Escrever: por que muitos não aprenderam? – Parte II

março 20th, 2008 por Carla Queiroz Pereira

Quem não tem a prática constante de leitura/escrita significativa de textos, dentro e fora da escola, e comete certos “erros” na hora de escrever, acaba sendo rotulado, equivocadamente, de disléxico por professores, fonoaudiólogos, psicólogos etc., como já vi ocorrer com N crianças, adolescentes e até jovens universitários. Eles não tinham qualquer “doença”; somente passaram por um processo de ensino da leitura e escrita em que não lhes foi dado um espaço para o errar e o reconstruir de maneira inteligente, para o pensar e o refletir.

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Só para não acharem que é um exagero tudo isso que estou falando, vou contar um caso (se quiserem posso contar outros): recentemente uma aluna do curso de Letras de uma universidade particular me disse que a professora propôs a seguinte redação em sala de aula: “escrevam um texto com o provérbio ‘o mesmo risco que corre a minhoca, corre também a enxada’”. Então lhe perguntei: “qual foi sua sensação ao tentar escrever?” Ela me disse: “Eu simplesmente não tinha nada pra dizer… como a maioria dos alunos, eu nem conhecia aquele provérbio… aí tentei achar um sentido, mas não gostei do meu texto”. Percebendo que a aluna não entendeu o porquê da sensação que lhe gerava culpa, comecei a explicá-la sobre o que já disse aqui…dos requisitos para se produzir um texto etc.