Acertar sem interpretar

maio 11th, 2011 por Carla Queiroz Pereira

Quando você, candidato a concurso público, resolve questões de interpretação de texto de uma prova, e acerta, crê que está no caminho certo, que está se preparando bem e que já consegue interpretar, afinal, a prova foi denominada, pela banca, como sendo de interpretação. Mas eu afirmo que você pode ter aprendido a resolver questões de prova sem, necessariamente, ter aprendido a interpretar. Por que isso acontece? Porque muitas questões de prova cobram aspectos superficiais da leitura de um texto ou tentam confundir os candidatos, ao invés de instigar o raciocínio e a reflexão, próprios de uma atividade de interpretação.

Quando um profissional da linguagem se depara com questões elaboradas por certas bancas, ele simplesmente fica decepcionado. Pensa: “puxa, há tantas coisas legais e inteligentes para serem cobradas”. Ou: “o que há de interpretação nesta ou naquela questão”?  

Pelo fato de muitas bancas não cobrarem interpretação em uma prova assim denominada, acertar questões pode nos dar uma impressão equivocada de que estamos aprendendo a interpretar. 

Para quem quiser conhecer questões de prova em que seja cobrada a interpretação, de fato, sugiro uma olhadinha nas provas da FUMARC, uma banca de MG. Essa banca elabora provas mais inteligentes; servem como uma boa fonte de estudos. 
Os editais da Fumarc têm trazido conteúdos de linguística. Veja só:
LÍNGUA PORTUGUESA – NÍVEL SUPERIOR – TODOS OS CARGOS
Enunciação; Conhecimento prévio; Intertextualidade; Gêneros textuais; Tipologia textual;
Interpretação e Compreensão de textos; Variabilidade lingüística; Semântica: construção de
sentido e efeitos de sentido, sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia; Polissemia e figuras
de linguagem; Pontuação e efeitos de sentido; Denotação e conotação; Relações lexicais;
Linguagem verbal e não verbal; Tipos de discurso; Aspectos de textualidade: coesão e
coerência.
 
Muito interessante o edital !!! Tomara que os examinadores de outras bancas também comecem a estudar mais linguística, a raciocinar mais, a pensar mais na hora de elaborar uma prova de INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS.