Você & a escrita: uma nova relação

janeiro 23rd, 2009 por Carla Queiroz Pereira

Tenho pensado bastante na função social da escrita, no que fazemos através dela, no que a escola nos fez pensar sobre ela e na nova relação que podemos estabelecer com ela. Gostaria de compartilhar isso, tomando alguns trechos do livro “Lutar com Palavras: coesão e coerência”, de Irandé Antunes.

“Usar a linguagem é um ato social, é um ato histórico, político (…)”. Tal uso adequado, porém, não é possível na base do que é certo ou do que é errado, como reforçado pela imprensa, pelas escolas etc. Questões do tipo “o que é certo” e o “que é errado” “não requerem um conhecimento mais relevante de como fazemos, por exemplo, para organizar um texto em função de: defender um ponto de vista, um princípio teórico; orientar uma argumentação; fazer uma ressalva; apresentar uma justificativa (…) etc. Essas, sim, são habilidades “muito mais úteis socialmente, na vida de cada cidadão”.

Sabe, leitor, a escola nos ensinou a escrever para um único leitor: o professor. Ensinou-nos a escrever sem termos uma razão, de fato, para escrever; uma escrita que não produzia qualquer efeito sobre as pessoas ou situações do nosso dia-a-dia. Escrevíamos por obrigação, para obtermos uma nota. Escrevíamos para nada e para ninguém. Temos visto, porém, que a escrita é para interagir, para intervir em uma dada situação, para defender um ponto de vista, para informar, para se divertir etc. Hoje escrevemos por uma razão e para alguém; escrevemos e temos um retorno de nosso leitor; hoje escrevemos e influenciamos a sociedade em que vivemos; hoje a escrita tem sentido para nós.