Falar para escrever

outubro 6th, 2017 por Carla Queiroz Pereira

Não é incomum eu perguntar para um cliente enquanto leio seu texto: “fulano, o que você quis dizer aqui”? Geralmente recebo uma resposta do tipo: “Carla, eu gostaria de escrever … (e o cliente continua falando exatamente o que gostaria de dizer/escrever e não escreveu). O dito não é condizente com o que seu texto apresentava. Ou seja, muitas vezes alguém sabe dizer o que quer escrever, mas não sabe escrever o que sabe dizer.

E o que faço neste momento? Simplesmente respondo: “fulano, agora, então, você vai usar a sua fala para escrever o que você me disse, vamos lá”! Na interação, faço novamente uma pergunta cuja resposta servirá de conteúdo para o texto a ser reescrito; o cliente, com o arquivo aberto, ao mesmo tempo em que me responde, já começa a reescrever, sempre sendo incentivado a reler o que já foi escrito e a usar sua fala para organizar sua escrita. Nesse processo interativo, releio seu texto, o indago a respeito, o faço estabelecer relações com outros conhecimentos etc., conforme os problemas que vão aparecendo e desaparecendo.

Que tal usar mais a sua fala para escrever? Obviamente a escrita não é mera transcrição da fala, mas o ajudará a se organizar e a escrever o que realmente queria.

Grande abraço.