Por um décimo e um centésimo

março 10th, 2015 por Carla Queiroz Pereira

Ser um defensor público, um promotor de justiça ou um juiz é o sonho de muitos profissionais da área jurídica. Para ser aprovado em um concurso dessa natureza, leitor, são necessários não menos que 2 anos de estudo sistemático, investindo-se cerca de 6 horas diárias em leituras, cursos e resolução de exercícios. Vamos supor, então, que você tenha sido aprovado na primeira fase do concurso para defensor público; vamos considerar, ainda, que você tenha, na segunda fase, escrito uma excelente peça, com precisão técnica impecável, e respondido corretamente às questões discursivas. Embora seu conhecimento jurídico seja amplo, sua letra (sim, sua letra) pode deixá-lo fora do certame, acredite!

Recentemente atendi um caso assim… Um candidato ao concurso para Defensor Público do Estado de Pernambuco me procurou para eu analisar sua prova e verificar se caberia algum recurso quanto às correções de português. Lida a prova, verifiquei que alguns erros microestruturais foram cometidos e corretamente sinalizados pela banca. Mas um outro aspecto no texto também me chamou a atenção. Problemas de traçado da letra (letra mal desenhada) foram corrigidos como erros de grafia ou gramaticais; por exemplo, as letras “a” ao final de “Douta Procuradoria”, pareciam, pela leitura, letras “o”, o que penalizou o candidato com erro de concordância. Ou seja, o candidato perdeu muito mais pontos do que deveria (erro de legibilidade penaliza menos que erro gramatical). Além disso, o pingo da letra “i” parecia um acento agudo, o que também fez com que o examinador, equivocadamente, penalizasse o candidato com erro de grafia. Conclusão: o candidato precisava de 15 pontos nas provas dissertativas, mas ficou com 14,89 (por um décimo e um centésimo). O recurso foi enviado, mas vemos que se trata de um problema que facilmente poderia ter sido evitado!

Cuidado, candidato! Seja zeloso com tudo, inclusive com a qualidade da sua letra!