Será que toda ajuda de fato ajuda?

abril 23rd, 2019 por Carla Queiroz Pereira

Comumente vejo candidatos a concursos públicos comprando cursos que se propõem a aumentar o repertório de conhecimentos do aluno para que este consiga escrever uma redação que tenha bom conteúdo; são vendidos textos sobre sociologia, filosofia, meio ambiente etc. A pergunta que surge é a seguinte: ler e até memorizar o conteúdo apresentado já nos habilita a escrever uma boa dissertação?

Sem dúvida, ter sobre o que escrever, ou seja, possuir uma bagagem de conhecimentos é imprescindível na hora de produzir um texto. No entanto, de nada (ou quase nada) adianta ter conhecimentos esparsos, desconectados das relações que tais conteúdos têm com outros. Do produtor do texto exige-se muito mais: ele precisará ser capaz de raciocinar em cima do conteúdo lido, estabelecer uma relação com outros temas, aplicar aquele conhecimento ao contexto em que vive, refletir criticamente sobre o que leu, opinar etc.

Não sem razão vejo tantos textos em que os candidatos simplesmente despejam conteúdos previamente decorados, conteúdos estes que, na redação, não se relacionam com o tema da banca propriamente dito, nem tampouco com outras partes da redação. Conclusão: um texto que receberá uma nota ruim em conteúdo e em estrutura, salvando, talvez, a expressão (parte gramatical).

Fica a sugestão: leiam, sim, entendam os textos lidos; mas aprendam também a relacioná-los a outros textos, a pensar sobre o que leram a partir da experiência vivida etc. Isso é ler de fato! E não existem atalhos para escrevermos bons textos!