave. Imediatamente uma passageira se levantou e disse que aquele não era o seu voo; achava que a aeronave a levaria para Recife-PE quando, na verdade, estava indo para BH.

Há candidatos a concursos públicos que escrevem tendo a plena convicção de que seus textos os farão alcançar os resultados almejados, afinal gastaram muito dinheiro em cursinhos e creem ter aprendido o passo a passo para escreverem bem. Aprenderam um certo “jeito” de escrever, uma fórmula que costuma lhes dar certo conforto e menos sofrimento. Mesmo quando digo “fulano, isso não vai dar certo”, há alguns que insistem em não tomar o caminho da reflexão, do raciocínio, do pensamento, do SENTIDO e da escrita periódica (sim, a frequência é muito importante). Resultado: surpresa e notas baixas.

Não adianta escrever… escrever… escrever como uma máquina! Não é suficiente estar dentro da aeronave; você tem de estar no voo certo para chegar ao destino desejado.

Escrita de estudos de caso

Hoje, pessoal, escreverei sobre um assunto que gera muita dúvida entre os ‘concurseiros’ e que sempre é objeto de perguntas.

Nas provas, precisamos notar que a banca examinadora costuma usar terminologias diferentes para solicitar textos também distintos: “redação”, quando se trata de tema geral e sem relação direta com as atribuições do cargo ou do órgão pretendido; “prova discursiva”, quando se trata de tema técnico-específico a ser discorrido pelo candidato; “estudo de caso”, quando se trata de prova também técnica-específica, mas com a peculiaridade de nela haver, como o próprio nome indica, um caso hipotético cujos institutos jurídicos devem ser identificados, fundamentados e analisados/solucionados.

Em uma prova discursiva, diferentemente de um estudo de caso, a banca simplesmente pedirá, por exemplo, que o candidato disserte sobre o “Princípio da Preclusão no Processo do Trabalho”. Bastará ao candidato reproduzir com organização/coesão e correção gramatical os aspectos jurídicos mais relevantes (que constam nos livros) e que foram previamente memorizados. Já em um estudo de caso, o candidato deverá, de acordo com uma história narrada pela banca, identificar o instituto jurídico e aplicar seus conhecimentos jurídicos à solução do caso; precisará, portanto, fundamentar cada afirmação ou solução; necessitará correlacionar caso hipotético e conhecimento legal ou jurisprudencial.

Posto isso, que tal começarmos a praticar escrever os estudos de caso? Somente praticando saberemos se realmente já conseguimos atender ao que se espera desse tipo de texto!

 

“Travei”… “Deu branco” !!! – Parte I

Quem já não sentiu, diante de um tema (de prova, geralmente) a ser escrito, que o pouco tempo para desenvolvê-lo, bem como a ansiedade e o nervosismo impediram o pensamento de fluir na “hora H”? Vamos conversar um pouquinho sobre isso… Separei o assunto em alguns tópicos: 1. Fator tempo; 2. Fator psíquico; 3. Fator técnico (habilidade para pensar o tema e escrever). Hoje vou escrever sobre o FATOR TEMPO!

Pessoal, não existem milagres (pelo menos quando o assunto é escrita!); escrever um bom texto dissertativo de 25 a 30 linhas requer tempo, ou seja, no mínimo 50 a 60 minutos, geralmente. Não por acaso é assim. Você gastará tempo para ler, reler e interpretar a proposta da banca; gastará, em seguida, mais bons minutos para selecionar as informações (diversificadas) que serão inseridas no texto (e isso não é fácil); investirá tempo na elaboração da ideia selecionada (isso também é demorado, pois o modo como se escreve dará maior ou menor argumentatividade ao texto, e maior ou menor organização); você ainda verá o relógio passar enquanto reescrever algumas partes, retirar outras, mudar algumas de lugar, corrigir a gramática etc.; por fim, ainda investirá bons minutos na leitura e releitura do texto, sem contar, também, a possibilidade de escrever um rascunho e ter de passá-lo a limpo.

Portanto, não adianta, antes da prova, ter aprendido a pensar variados temas e relacioná-los com os vários outros conhecimentos que já possui se, na “hora H” você negligencia o fator tempo! “Nadou, nadou e morreu na praia”…

Pode ser, obviamente, que o fator sorte esteja a seu favor e que você consiga driblar o tempo, criar excelentes argumentos, apresentar ótimas reflexões, estabelecer brilhantes relações semânticas no texto…

Mas confesso que isso seja bem difícil de acontecer.

Comunicado

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos clientes e amigos!

Como muitos sabem, hoje me submeterei a uma cirurgia. Em função disso, não responderei e-mails pelo menos nos próximos 2 ou 3 dias.

Obrigada pela compreensão e carinho.

Beijos mil.

Agendamentos em janeiro e fevereiro

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos clientes!

Entre os dias 19 de dezembro e 05 de janeiro estarei de férias; peço, portanto, que os agendamentos para os meses de janeiro e fevereiro sejam efetuados até o próximo dia 18, sexta, o que requer envio de e-mail até essa data. E-mails enviados após o dia 19 serão, sim, respondidos, mas não necessariamente no período de férias. Obrigada pela compreensão.

Grande abraço a todos!

 

Copiar e colar quando está em jogo a liberdade de uma pessoa?

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Estamos vivenciando a era do descaso que também se reflete na leitura e escrita, mesmo quando está em jogo a liberdade de um ser humano!

