Prova de português da FGV: isso, sim, é interpretar!

setembro 19th, 2017 por Carla Queiroz Pereira

Você também é uma daquelas pessoas que morre de medo das questões de português ou detesta fazer esse tipo de prova?

Há poucos dias, querido leitor, recebi várias reclamações da prova de português do TRT/SC, elaborada pela FGV. Resolvi as questões para entender a razão dos descontentamentos e até revoltas…

Conclusão: os candidatos às provas do TRT estão muitíssimo (mal)acostumados com as questões rasas e superficiais da FCC; sim, rasas, pois um professor que pega a prova de português da FCC para resolver percebe logo que a interpretação demandada por essa banca é simplória, exigindo-se bem pouco em termos de atividade realmente interpretativa. Não é isso o que ocorreu com a última prova de português do TRT/SC. Um professor que tem boa base de funcionamento da linguagem consegue compreender os conhecimentos linguísticos e discursivos que foram cobrados pela FGV. Aquela era, de fato, uma prova de interpretação, afinal não era suficiente a mera memorização de conteúdos e a reprodução destes; muito mais do que isso, era preciso que o candidato mobilizasse diversos conhecimentos, a exemplo daquela questão sobre o texto “analgésico espinhoso”.

Para respondê-la corretamente, o candidato teria de transitar do sentido conotativo para o denotativo; precisaria perceber que a ordem com que os períodos foram colocados no texto era determinante na atribuição de um sentido e não de outro; necessitava levar em consideração o fato de o texto ter sido publicado em uma revista científica etc. A questão era muito inteligente! ISSO, SIM, É PROVA DE PORTUGUÊS; ISSO, SIM, É INTERPRETAR.

O que precisamos mudar então? Precisamos começar a estudar português de verdade! E com base linguística, não meramente gramatical.

As provas da FGV e da banca CESPE são nesta linha. Não fuja dessas provas, aprenda adequadamente e, mais uma vez, cuidado com cursos que não conseguem ensiná-lo a pensar de maneira criativa.