Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Tirando o cérebro da zona de conforto

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Quem estuda para concursos sabe que a preparação para as provas objetivas é bastante exaustiva e massante. Temos de ler, reler, revisar periodicamente, repetir… repetir… decorar… além de fazer centenas de exercícios de cada matéria. Chega uma hora que o candidato vai no automático, afinal ele quer mesmo é marcar o “X” no lugar certo. Não se exige, nesta primeira fase, e dependendo da matéria e da banca examinadora, muito raciocínio, reflexão ou argumentação (falo sobre a complexidade linguística das tarefas). Exige-se (e demais) capacidade de memorização de um conteúdo gigantesco e resiliência por parte do candidato, entre outras habilidades. Por isso, de certa forma (de certa forma!), o cérebro fica numa certa zona de conforto depois de um tempo de estudo, quando o candidato já se exercitou demais para a fase das provas objetivas.

Isso não ocorre quando o assunto passa a ser ELABORAÇÃO DE TEXTOS, ESCRITA DE REDAÇÕES! Meros conhecimentos decorados e reproduzidos já não serão suficientes ao candidato que pretende a aprovação. Pelo contrário! O candidato, numa atividade bem diferente daquela praticada na primeira fase da sua prova, precisará PENSAR, REFLETIR, PERGUNTAR-SE “POR QUÊ”, “COMO”, “PARA QUÊ”; deverá aprender a RELACIONAR conhecimentos e informações estanques, antes adquiridos só para marcar “X”. Aliás, vejo, durante as consultorias que presto, que uma das maiores dificuldades dos candidatos está no estabelecimento dessas relações, algo que aprendemos a fazer em nossos encontros. E assim vamos tirando o cérebro da zona de conforto…  E não acabou: deverá, ainda, selecionar o que é importante, colocar em ordem as informações, reler, reescrever, repensar…

É… escrever dá trabalho mesmo!  Mas é uma atividade INTELIGENTE, que TIRA O CÉREBRO DA ZONA DE CONFORTO, DO AUTOMÁTICO! Quem não quiser trabalhar e exercitar o cérebro, vai ter de buscar outra meta, não a de ser aprovado em um bom concurso público.

Bons estudos a todos! Beijo grande.

Prova do TRE-SP: como está a sua preparação para a escrita de bons textos?

Para quem aguarda ansiosamente o edital do TRE-SP, a escrita das redações deve ser inserida diligentemente na grade de estudos (e bem antes da publicação do referido edital). Escrever é uma atividade intelectual complexa (já disse isso aqui algumas vezes), nada mecânica, e que geralmente não acontece de maneira satisfatória com apenas 2 ou 3 meses de prática. Dependendo das dificuldades de escrita, são necessários, no mínimo, 6 meses de prática constante (escrita e reescrita), além de um bom professor para incisivamente “puxar” o raciocínio do candidato e fazê-lo pensar de maneira criativa (sem modelinhos engessadores) etc.

Nesse contexto, será interessante escrever temas variados. Como as provas do TRE têm muitos temas gerais associados ao cargo pretendido (e ao órgão), seguem aqui alguns para vocês!!!

Tema 01: INSTRUMENTOS DE PARTICIPAÇÃO PARA ALÉM DO VOTO

Tema 02: JUSTIÇA ELEITORAL COMO FORMA DE FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA

Tema 03: O VOTO E OUTRAS FORMAS DE PARTICPAÇÃO POPULAR PARA PROMOÇÃO DA JUSTIÇA

Tema 04: A CORRUPÇÃO ENFRAQUECE A DEMOCRACIA BRASILEIRA?

Interpretar para escrever

Nem sempre a interpretação de um enunciado de prova dissertativa se faz de maneira satisfatória, de modo a conduzir o candidato a uma escrita condizente com a proposta da banca. Atendendo e interagindo com dezenas de candidatos toda semana, noto ser muito comum a leitura realizada de forma esparsa, isolada, sem estabelecimento de relações de sentido entre as partes do texto. Por isso, queridos leitores, segue aqui uma orientação:

Um texto é um todo organizado de sentido, significando dizer que o sentido de uma parte depende do sentido das demais com que se relaciona. Sendo assim, não se pode fazer interpretação isolada das partes de um texto, afinal, todas elas terão uma relação de sentido lógica. Aplicando-se isso às provas da FCC, notem que, geralmente, o período que abre o texto do qual extrairemos o tema (refiro-me àquelas provas em que a banca não explicita o tema, optando por somente apresentar um texto a partir do qual escreveremos a redação) funcionará como “carro-chefe”, de modo que os demais períodos são lidos (ou devem ser lidos) sem nos esquecermos do sentido daquele primeiro. Lembre-se: um texto é um todo organizado de sentido e entre suas partes deve haver uma relação semântica, uma coesão. Os vários períodos que compõem um texto não são vários textos, mas partes de um único texto dotado de unidade de sentido!

Boas leituras e excelentes produções a todos! Beijo grande.

