Gramática boa com texto ruim. Isso é possível?

agosto 21st, 2019 por Carla Queiroz Pereira

Bom dia, queridos leitores!

Há poucos minutos me deparei com o seguinte relato, exposto em um grupo do Facebook, de um candidato ao último concurso do Ministério Público-SP: “(…) Gostaria de saber como eu devo escrever, porque eu devo escrever muito mal. Pela segunda vez reprovado na segunda fase por 3 pontos (…)”.

Relatos como esse são muitíssimo comuns… mais comum ainda é o candidato ler seu texto pontuado pela banca e não conseguir identificar as razões pelas quais fora penalizado, afinal a gramática costuma estar boa, e o conhecimento jurídico, na “ponta da caneta”.

Só uma leitura perspicaz – e com base também em conhecimentos linguísticos – poderá fazer um diagnóstico preciso do texto deste candidato. Devem ser analisados aspectos como relações semânticas (de sentido) no período, entre períodos e entre parágrafos, bem como uso adequado dos elementos coesivos (“por essa razão”, “ademais”, “portanto”, “além disso”, “conquanto” etc.), encadeamento lógico, seleção e organização das informações, progressão textual etc., pois esses precisam ser demonstrados pelo candidato.

O raciocínio por parte do examinador é o seguinte: o texto do candidato – em termos gramaticais e linguísticos – deve ser compatível com o cargo de promotor de justiça, por exemplo. Se a banca não se convencer disso, não adiantará todo o conhecimento jurídico exposto.

O caso do candidato me lembrou um outro de uma candidata ao concurso para a magistratura do trabalho…ela havia feito 9 segundas fases antes de começarmos a trabalhar juntas, e, agora, só aguarda a nomeação! Está aqui no blog uma descrição do que acontecia em suas provas:

http://aescritanasentrelinhas.com.br/2017/11/06/sabe-tudo-so-que-nao/