Quando há duas alternativas

abril 3rd, 2009 por Carla Queiroz Pereira

A pessoa que enviou esse e-mail me permitiu postá-lo no blog. Trata-se de uma pergunta sobre qual seria a alternativa correta de uma dada questão. Veja:

Apliquei uma prova de interpretação de texto para meus alunos, e me questionaram a correção de uma das perguntas. A questão (tirada da internet) é:

Assinale a opção que melhor corresponde à frase atribuída a Aristótles:
“Somente o homem é um animal político, isto é, social e cívico,porque somente ele é dotado de linguagem.”

a) O homem tem consciência da importância da política.
b) A linguagem torna o homem um ser social e, portanto, político.
c) Somente o homem é capaz de fazer política.
d) É impossível viver em uma sociedade sem fazer política.
e) A política é o único objetivo da linguagem.

Considerei correta a alternativa (b), mas quando uma aluna me questionou sobre a alternativa (c) eu fiquei na dúvida. Será que as duas estão certas?

Resposta enviada:

De fato, sua aluna não está totalmente equivocada ao apontar a letra C como também associada à frase, afinal, a alternativa não contradiz as relações de sentido que podemos ver no exemplo. Se o homem é dotado de linguagem e é essa que o permite ser político e social (que o torna político e social), somente ele é capaz de fazer política (alternativa C), certo? Acontece, porém, que o enunciado da questão solicita “a opção que melhor corresponde à frase”, logo, se ele pede a “melhor”, já levantamos a possibilidade de mais de uma alternativa não estar totalmente incorreta (em termos de sentido… de interpretação). Se há duas (B e C) que estão de acordo com a frase, há uma delas que melhor corresponde. No caso, é a letra B mesmo. Por quê? Porque somente nela está expressa a relação entre a linguagem e o ser homem como sujeito social e político: “a linguagem torna o homem um ser social…”.

Observe que a alternativa C não fala nada sobre a linguagem como aquela que permite ao homem ser um animal político; fala, simplesmente, que somente o homem é capaz de fazer política. A letra B, ao contrário, diz isso e ainda explicita a razão de o homem ser um animal político.

As relações de sentido aqui expostas foram possíveis por causa de dois conectivos (elementos de coesão ou operadores argumentativos) muito importantes na frase: “isto é” e “porque”. Legal, né!