Por que tantos exemplos (e tantos exemplos elaborados de forma inadequada)?

maio 9th, 2015 por Carla Queiroz Pereira

Atendi, ontem, uma jovem com formação na área jurídica e que já prestou vários concursos para o Tribunal Regional do Trabalho (cargo de Analista Judiciário – Área Judiciária).  Resolvi escrever sobre o relato dela, pois, embora seja uma nova cliente, a história que ela contou é bastante recorrente durante os atendimentos. Ou seja, a história se repete… repete…

Esta jovem, segundo suas informações, tem rendimento quase 100% nas provas objetivas. Alimenta, então, o sonho de ser aprovada em um certame, mas logo o sonho torna-se um drama, pois suas dissertações com temais gerais são sempre pontuadas com notas baixas (7,0… 7,5…).

Lendo a redação, percebi que os parágrafos do desenvolvimento sempre traziam exemplos (e enormes exemplos) que particularizavam demais uma determinada questão, restringindo o tema ou simplificando-o. Indagada a candidata sobre isso, ela me respondeu: “Carla, aprendi em outro curso que em todos os parágrafos eu deveria trazer exemplo para confirmar minha tese”.

CUIDADO COM O QUE VOCÊ OUVE, QUERIDO LEITOR! Exemplos são importantes e podem (podem, se bem escritos) funcionar como recursos argumentativos nos textos; no entanto, candidato, sua dissertação não pode ser repleta de exemplos; você não pode usar os exemplos como forma de substituição de relações e reflexões que devem ser feitas por VOCÊ, como se fossem uma “tábua de salvação”; rechear a redação de exemplos pode mostrar que você não tem um repertório interessante de conhecimentos que possam ser usados para diversificar as informações no texto.

Os exemplos devem, na verdade, corroborar o que já foi pensado por você, raciocinado por você; devem se encaixar perfeitamente com o que já foi escrito no texto! Aí, sim, eles cumprirão sua função e serão capazes de encantar o seu leitor-examinador! A propósito, já li excelentes redações em que os exemplos ‘caíram como uma luva’ no texto!