Para quem está acostumado com o Ctrl +C, Ctrl + V, segue um importante julgado do STF: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI229173,41046-STF+repreende+copia+e+cola+e+suspende+prisao+preventiva

Boa leitura!

Diretrizes para provas discursivas específicas (jurídicas)

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Pelo fato de a prova discursiva de alguns concursos versar sobre tema técnico (jurídico, geralmente), alguns candidatos pensam que a escrita é mais simples, bastando saber o conteúdo teórico. De fato, sem o conhecimento de Direito não se escreve o tema mais “tranquilo” dessa área; ou seja, não adianta ter conhecimento sobre produção de um bom texto se não há conhecimento do conteúdo jurídico abordado no enunciado.

Por outro lado, isso não é suficiente! Tenho atendido muitas pessoas que, embora tenham o saber técnico, jurídico, não conseguem fazer tal conhecimento aparecer nos textos. Logo, vão aqui algumas orientações:

1. Se a banca examinadora expôs um caso hipotético e fez uma pergunta a respeito, é necessário que você, candidato, faça um cruzamento entre o conhecimento técnico e o caso proposto; não é suficiente a exposição da lei ou de doutrinas sem relacioná-los ao caso (obs: é por meio do edital que o candidato poderá saber se será cobrado um estudo de caso ou não);

2. Se a banca apresentou um caso sobre lançamento do crédito tributário e perguntou, por exemplo, se o fiscal da RF agiu corretamente ao lançar tal crédito, não basta responder que ‘sim’ ou que ‘não’; você deve explicar, tomando o caso (sempre), por que o lançamento está (ou não) adequado, fundamentando com o CTN e jurisprudência, se houver; se não estiver adequado, deve, ainda, explicar qual seria o correto lançamento (o exemplo está dentro do Direito Tributário, mas se aplica a qualquer outra matéria de Direito);

3. Em prova dissertativa sobre tema específico, mas que foge ao estudo de caso (quando a banca apenas pede para discorrer sobre determinado conteúdo jurídico), destrinche bem a lei, no caso de uma pergunta cuja resposta esteja na lei, ou parte da doutrina e jurisprudência, caso seja uma questão mais doutrinária; havendo súmula a respeito, não deixe de colocá-la! A prova do TRT-GO (AJAJ), por exemplo, teve este perfil de discursiva específica;

4. Uma dica para quem prestará TRT’s: experimente, você mesmo, abrir o livro de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho e criar temas. Se abrirmos em recursos, por exemplo, veremos um assunto muito importante, qual seja, “princípios recursais no processo trabalhista”. Que tal discorrer sobre? Como na prova do Paraná só haverá uma prova discursiva específica, acredito que essa possa ser uma boa estratégia;

5. Vejo muitas respostas econômicas, sucintas, brevíssimas… Parece que muitos de vocês ficam com medo de escrever, têm medo de errar. Vocês ouvem tantos mitos sobre a escrita por aí… My God!!! Resultado: vocês ficam travados, engessados e com medo! E pior: respondem de forma incompleta o que foi perguntado, o que certamente acarretará perda de pontos na prova. Please, don’t worry!

Abraço. Espero ter podido ajudar.

Por que tantos exemplos (e tantos exemplos elaborados de forma inadequada)?

Atendi, ontem, uma jovem com formação na área jurídica e que já prestou vários concursos para o Tribunal Regional do Trabalho (cargo de Analista Judiciário – Área Judiciária).  Resolvi escrever sobre o relato dela, pois, embora seja uma nova cliente, a história que ela contou é bastante recorrente durante os atendimentos. Ou seja, a história se repete… repete…

Esta jovem, segundo suas informações, tem rendimento quase 100% nas provas objetivas. Alimenta, então, o sonho de ser aprovada em um certame, mas logo o sonho torna-se um drama, pois suas dissertações com temais gerais são sempre pontuadas com notas baixas (7,0… 7,5…).

Lendo a redação, percebi que os parágrafos do desenvolvimento sempre traziam exemplos (e enormes exemplos) que particularizavam demais uma determinada questão, restringindo o tema ou simplificando-o. Indagada a candidata sobre isso, ela me respondeu: “Carla, aprendi em outro curso que em todos os parágrafos eu deveria trazer exemplo para confirmar minha tese”.

CUIDADO COM O QUE VOCÊ OUVE, QUERIDO LEITOR! Exemplos são importantes e podem (podem, se bem escritos) funcionar como recursos argumentativos nos textos; no entanto, candidato, sua dissertação não pode ser repleta de exemplos; você não pode usar os exemplos como forma de substituição de relações e reflexões que devem ser feitas por VOCÊ, como se fossem uma “tábua de salvação”; rechear a redação de exemplos pode mostrar que você não tem um repertório interessante de conhecimentos que possam ser usados para diversificar as informações no texto.

Os exemplos devem, na verdade, corroborar o que já foi pensado por você, raciocinado por você; devem se encaixar perfeitamente com o que já foi escrito no texto! Aí, sim, eles cumprirão sua função e serão capazes de encantar o seu leitor-examinador! A propósito, já li excelentes redações em que os exemplos ‘caíram como uma luva’ no texto!

 

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17 abril 2017
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Carolina: AMEI a sua explicação, professora! Farei esse tema para a nossa próxima redação! :) S...
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Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br