Aproveitando os conhecimentos da área trabalhista para escrever dissertações

por Carla Queiroz Pereira em Temas de redação

Trabalhar, para muitos, tem o significado de prazer e certa diversão; para outros, ao contrário, o trabalho representa uma atividade penosa, um castigo; há, ainda, um grupo que entende ser o trabalho ora sinal de satisfação, ora indicativo de tédio e repetição.

Considerando o texto acima meramente como motivador, disserte sobre o seguinte tema:

O TRABALHADOR E A EMOÇÃO EM SEU AMBIENTE DE TRABALHO NA ATUALIDADE

Que não faltem palavras!

Não por acaso me acho nas palavras e sou achada por elas, nelas. Também me perco muitas vezes, claro. Quando achamos que estamos no domínio das palavras ou em qualquer situação de conforto, elas nos dão uma rasteira enorme. Palavras mal comportadas, palavras bem vestidas, palavras ingratas, palavras polissêmicas, palavras amordaçadas, palavras febris, palavras abreviadas, palavras apreciadas, palavras erradas, palavras cortadas, palavras bem humoradas, palavras desconhecidas: é o sabor das palavras. Falte qualquer coisa, mas não PALAVRAS! A mim, que de tanto falar “palavras”, já quase estranha o som “palavras”. Qual é a voz da sua palavra?

É possível, sim, aumentar a nota após RECURSOS !

Saiu agora há pouco o resultado final do TRT-8ª – após a análise dos recursos pela banca CESPE – e acabo de receber a seguinte mensagem em meu whatssapp: “Carla, querida. Te liguei para agradecer pelo seu recurso. Vc é 10! Aumentou 5 pontos a minha nota na discursiva. E parece que vou subir bastante minha colocação”. Muitíssimo obrigada, querida!”  De fato, este é um animador depoimento para incluirmos uma nova categoria no blog – “recursos: tentar ou não?”

Vivo falando que a luta em um concurso público só termina com a posse, mas muitos candidatos não ouvem isso! Infelizmente, uma boa parte dos “concurseiros” tem receios ou objeções quando o assunto são recursos nas provas discursivas (geralmente técnicas, versando sobre um aspecto da matéria); consideram que a banca pode reduzir a nota (o que, na prática, sinceramente, NUNCA vi ocorrer em todos estes anos trabalhando na área) ou que o ato de recorrer em conteúdo de nada adiantará, já que se trata de avaliação do conhecimento técnico-jurídico. E por que devemos tentar os recursos? Por três razões básicas, pelo menos: a) a banca errou de fato (isso acontece e muito!); b) comparando a lei com o espelho de respostas e o texto produzido pelo candidato, notamos que nem sempre a banca é razoável na correção; c) o concurso não terminou e nossa colocação pode mudar (e muito) após o período dos recursos.

Obviamente, não escrevo um recurso quando o julgo não ser cabível, já que é impossível argumentar bem sem parâmetros para isso. Mas, quando cabe (e essa análise eu faço questão de discutir com o candidato que me procura), defendo veementemente  o ingresso! A vida e o futuro estão em jogo!

Graças a Deus, o depoimento da minha aluna Joana, de Brasília, vem para provar que o recurso foi lido e bem aceito!

Parabéns, Joana!

Do TRT para as Procuradorias: esclarecendo meu momento

por Carla Queiroz Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Olá, queridos leitores!

Após eu ter concluído o curso de Direito, muitos clientes me perguntam se prestarei algum concurso da área jurídica e se continuarei trabalhando com as consultorias em linguagem. Então resolvi registrar a resposta aqui no blog!

Há alguns meses, além de trabalhar, voltei a estudar a fim de me preparar, sim, para alguns concursos. Comecei estudando para os TRT’s, mas RESOLVI MUDAR A ROTA COMPLETAMENTE. Na verdade, sempre que sentava para estudar para os TRT’s sentia um desconforto e uma intranquilidade cujos motivos não sei explicar bem (acredito que cada um de nós tem perfil e talento para fazer algumas coisas e não outras); independentemente disso, também sempre tive em mente que o importante era estudar… estudar… uma hora, o alvo a ser perseguido ficaria mais claro. E ficou! Prestei um concurso para Procurador Judicial de São Caetano do Sul-SP, cidade em que resido, e fiquei classificada em 25º. Se serei chamada ou não, impossível saber agora; mas essa experiência foi mais do que suficiente para eu ter certeza de que continuarei estudando e prestando SOMENTE PARA AS PROCURADORIAS (algumas estaduais e municipais). Há um caminho a ser trilhado ainda, mas com paz e tranquilidade.

Vale ressaltar que continuo e continuarei, se Deus quiser, trabalhando com a escrita e a interpretação; aliás, após a nomeação, tenho planos de colocar em prática várias ideias para ajudar meus clientes mais e mais (aulas em vídeo, questões de interpretação comentadas etc.)!!!

Beijo grande. Bora estudar um pouco mais agora!!!

