Quando a banca erra…

agosto 5th, 2015 por Carla Queiroz Pereira

A banca FCC, como muitos sabem, vem “inovando” seu modo de cobrar certos conhecimentos dos candidatos; isso é facilmente observado em algumas provas de português e redação. Tal mudança pode ser interessante desde que não sejam retirados dos candidatos os meios pelos quais eles poderão chegar a uma resposta plausível (tratando-se da prova objetiva de português) ou compreender o enunciado da proposta da redação. O problema surge quando, juntamente com essa “inovação”, leitor, também aparecem os erros! E erros conceituais grosseiros. A banca, na tentativa de eliminar centenas de candidatos, erra na elaboração de sua prova e acaba induzindo-os ao erro. Pode ter sido um erro proposital? Sim, sem dúvida.

É lamentável o que comumente vejo nas provas da FCC, como vi no enunciado da redação para o cargo de Técnico Judiciário, na prova do TRT-MG, aplicada recentemente, dia 26.07. O enunciado e a proposta eram os seguintes:

I. Para além da fidelidade e integridade da informação, problema que se impunha com os veículos tradicionais da mídia, hoje, com a internet, o homem enfrenta um novo desafio: distinguir, de uma profusão de informações supérfluas, as que lhe importam na formação de um pensamento que garanta sua identidade e papel social.
II. Ponto de vista não é apenas a opinião que desenvolvemos sobre determinado assunto, mas também o lugar a partir de onde consideramos o mundo e que influencia de maneira cabal nossas percepções e ações.
III. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. (ANDRADE, Carlos Drummond de. “A flor e a náusea”)
Redija um texto dissertativo-argumentativo a partir do que se afirma em I, II e III.

Ora, qual a relação de sentido entre I, II e III para que possamos compreender o tema claramente e escrevermos uma redação obedecendo aos quesitos da unidade de sentido, da coesão textual, da progressão etc.? Se o candidato seguiu estritamente o que foi proposto, certamente incorreu em erro de coesão, seleção de informações, argumentação etc.; talvez tenha escrito 3 parágrafos de desenvolvimento (um para cada um dos três textinhos), mas em que um não “conversa” com o outro em termos de ideias, relações de sentido.  Consequentemente, perderá preciosos pontos em conteúdo e estrutura.

O candidato bem preparado em termos textuais consegue, não raras vezes, driblar até esse tipo de erro cometido pela banca examinadora. No caso desta prova, saber que TODO TEXTO DEVE TER UNIDADE DE SENTIDO (E SABER IDENTIFICAR ISSO NO PRÓPRIO TEXTO) ERA SIMPLESMENTE CRUCIAL! Sabedor disso, o candidato não procuraria escrever parágrafos de desenvolvimento isolados, sobre os textos I, II e III, mas buscaria estabelecer e CRIAR as relações de sentido não existentes inicialmente. CRIAR RELAÇÕES DE SENTIDO NÃO EXISTENTES INICIALMENTE ERA O GRANDE DESAFIO NESTA PROVA!!! E RELAÇÕES REALMENTE DE SENTIDO, ISTO É, LÓGICAS, COERENTES, PLAUSÍVEIS!
Parabéns aos que conseguiram!!! Estou ansiosa para ler as dissertações!!!