Leitura e interpretação do tema: por que muitos erram?

novembro 8th, 2012 por Carla Queiroz Pereira

Lendo, toda semana, dezenas de textos produzidos por candidatos a concursos públicos, noto que uma dificuldade muito comum entre eles está na interpretação do tema, na descoberta daquilo que a banca espera ler na dissertação. O resultado disso é perda de muitos pontos (e, consequentemente, eliminação do candidato) em decorrência de fuga do tema, total ou parcial. Por que essa fuga acontece? Como evitar isso?

Tal fuga acontece, basicamente, por leitura de partes isoladas do enunciado, sem consideração do todo. Ou seja, o candidato atribui o sentido a uma parte da questão, mas deixando de relacionar tal sentido com o sentido das demais frases ou períodos do mesmo enunciado. Um exemplo ilustrará bem esse fato. Vejamos o seguinte tema:

TRT 4ª REGIÃO – FEVEREIRO 2011

O direito à informação é um dos sustentáculos do mundo democrático. Sem esse direito, ou usufruindo-o de modo apenas relativo, não temos como compreender e julgar situações, pessoas e decisões que, de algum modo, têm influência em nossa vida. Não se entende, portanto, que haja quem defenda restrições à liberdade de imprensa. A liberdade dos meios de comunicação não lhes pertence: é a liberdade de todos nós.

Com base no que diz o texto acima, redija uma dissertação, na qual se discuta, de modo claro e coerente, com argumentos, a seguinte afirmação:

Os órgãos de imprensa apenas espelham a realidade.

Ao escrever sobre esse tema, uma candidata que atendi ontem mesmo dissertou sobre o exercício do direito à livre manifestação do pensamento, sobre a importância da liberdade da imprensa e dos meios de comunicação etc. A candidata, portanto, desenvolveu toda a sua argumentação com base apenas na leitura do texto motivador (texto que abre o enunciado). No entanto, a banca solicitou: Com base no que diz o texto acima, redija uma dissertação, na qual se discuta, de modo claro e coerente, com argumentos, a seguinte afirmação: Os órgãos de imprensa apenas espelham a realidade. Vemos, assim, que toda a argumentação do texto da candidata deveria estar voltada para a discussão a respeito do que foi afirmado pela banca.

Muitos me perguntarão: Carla, se a banca está afirmando que os órgãos de imprensa apenas espelham a realidade (ou seja, que os órgãos de imprensa representam o mundo, apenas transmitem o que acontece no mundo real), por que, então, ela não falou nada sobre isso no texto motivador? Aliás, devo dar atenção ao texto motivador? Essas são questões que responderei no próximo post!!!