 

 

Voo e perfil de texto: seu destino está em jogo

Um dia desses eu estava em um voo de São Paulo-SP para Belo Horizonte-MG. Durante os procedimentos que antecedem a decolagem, uma comissária, ao dar vários avisos, falou também qual era o destino daquela aeronave. Imediatamente uma passageira se levantou e disse que aquele não era o seu voo; achava que a aeronave a levaria para Recife-PE quando, na verdade, estava indo para BH.

Há candidatos a concursos públicos que escrevem tendo a plena convicção de que seus textos os farão alcançar os resultados almejados, afinal gastaram muito dinheiro em cursinhos e creem ter aprendido o passo a passo para escreverem bem. Aprenderam um certo “jeito” de escrever, uma fórmula que costuma lhes dar certo conforto e menos sofrimento. Mesmo quando digo “fulano, isso não vai dar certo”, há alguns que insistem em não tomar o caminho da reflexão, do raciocínio, do pensamento, do SENTIDO e da escrita periódica (sim, a frequência é muito importante). Resultado: surpresa e notas baixas.

Não adianta escrever… escrever… escrever como uma máquina! Não é suficiente estar dentro da aeronave; você tem de estar no voo certo para chegar ao destino desejado.

Quais são seus objetivos ao escrever?

Ontem, durante uma aula, falei sobre um aspecto muito importante para a boa escrita de cada parágrafo do desenvolvimento de um texto dissertativo: ter muito bem definido o OBJETIVO visado no parágrafo!!! Se isso não estiver bem definido, É MUITO PROVÁVEL A DISTRAÇÃO, O “PASSEIO” POR OUTROS ASSUNTOS QUE NÃO INTERESSAM AOS PROPÓSITOS DO TEMA DA PROVA!
Na referida aula, o tema em discussão era “O uso da poesia no cotidiano”, e o texto motivador tratava da possível aplicação (ou não) da poesia a um ou outro contexto. Sendo assim, entenda, PRIMEIRAMENTE, a proposta! É esse entendimento que NÃO PERMITIRÁ A VOCÊ ESCOLHER O QUE QUER ESCREVER A SEU BEL PRAZER.
Se a questão central é sobre poesia (e NÃO sobre humor, felicidade, diferenças culturais etc.), escreva, inicialmente, sobre POESIA! O que ela é, o que ela representa, sua importância etc.; pode, inclusive, CITAR NOMES DE POETAS (você sabe os nomes de alguns conhecidos poetas brasileiros, certo??? Então mostre esse conhecimento ao seu examinador, ora!). Parece óbvio eu dizer tudo isso, mas os textos que leio todos os dias me mostram que eu preciso falar e escrever o que acabo de dizer.
Repito (e desculpe-me a insistência): a redação, no caso aqui em questão, é sobre POESIA!!! É sobre poesia e sua APLICAÇÃO (EM QUE CONTEXTOS SERIA, OU NÃO, ADEQUADO O SEU USO). Escrito o primeiro parágrafo do desenvolvimento, o seu segundo parágrafo poderia tratar da aplicação da poesia (pode esse gênero ser usado em quaisquer contextos?) Lembre-se disso e não fique à deriva.
Finalizei a aula dizendo ao meu aluno: “Eu insisto porque acredito em você e sei que você pode produzir um texto cada vez melhor! E, please, nada de se aventurar a olhar modelos fechados, pelo amorrrr de Deus; você já provou e percebeu que isso não costuma dar certo”!
Grande abraço. Um ótimo feriado!

Vivência de mundo: um requisito para a escrita

por Carla Queiroz Pereira em Dificuldades com a escrita
Não se escreve uma redação consistente (com nota 95 ou 100) a partir do NADA, DO VAZIO. Os textos resultam também dos conhecimentos de mundo que temos, de experiências, vivências. Tais vivências podem vir dos livros e artigos que lemos, de filmes assistidos, de viagens feitas, de espetáculos que nos emocionaram, do aprendizado de uma nova língua ou de um instrumento musical, de visitas a exposições e museus etc. Os textos também são fruto da reflexão que constantemente fazemos a respeito de todas essas experiências, bem como da própria ação de escrever sobre.
No último tema cobrado no TRT-MT (cargo de AJAJ), muitos candidatos literalmente se enrolaram no texto sobre MUSEUS! Há, pelo menos, duas causas para isso: a pobre vivência de mundo e o pouco hábito de refletir sobre tudo o que os cerca. Bem, pessoal, em provas do TRT, como sabemos, não basta termos uma boa nota nas objetivas; precisamos também obter uma boa pontuação nas redações (aliás, isso pode nos colocar no topo da lista, mesmo quando nossa nota nas objetivas não tenha sido tão boa).
Por isso, candidato(a), passeie mais, leia mais, viaje mais, pense mais, viva mais!
Um grande abraço a todos!
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Carla Queiroz Pereira: OI, Rosângela! Geralmente sugiro a escrita de 1 (uma) redação por semana, já que o c...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Linguística/área Neurolinguística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões linguístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as redações, questões discursivas e questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br