“Não sei por onde começar”

dezembro 15th, 2013 por Carla Queiroz Pereira

Domingo, 15 de dezembro, 13h30. Após o almoço, estou em casa pensando que irei descansar, dormir, literalmente, afinal a semana foi beeeeeem puxada (muuuuito trabalho, provas da faculdade e apresentação em espetáculo de dança). Enquanto me preparo para o meu momento ‘relax’, caro leitor, recebo a seguinte mensagem no meu celular: “Acabei de entregar minha prova aqui em Campinas (TRT-Campinas) e o tema foi “O exercício do humor nas relações sociais”; não sabia nem como começar… muito triste“.

Continuo morrendo de sono, mas será impossível dormir sem escrever este post antes!

Diante da afirmação do candidato, veio à  minha mente a seguinte pergunta: que tipo de texto nós sabemos como começar? Ou seja, há algum tema que me permita ‘bater o olho nele’ e já ter todas as informações selecionadas, todas as ideias encadeadas, todos os argumentos elaborados? Há? Talvez sim, alguns temas jurídicos, aqueles cujos conteúdos são memorizados previamente (exemplo: ‘Disserte sobre os efeitos devolutivo e suspensivo dos recursos’); basta estudar, ou melhor, decorar o Código de Processo Civil, alguma doutrina e jurisprudência.

Esse processo não ocorre e NÃO FUNCIONA para os temas argumentativos/gerais. Nesses temas, candidato, há um processo criativo, que exige pensamento e reflexão. Não conheço nenhum processo criativo em que o criador já sabia, de antemão (no momento inicial da criação), como começaria, como desenvolveria e como finalizaria a sua obra.

Quando você, candidato, se depara com um tema como o da prova do TRT-Campinas (não jurídico, não específico), você precisa parar e refletir; você precisa, primeiramente, ABANDONAR A IDEIA de que tudo virá à sua mente como um produto acabado! Se não abandonar essa expectativa, não há como começar a criar.

Considerando a proposta da banca (“O exercício do humor nas relações sociais”), que tal começarmos pensando? Nesse sentido, alguns questionamentos nos poderão ser úteis. Certamente já assistimos a alguns programas humorísticos, peças teatrais, comédias etc.; também já fizemos trocadilhos e piadinhas com os colegas de trabalho, familiares, amigos… Façamos, então, um movimento mental até esses programas, peças, filmes ou fatos do cotidiano (escolhamos os mais inteligentes…interessantes). Que tipo de mensagem veiculam (questões políticas, valores, preconceitos)? Fazemos humor com qual finalidade (quais podem ser nossas intenções)? Qual a importância do humor? Como podemos refletir sobre o texto humorístico? Qual a diferença entre os textos humorísticos e outros textos? Por que eles existem? Por meio de quais recursos o humor é produzido?

Bem, se tentarmos responder aos questionamentos acima, refletindo sobre o mundo ao nosso redor, já temos um caminho, conseguimos começar a pensar no tema. Um pensamento gerará outro… que gerará outro… que gerará outros… Claro, precisaremos selecionar alguns, jogar outros fora, organizar os selecionados, encadeá-los… tudo isso durante a escrita.

Portanto, queridos, ao invés de já concluirmos que não sabemos por onde começar, que tal nos colocarmos a pensar sobre?

Espero ter podido ajudar um pouco mais. Se me permitam, com licença, vou dormir!

Beijão a todos!