Reforma ortográfica: você gostou da idéia?

setembro 9th, 2008 por Carla Queiroz Pereira

Todos já sabemos: as regras ortográficas vão mudar de novo nos próximos anos. Para o nosso país passarão a valer em 2010!

Quando se fala em mudança nas regras de uma língua, muita gente não aceita. Durante as consultorias que presto ouço muitas pessoas dizerem: “puxa vida, Carla, já é difícil do jeito que está e agora tenho que me preocupar com essas mudanças”. Calma… calma, fulano, afinal, escrever ortograficamente é mais fácil que produzir um texto em que os enunciados estejam bem organizados, as relações de sentido sejam mantidas e a argumentação, de fato, exista. Isso é o que geralmente respondo tendo em vista os textos que produzem. É incrível observar como os clientes se queixam daquilo que mais sabem fazer: escrever ortograficamente. É verdade. Nos textos dos advogados, engenheiros, publicitários etc., quase não observo erros de grafia, pelo menos quando o uso de certas palavras é relativamente comum.

Aprender o novo modo de escrever será uma questão de tempo e de uso das palavras…somente das palavras, e não das frases, dos parágrafos, dos textos. Eu mesma precisarei me acostumar a escrever “linguística” e não “lingüística”, pois o trema já não mais existirá nas palavras em português (mas exitirá nos nomes próprios estrangeiros). Agora mesmo, escrevendo linguística neste post, fiquei pensando: iiiii, será que tiraram só o trema ou o acento no “i”, também? (Pois a palavra ”idéia”, por exemplo, será escrita como “ideia”). A tarefa foi simples: fiz uma consulta utilizando material confiável e escrevi linguística. Aprendi, ainda, que o acento agudo cai nas paroxítonas que têm “ei” ou “oi” na sílaba tônica (há outros casos de queda do acento agudo).  E é assim que aprenderemos as novas grafias: fazendo consultas… lendo… escrevendo… escrevendo… relendo… corrigindo… escrevendo novamente… lendo… reescrevendo…  

Bom, até 2009 vou continuar escrevendo lingüística, ok!? E enquanto não me acostumar com a idéia, vai até parecer que a lingüística não é tão lingüística quando escrevo linguística. Mas isso é um papo pra depois… tem a ver com a relação entre grafia aprendida, nova grafia e o sentido.