Quando a leitura de um ‘E’ faz a diferença

setembro 15th, 2009 por Carla Queiroz Pereira

Se você escreve algo para alguém, espera que tal texto seja lido, certo? Parece tão óbvio pensar que a escrita de um texto pressupõe um leitor previsto, não é mesmo? Hoje vou apresentar o relato de uma jovem graduada em Letras, que se “acostumou” com o fato de ter professores – de ensino fundamental, médio e superior – que não liam os textos dela. Confesso que nunca havia parado para pensar no sentimento que se forma dentro de uma pessoa que escreve, mas não tem um retorno de seu “mestre” quanto ao texto produzido. Antes do relato, um breve histórico.

Meu primeiro contato com a jovem formada em Letras aconteceu em um curso que ministrei em uma editora aqui de São Paulo-SP. Nesse curso – entitulado “Desenvolvendo a habilidade de produzir bons textos” -, minha preocupação era fazer com que os participantes escrevessem variados tipos de textos e os reescrevessem após minha intervenção. Cada texto era lido por mim e comentado, por escrito, de forma que o participante pudesse compreender os problemas textuais existentes em sua produção e refazer suas hipóteses. Era um trabalho de idas e vindas, tantas quantas fossem necessárias para termos a última versão do texto. Um trabalho de reflexão sobre a relação entre escrita & sentido, considerando os objetivos visados no texto, o interlocutor, o contexto de produção etc.

Encerrado o curso, a jovem mencionada no início deste post solicitou consultorias individuais. Em nosso primeiro encontro, ouvi o seguinte relato:

“Carla, logo que recebi de volta meu primeiro texto corrigido por você, pensei: puxa, ninguém lê os meus textos. Mas ela parou para ler o meu texto; ela percebeu que este ‘E’ que escrevi fez total diferença no sentido“.