Concurseiros que ficaram doentes…

fevereiro 17th, 2017 por Carla Queiroz Pereira

Nunca me esqueço deste caso: LS era um jovem como qualquer outro; passeava, pegava uma praia, tinha tempo para namorar e ficar com amigos e parentes… Até que um dia ele resolveu estudar para concurso; decidiu que prestaria os TRT’s, cargo de Analista Judiciário, área Judiciária (AJAJ). Achou que deveria, para ser aprovado, somente estudar os 7 dias da semana. Já não mais dava a devida atenção para a namorada; não ia correr na praia com o pai, corrida que, segundo o candidato, proporcionava momentos maravilhosos de interação pai-filho; além disso, não mais separava tempo para jogar conversa fora com os amigos, visitar tios ou primos etc. Em menos de 1 ano o assunto se tornou somente um: concurso público! Nada mais importava tanto como estudar direito do trabalho, constitucional, administrativo e todos os outros direitos que conhecemos. E se passaram 2 anos da vida…

LS, auto-confiante e já bem preparado, prestou suas primeiras provas. Apesar de ter ido excelentemente bem nas objetivas, ficando nas primeiras colocações, ainda não havia dado a devida atenção para a redação – pensou, erroneamente, que, como ia bem em português (pelo menos nas provas objetivas), chegaria na prova e conseguiria escrever uma boa dissertação -, passando, assim, a desenvolver sintomas de alguém que já não estava tão bem psicologicamente. LS, com as frustrações normais que um concurseiro geralmente tem, passou a ficar extremamente ansioso, com medo (medo de escrever, medo de fazer o próximo concurso e ter mais frustração, medo de enfrentar os problemas) e, em seguida, deprimido. Já não mais era possível a LS sentar e estudar tranquilamente. Conclusão: teve de deixar tudo, parar com tudo e ir se tratar com um bom psiquiatra e um bom psicólogo. E LS foi se cuidar… dar, agora, ao seu corpo e à mente, a atenção que sempre precisaram.

Após este período de tratamento, LS envia um e-mail me dizendo que queria voltar a estudar e se preparar com afinco e seriedade para a redação. Mas LS estava diferente; afirmou, veementemente, que a vida tinha voltado ao equilíbrio e que não mais deixaria de fazer coisas importantes em prol unicamente dos estudos. Reconheceu que a vida precisava de atenção e cuidados!

Começamos a trabalhar sobre as dissertações, semana após semana, até a próxima prova: TRT-MG (Técnico). Mesmo com certo receio, LS, já saudável novamente, enfrentou o seu gigante e conseguiu dar o melhor de si. De volta à alegria de viver a vida, LS escreveu uma boa dissertação (aliás, escreveu um dos temas mais difíceis que já vi) e ficou em 19º lugar. Conclusão: já tomou posse nesse tribunal!

Queridos, cuidem da saúde, mental e física; observem e respeitem os sinais que o corpo carinhosamente lhes dá.

Se não cuidarmos da saúde, vamos ter de separar tempo depois para cuidar da doença, sem a garantia de que tudo voltará ao normal. LS teve um final feliz, mas que poderia ter sido, sem dúvida, menos traumático, com mais alegria e equilíbrio.

Momentos perdidos não voltam nunca mais…